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Saúde mental: tema sério em contexto de pandemia

O novo coronavírus trouxe um contexto de incertezas que aumentou os níveis de estresse e ansiedade e é importante falar como tratar nesse novo contexto

O período de pandemia trouxe incertezas desde março de 2020. O chamado “efeito rebote” trouxe o sofrimento, que tende a aumentar com a sensação de medo causada pela doença. Para enfrentar o aumento de doenças de ordem mental, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) tem uma ampla rede de atendimento.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2020, 250 milhões de pessoas do mundo teriam depressão. Isso também alerta para o suicídio. O tema da saúde mental foi abordado no programa Formação Saúde, que vai ao ar aos domingos, às 14h, na Rede Meio Norte.

É o que explica Virgínia Pinheiro, gerente de Saúde Mental da Sesapi. “Sistematicamente fazemos a avaliação diagnóstica junto aos dispositivos de saúde mental. Inicialmente, a população reduziu a procura pelos serviços. Mas nós mantemos o serviço e nos direcionamentos de maneira sistemática para qualificar os profissionais que atuam nesse setor. 12 milhões de pessoas no nosso país vivem a depressão, 20 milhões têm ansiedade. E esse impacto da pandemia será de longo e médio prazo”, afirma.

Saúde mental é necessária nesses tempos de pandemia/reproduçãoSaúde mental é necessária nesses tempos de pandemia/reprodução

A Rede Psicossocial, que atende a esses casos, foi institucionalizada em 2011, com a portaria de Nº 3.088. “Os cuidados foram instituídos em sete componentes. Estes pontos de atenção vão desde a atenção primária em saúde até à hospitalar, incluindo estratégias de desinstitucionalização e reabilitação. Além de prevenção e promoção em saúde mental que são realizados nas UBS [Unidades Básicas de Saúde] e Consultório na Rua, Estratégia de Saúde da Família [ESF] e os NASF”, enumera Virgínia.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são importantes no enfrentamento ao chamado "efeito rebote da pandemia". "São nos CAPs onde tratamos transtornos mentais graves e persistentes. Na atenção hospitalar e rede de urgência e emergências, temos internações breves e possível articulação para sistemas em rede. Assim é feito o devido acompanhamento da pessoa que tem sofrimento psíquico, transtorno mental e uso de drogas”, aponta Virgínia Pinheiro.

Outro processo importante é a reinserção dos pacientes na sociedade. “Também temos a reabilitação psicossocial com ações de trabalho e renda. São pessoas com longo histórico de internações que passam por esse processo de ressocialização”, acrescenta a gerente de Saúde Mental.

 

CarlosWinston diz que é uma área desafiadora /reproduçãoCarlosWinston diz que é uma área desafiadora /reprodução 

Combatendo a depressão e o suicídio no Piauí

 Em todo o Piauí, a Rede Psicossocial trabalha para a promoção da qualidade de vida, que passa por uma saúde mental em dia. E enfrentar o suicídio e a depressão é uma tarefa de muitas mãos. Samara Moura, psicóloga e Secretária Municipal de Saúde de Paulistana, sabe bem o que é isso. “As pessoas precisam entender que não precisam sofrer sozinhas. A grande maioria das tentativas de suicídios podem ser evitadas”, explica.

Já o psiquiatra Carlos Winston, que também trabalha no município, explica que essa é uma área desafiadora no interior do Estado. 

“É um grande desafio trabalhar a saúde mental com relação às limitações da pandemia. Muitos pacientes deixam de procurar ajuda porque acham que saúde mental é algo secundário, que pode ficar para depois”, aponta.

Depressão

Francisco Macêdo, agente comunitário de saúde de Paulista, conhece bem essa realidade.  “Encontrei uma senhora que estava com depressão. Chorava muito e sempre calada. Conversei com ela e dei apoio. Ela tinha medo da pandemia. Então precisei explicar que na cidade não tinha sido tão afetada, além disso o mundo enfrentou outras doenças. Além disso, orientei buscar o posto de saúde para fazer acompanhamento psicológico. É preciso conscientizar as pessoas sobre a doença e mostrar que existe o serviço”, explica.

Sebastião Ramos é usuário do serviço de saúde mental de Paulistana. Ele conta que o serviço é positivo. “Comecei a fazer trabalho voluntário. Venho uma vez por semana e faço oficina de violão e música. Esse trabalho no Caps, junto aos profissionais, foi fundamental. Aprendi que sempre é tempo de recomeçar”, revela.(L.A)

Sebastião Ramos encontou ajuda e apoio/DivulgaçãoSebastião Ramos encontou ajuda e apoio/Divulgação

 

Nasf passa pela oferta de saúde

Em Santa Luz, município localizado ao Sul do Piauí há 453 km de Teresina, o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) tem um papel muito importante no município. Em todo o Brasil, os NASFs foram criados em 2008 pelo Ministério da Saúde. O programa amplia a oferta de saúde, dando um maior suporte à população com a questão da saúde mental. Os profissionais da saúde também são assistidos nesse processo.

Embora houvesse necessidade, muitas pessoas deixaram de procurar o serviço durante a pandemia. Mas a necessidade falou mais alto e as pessoas voltaram a frequentar no mesmo período, aumentando a demanda. "Fizemos o afastamento de profissionais com comorbidades, que foram afastados. Então seguimos rigorosamente os protocolos para manter os atendimentos. Os atendimentos voltaram a ser presenciais, pois antes tivemos que nos adaptar ao atendimento remoto", afirma Geânia Araújo, secretária Municipal de Saúde de Santa Luz.

 

Profissionais tiveram momentos desgastantes

 Geânia lembra a importância de oferecer suporte aos profissionais da saúde, além da população. "Nós tivemos pacientes que tivemos que internar por conta do risco de suicídio. Além disso, os profissionais da saúde também foram atingidos. Era um dando apoio ao outro. Nossa proposta era evitar aglomerações, mas vimos muitos colegas chorando nos cantos. A gente, como profissional, superamos esse momento. Mas precisamos ser vistos porque muitos vão precisar de apoio psicológico ao longo da vida e poderemos ter idosos depressivos", alerta.

A psicóloga do município, Glicia Moura, explica que os profissionais passaram por momentos desgastantes. "Tivemos que nos organizar a nós mesmos. Como vamos apoiar o outro sem estarmos preparados? Iniciamos o teleatendimento, criamos grupos de apoio e os profissionais tiveram acompanhamento", revela.

Geânia Geânia lembra a importância de oferecer suporte aos profissionais/reproduçãoGeânia Geânia lembra a importância de oferecer suporte aos profissionais/reprodução

A Covid-19 foi impactante para os pacientes. "A pandemia trouxe sofrimento, medo e até a falta de alimento na mesa. Então o Núcleo aumentou o monitoramento, através do nosso prontuário eletrônico. Isso facilitou o atendimento", finaliza Glicia.(L.A)

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