A vice-governadora Regina Sousa (PT) será a primeira mulher a assumir, efetivamente, o Governo do Estado do Piauí. A posse está marcada para o dia 31 de março, no Palácio de Karnak.

 O momento é histórico e marca um passo importante para a equidade de gêneros na política. Para Regina, este é um momento desafiador. 

"É um desafio e tanto, tanto para o homem como para a mulher. É cuidar da vida do povo do Piauí. Estou preparada, pensando em coisas que eu possa desenvolver de acordo com minhas causas. Não penso em aparecer. Eu quero cuidar de pessoas, sobretudo os invisíveis. Essa é a grande obra da minha vida", disse.

Regina Sousa assume o cargo de governadora  do Piauí - Efrém RibeiroRegina Sousa assume o cargo de governadora  do Piauí - Efrém Ribeiro

Representatividade

A futura governadora afirma que estar na cadeira do governo é representativo para as mulheres. "É a conquista de um espaço", define. "A mulher pode ser governadora, presidenta, prefeita. As meninas têm que olhar esses exemplos. É como quem estuda. Cada conquista é um exemplo consolidado", acrescenta.

Regina defende a ampliação da cota das mulheres.

 "O espaço público é muito masculino. Hoje somos apenas 11% do parlamento, é muito pouco. É preciso trazer a cota das mulheres. Precisamos adotar o exemplo da Espanha, que até o ministério tem paridade", acrescenta.

A vice-governadora Regina Sousa assume o lugar do governador Wellington Dias, que vai interromper o quarto mandato para concorrer a uma vaga no Senado, onde Regina também já foi senadora.

Barbara diz que há um caminhoa ser percorrido - reproduçãoBarbara diz que há um caminhoa ser percorrido - reprodução

Abaixo o patriarcado na política

Elas têm todo o potencial de virar o jogo. Afinal, são a maior parte do eleitorado, visto que elas são a maioria populacional no Piauí, Brasil e mundo. No entanto, um grande obstáculo: o monstro do patriarcalismo, que mata, fere e silencia.

Para Barbara Johas, doutoranda em Políticas Públicas, mestre em Ciências Sociais e professora do curso de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), existe um longo caminho a ser superado. 

"As mulheres têm mais dificuldade de chegar a cargos públicos por fatores de ordem social e cultural, além da estrutura do desenho partidário brasileiro", explica.

A professora universitária aponta que existem papéis de gênero que colocam que as mulheres devem estar no ambiente doméstico, e não no público. "Então, a política não seria um espaço adequado para elas, pois elas têm características que a diferem desse âmbito. Ser mais sensíveis e menos incisivas, por exemplo. Isso vêm de uma cultura machista e patriarcal", alerta Johas.

Professora universitária aponta que existem papéis de gênero - Aruivo pessoalProfessora universitária aponta que existem papéis de gênero - Aruivo pessoal

Um desenho político machista

As estruturas partidárias corroboram para o ambiente majoritariamente masculino. "Embora tenhamos a lei de cotas, existem obstáculos internos das estruturações dos partidos. Aspectos institucionais contribuem muito na hora de se candidatar e concorrer. Daí o baixo número de mulheres no parlamento", evidencia a cientista política Barbara Johas.

O TSE está punindo partidos que não cumprem as cotas ou que estão com candidaturas laranja. Em Valença, a candidatura de seis vereadores foi cassada.

Há ainda um baixo número de mulheres no parlamento - reprodução internetHá ainda um baixo número de mulheres no parlamento - reprodução internet

 "Então, os partidos buscam mulheres que possam concorrer e serem eleitas para evitar esses problemas. Além disso, a distribuição de recursos deve reservar 30% da cota eleitoral para candidaturas das mulheres, além de 5% do fundo partidário", acrescenta.

Avanços que fazem a diferença

"Para dizer que não falei das flores", brinca Barbara Joahs. A cientista política afirma que nem tudo está perdido, pois já houve, sim, um avanço na luta contra o machismo na política.

"Há um avanço ligado ao fato de que cada vez mais as mulheres se organizam politicamente. Nos partidos, em particular, elas estão atentas. Além disso, são a maioria do eleitorado! Elas vão às urnas e definem, na prática, quem será eleito. Nas últimas eleições, tivemos casos importantes", aponta.

O Piauí é um partido pioneiro em muitos aspectos. "O Piauí sempre foi à frente. Tivemos a primeira mulher trans com cargo público em todo o Brasil aqui no Piauí, a Kátia Tapety. A primeira advogada, Esperança Garcia, também era do Piauí. O Norte e o Nordeste são vanguardas neste aspecto. As mulheres que ocupam lugares pioneiros são dessas regiões. A primeira senadora e a primeira mulher a votar, também", finaliza.