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Janeiro deixa o piauiense mais endividado

Em todo o Brasil, três a cada quatro pessoas estão endividadas, aponta pesquisa que revela que janeiro o quadro é desolador

"A taxa é zero, o juro é alto. Vamos conversar? Aquela dívida!". A música de autoria da banda Ultramen poderia ser a trilha sonora de três a cada quatro brasileiros que estão endividados no Brasil desde o final de 2021. Para se ter ideia, setembro bateu o record com mais de 74% de famílias endividadas. 

O cenário de janeiro é desolador: IPVA do carro, IPTU, material escolar dos filhos e a fatura de janeiro, com os fatídicos gastos de dezembro.

Situação

Mariana Carvalho, de 28 anos, começou a trabalhar em 2020 em uma empresa privada e ficou contente quando recebeu o primeiro décimo terceiro. 

"Eu nunca tinha trabalhado de carteira assinada e recebi uma 'bolada'. Fiz uma viagem de última hora e acabei me descontrolando financeiramente, porque veio documento do carro, uma multa e o cartão de crédito, que não consegui pagar até agora. Vou ter que parcelar", afirma.

Já Gabriel Uchôa, de 32 anos, se descontrolou com gastos que não eram previstos. "Bati o carro, meu cachorro ficou doente. Não sei como vou pagar a fatura esse mês porque tem o licenciamento do carro e eu sou Uber", comenta.

Dívidas  aumentam no mês de janeiro - reproduçãoDívidas  aumentam no mês de janeiro - reprodução

Garantir reservas

Assim como Mariana e Gabriel, muitas pessoas estão na mesma situação. E o comportamento indica a necessidade de garantir reservas de dezembro para janeiro, em razão do décimo terceiro e de obrigações financeiras do início do ano. A taxa de juros, ao contrário da música, permanece em ascensão no país, sobretudo em cartões de crédito rotativo.

Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostram que o brasileiro nunca esteve tão endividado. A verdade é que a pandemia da Covid-19 impulsionou o endividamento das famílias, além do sobrepreço dos combustíveis, que encareceram produtos e a própria alimentação.

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Fuja do crédito rotativo

Para o economista Valmir Falcão Sobrinho, consultor tributário e presidente do Conselho Regional de Economia do Piauí (Corecon-PI), é preciso fugir do crédito e garantir o débito para liquidar dívidas. Além disso, o planejamento financeiro é a melhor saída para as dívidas.

O cartão de crédito é o meio mais utilizado pela população.

 "O parcelamento da fatura não é recomendado. O ideal é pagar à vista. Pagar acima do valor mínimo é o ideal. O parcelamento automático chega até a 9,1%, sendo uma taxa bem alta. O crédito rotativo tem uma incidência de juros bem alta", avalia o economista.

As famílias brasileiras estão cada vez mais endividadas. O presidente do Corecon revela que a maior causa é a falta de planejamento financeiro. "É preciso ter uma reserva para despesas emergenciais ou extraordinárias. Deixar débitos é o que cria a bola de neve", aponta. 

Tudo na ponta do lápis

Aquele cartão de crédito com dívida exorbitante pode se transformar em empréstimo. "Um débito 'impagável' pode depender de um empréstimo consignado, com juros menores. 

Mas os nossos juros são os mais altos do mundo, com uma média de até 200% ao ano", acrescenta Valmir Falcão Sobrinho.

Economista lembra que é preciso planejar gastos - divulgaçãoEconomista lembra que é preciso planejar gastos - divulgaçãoEconomista lembra que é preciso planejar gastos - divulgação

Reservas

Embora muitas pessoas acabem caindo no descontrole, o mês de janeiro é quando o trabalhador tem o salário de dezembro e o décimo terceiro. Isso permite liquidar dívidas e garantir reservas. Mas para isso é necessário colocar tudo na ponta do lápis.

"O mês de janeiro também pode ser o mês para iniciar esse planejamento, embora tenham as despesas fixas como material escolar, matrícula da escola, etc. É preciso fazer uma planilha com as despesas e ganhos, para que não haja um descompasso financeiro", finaliza.

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