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A leitura, companheira indispensável em tempo de pandemia

Ao ler, estamos sempre acompanhados, tomados pela história que se coloca a nossa frente, a cada página que vamos virando.

Quando o ano de 2020 começou, ninguém tinha a ideia de que tempos cruéis se implantariam a partir do final de fevereiro, trazendo mortes, dor, incerteza e medo às pessoas, por todas as partes do planeta. O conceito de uma pandemia catastrófica como a que estamos vivendo, era algo inimaginável, que não passava pela cabeça de ninguém, nem mesmo dos cientistas mais dedicados, ou de seres humanos que nutrem permanente preocupação com a forma desastrosa com que se tem tratado a Terra. 

A partir daquela notícia vinda da China sobre o surgimento de um suposto vírus letal, pouco tempo restou para que aos poucos as pessoas fossem orientadas a interromper o ciclo habitual de vida comunitária, e daí, passo a passo, o mundo inteiro fosse mergulhando no caos do isolamento social, todos os humanos confinados em suas casas, no esforço comum para evitar a própria morte e a morte das outras pessoas.  

Mas nem isso impediu que o mundo tenha perdido algo em torno de 2 milhões e 900 mil vidas, e o Brasil tenha ultrapassado as 330 mil mortes. Daí o esforço ingente que fazem autoridades sanitárias e governantes, com raras e lamentáveis exceções,  em todas as partes do mundo, preocupados com estimativas de que a Covid-19 vai recrudescer entre Abril e Maio, forçando necessariamente a um isolamento cada vez mais severo. 

Autoridades estão preocupadas com os "rumos" da Covid-19 / Foto: André Coelho/Getty ImagesAutoridades estão preocupadas com os 'rumos' da Covid-19 / Foto: André Coelho/Getty Images

Isolar-se, algo até então também impensável na cabeça das pessoas, passou a ser a nova cultura, o novo hábito, bastante estranho, mas sempre mais significativo no dever de se evitar a contaminação, suas consequências e a morte. E, daí, começaram a surgir as engenharias capazes de nos tornar capazes de gerenciar essa nova rotina, de isolamento e ausências, que força o distanciamento, tange para longe o abraço, o aconchego, o livre contato, mesmo dentro da nossa própria casa, junto das pessoas que amamos.  

Uma das primeiras práticas que muita gente adotou para driblar a nova situação, foi a realização de lives, pela internet ou aplicativos de redes sociais, um meio eficiente de falar com outras pessoas, trocar ideias sobre o trabalho e outros interesses. As lives têm sido um instrumento muito interessante para muitas pessoas, especialmente para artistas, comunicadores, professores, profissionais de saúde, enfim, para muita gente, uma maneira  de ir tocando a vida, até mesmo no trabalho. 

Mas como nem todo mundo é afeito às lives, e até mesmo porque esse tipo de manifestação exige obrigatoriamente um ou mais interlocutores, aí sobra, imponente, gloriosa, dona de si e da gente, a leitura. Do jornal, da revista, do livro. 

A leitura, companheira indispensável em tempo de pandemia  - Imagem 2

Embora seja um ato pessoal, individual, que se realiza apenas por nossa atitude exclusiva, a leitura possui algo mágico: ela nunca nos deixa sozinho. Ao ler, estamos sempre acompanhados, tomados pela história que se coloca a nossa frente, a cada página que vamos virando. Ao ler, conhecemos, viajamos, trocamos ideias, somos tocados nos nossos sentimentos, na nossa imaginação, na invencionice que nos toma a mente e na sensibilidade que nos doma o coração.  

Um bom livro é libertador, serve para quebrar amarras, abre a cabeça, rompe preconceitos enrustidos, torna-nos mais ativos, interessados e participantes da vida comum, deixa-nos mais esclarecidos sobre questões que não tocavam o nosso interesse, e nos fornece outra visão do mundo e das coisas. Deixa-nos mais conectados com o planeta.

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O livro é de tal maneira tão forte, tão esclarecedor, tão fascinante e dominante sobre nossa formação, nosso espírito e nossas atitudes diante da vida, que desperta, aqui e acolá, agora ou no passado, um sentimento de raiva dos ignorantes e dos déspotas, que mandam destruí-los, queimá-los em locais públicos. São fortes os registros históricos de livros queimados, transformados em cinzas. Ditadores, déspotas, ao agirem desse modo brutal, não têm apenas o interesse em destruir o livro em sí, mas de matar a própria razão, de eliminar a memória, para que gerações futuras não sejam influenciadas por seus conteúdos. 

Tem-se o caso de bibliotecas inteiras levadas ao fogo, de maneira proposital, determinada, como aconteceu na Alemanha nazista de Adolf Hitler, no Iraque de Sadan Hussein, onde a memória local já não existe, o berço da civilização, da escrita e das leis, foi transformado em cinzas.  

Muitos livros foram, no passado, queimados pela Santa Inquisição da Igreja Católica. O gênio Galileu Galilei foi uma das mais célebres vítimas da ira católica, que mandou queimar e proibir seus livros. Mas recentemente, padres católicos mandaram queimar livros da trilogia Harry Potter, acusando-as de invocarem “forças malígnas”. 

Daí, enquanto mais livros não são jogados ao fogo, aproveitemos para trazê-los a nossa companhia, em tempos de tanta dor, sofrimento e incerteza. É o mínimo que podemos fazer por nós mesmos.

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