Mais da metade dos jovens estudantes de Teresina com idade entre 13 e 15 anos revelaram já ter experimentado bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida

Ao todo, 55,7% confirmaram o dado demonstrado em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que analisou números obtidos pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do ano de 2019. 

Para a psicóloga Luisa Brandim Nogueira, o consumo de álcool no início da adolescência é o maior risco. 

"Sabemos que crianças de antes dos 10 anos podem experimentar as bebidas, embora seja mais comum mais na adolescência. Isso é algo que facilita um processo de dependência química ao álcool. Além disso, tem a questão da vulnerabilidade social e saúde mental", explica.

Luisa Brandim Nogueira é psicóloga e conta os riscos da ingestão de álcool na adolescência. Crédito: Reprodução/Divulgação.Luisa Brandim Nogueira é psicóloga e conta os riscos da ingestão de álcool na adolescência. Crédito: Reprodução/Divulgação.

A psicóloga revela que o álcool também deixa o adolescente mais vulnerável para violências, além de afetar o rendimento escolar. 

"São muitas questões envolvidas. É algo que precisa ser conversado para que o adolescente entenda porque ele não pode beber. Não é só proibir, pois eles veem que todo mundo bebe. Então é uma conversa que precisa ser franca, porque o álcool é algo bastante acessível, mais ainda que as outras drogas", acrescenta.

O levantamento estatístico mostra que o consumo de bebida alcoólica oscilou em 19% para cima entre 2012 e o último levantamento de 2019. A taxa havia caído de 46,8% em 2012 para 45,7% em 2015. Agora o número disparou para 55,7% em 2019. 

Jovens estão consumindo bebida alcoólica mais cedo. Crédito: Laker/Pexels.Jovens estão consumindo bebida alcoólica mais cedo. Crédito: Laker/Pexels.

A PeNSE questionou aos jovens se eles já haviam provado um copo ou dose de bebida alcoólica em algum momento da vida. As respostas foram colhidas de cada jovem de forma individual através do Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), em amostras de escolas públicas e da rede particular.

Teresina tem o menor índice entre as capitais brasileiras

Apesar do aumento significativo, o índice de Teresina é menor do que a média de todas as capitais brasileiras, que foi de 63,2% em 2019. A capital com maior proporção foi Porto Alegre (RS), onde 74,9% dos estudantes adolescentes já haviam provado bebida alcoólica em 2019. Já o menor percentual foi encontrado em Macapá (AP), onde cerca de 51,9% dos estudantes já provaram a droga lícita. 

Teresina possui o sétimo menor índice do país. Conforme o levantamento, aproximadamente 36,4% dos estudantes teresinenses experimentaram álcool pela primeira vez com 13 anos de idade ou menos. Neste quesito, o índice também é inferior à média das capitais, que foi de 43,3% em 2019. 

No entanto, ao longo de um decênio, houve redução na taxa de estudantes teresinenses que beberam álcool pela primeira vez com 13 anos de idade ou menos. Em 2009, a proporção era de 46,6%. A queda foi de 21,8% no período.