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Bombardeios sobre Salvador destroem monumentos e documentos históricos

Um acontecimento espantoso, e pouco conhecido dos brasileiros, abalou a cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia, no dia 10 de Janeiro de 1912, hoje decorridos 108 anos. Um bombardeio sobre a sede do Palácio do Governo e outros prédios históricos do centro da cidade foi o ápice que marcou as lutas políticas entre as oligarquias provincianas durante os primeiros anos da República Velha.

A perversa ação militar foi autorizada pelo Marechal Hermes da Fonseca, então Presidente da República. Por sua ordem direta, os canhões do Forte São Marcelo, cujo objetivo era defender a cidade, voltaram-se contra ela e a bombardearam por cerca de quatro horas. O antigo Palácio do Governo ficou praticamente em ruínas, e teve de ser reconstruído.

Às 14 horas daquele dia teve início o bombardeio, com canhoneio oriundo do forte do Mar, do forte de São Pedro e do forte do Barbalho. Em vinte minutos, cerca de vinte tiros vindos do forte do Mar atingiram a sede do governo, incendiando um prédio histórico de trezentos anos, que foi destruído. O fogo atingiu a Biblioteca Pública, fundada em 1811 pelo sexto conde dos Arcos, dom Marcos de Noronha e Brito. Ali estavam guardados documentos preciosos, livros raros, perdidos para sempre, pois era também a sede do Arquivo Público da Bahia - perdendo-se a documentação da primeira capital brasileira. O canhoneio do forte do Barbalho atingiu a Câmara e a esquina da Sé, provocando danos. Os tiros do forte de São Pedro, por sua vez, atingiram o quartel da polícia.

O Palácio do Governo após o bombardeio de 1912

A Bahia acabara de passar por uma campanha presidencial em que se embatiam o voluntarioso militar Hermes da Fonseca contra o baiano Ruy Barbosa. Corria o ano de 1910, e os conservadores estavam divididos: o governador João Ferreira de Araújo Pinho e o líder José Marcelino apoiaram Ruy: Marcelino havia, em 1907, rompido com Severino Vieira, no episódio que foi conhecido por "cisão do Partido Republicano da Bahia". Do lado vitorioso de Hermes da Fonseca estavam Vianna, o ex-governador e já decadente José Gonçalves da Silva e o inimigo do primeiro, recentemente chegado da Europa, J. J. Seabra.

As forças oligárquicas estavam totalmente desunidas na disputa pelo poder. Mesmo entre os apoiadores de Hermes da Fonseca havia a divisão: Seabra era adversário figadal de Vianna: inimigos pessoais além de políticos. Com a vitória Seabra fundou o Partido Republicano Democrata (PRD), em que se destacavam jovens talentos como Otávio Mangabeira e Ernesto Simões Filho, este último jornalista, fundador do jornal A Tarde.

Ruy Barbosa em charge posterior ao bombardeio

Vigorava, no primeiro momento da República, um sistema eleitoral viciado: os votos eram abertos, sujeitos a toda sorte de fraudes cometidas pelos coronéis que dominavam as cidades interioranas. Para além disto, havia a necessidade de reconhecimento do vencedor, feito nos estados pela Assembleia de Deputados e pelo Senado Estadual. Embora armado de poderosas alianças, ter o apoio federal e popularidade, Seabra não tinha a maioria parlamentar, o que implicava vencer no voto, mas perder no legislativo. As duas casas eram, na sua maioria, de deputados e senadores severinistas e marcelinistas.

O ataque foi decidido quando, às 10 horas, o general Sotero de Menezes, Inspetor da Sétima Região Militar, enviou ao governador de provisório Aurélio Viana uma comissão formada por oficiais subordinados. Viana pede uma hora para consultar seus aliados, respondendo às 13 horas que não iria retirar suas "tropas", mas que os deputados e senadores poderiam se reunir em sessão. Às 13 horas e 30 minutos, o comandante da 7ªRM informou aos cônsules que haveria uso da força e fez circular o boletim que dizia:

Missa em homenagem as vítimas do bombardeio

O general Sotero de Menezes, inspetor da 7ª Região Militar, faz saber que, tendo o governo do estado se recusado terminantemente a obedecer o habeas corpus concedido pelo exmo. sr. juiz seccional, para que possam funcionar livremente, no edifício da câmara dos deputados, os congressistas convocados pelo exmo. sr. barão de S. Francisco, presidente em exercício do Senado, cumpre-lhe, em obediência à requisição do mesmo juiz federal com poderes competentes da República, fazer respeitar a execução dessa ordem, pela intervenção da força sob o seu comando, intervenção a que dará início dentro de uma hora".

O episódio, que traumatizou a cidade, teve repercussões nacionais e culminou com a ascensão ao poder no estado da figura de José Joaquim Seabra, com a derrota dos antigos líderes conservadores, dentre os quais os principais eram Ruy Barbosa, Severino Vieira, José Marcelino de Souza, Luiz Vianna e outros que lhe eram adversários ou até aliados.



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