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A poesia nutre o espírito e cura a mente

"Os poetas, aliás, os artistas em geral, não morrem. Eles apenas encantam-se a fim de, infinitamente, encantarem as pessoas com o legado artístico que, publicado, pertence a todos, uma vez que o ser humano precisa de arte para ser menos incompleto."

Mário Quintana

A poesia sempre me causou encantamento. Nela, desde muito cedo, encontrei esse sentido que Mário Quintana nos passou, de que o ser humano precisa de arte para ser menos incompleto. Num dia desses de isolamento social, revi uma palestra memorável do imortal maranhense Ferreira Gullar, na qual, entre muitos ótimos depoimentos, ele nos diz que a beleza da poesia consiste em não depender das estruturas da realidade; não revelar a realidade, mas inventá-la. A poesia, portanto, é uma forma diferente de ver o mundo.

Mário Quintana

De Ferreira Gullar, volto a Quintana, para lembrar outro achado que ele nos legou, ao dizer que "um poema não é para te distraíres como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.

Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe

Um poema não é também quando paras no fim,

porque um verdadeiro poema continua sempre…

Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras."

Esse sentido, esse papel, esse desempenho da poesia na vida dos humanos, vê-se, vai além do meramente literário, do prazer que um bom verso traz ao espírito da gente. Além de nos tornar, portanto, menos incompletos, tem um poder de cura que vem sendo descoberto e aplicado pela ciência, pela medicina, pela psiquiatria, pela psicologia, de maneira crescente, com resultados extraordinários.

Sabe-se hoje, cada vez mais, que a poesia tem enorme efeito sobre o nosso cérebro. A ciência vem pesquisando há algum tempo os correlatos neuronais e os circuitos cerebrais que podem interferir na leitura da poesia. Embora a pesquisa seja inicial, os resultados já se mostram fascinantes.

A poesia é o registro mais antigo da literatura e sempre acompanhou a humanidade, dando-nos,a ssim, a dimensão  sobre o impacto que a linguagem poética pode ter em nosso estado emocional e cognitivo.

Estudos recentes realizados com imagens cerebrais desenvolvidos pela medicina estão começando a  oferecer muitas pistas sobre os correlatos neurais e os mecanismos cerebrais envolvidos no ato de ler ou ouvir poesia.

Ao contrário de outros tipos de leituras que estão mais associados a várias estruturas localizadas no lado esquerdo do cérebro, a poesia ativa fortemente áreas relacionadas à introspecção. A resposta emocional à literatura, em geral, compartilha zonas de ativação com a música. No entanto, as áreas do hemisfério direito são as que mais parecem estar relacionadas à poesia.

Ferreira Goulart

Sabe-se, já, que cérebro está conectado à poesia, conforme mostram estudos desenvolvidos pela Universidade de Bangor, no Reino Unido, durante um projeto de pesquisa sobre o efeito da poesia no cérebro humano. Tais estudos reafirmam a ideia de que o cérebro tem recursos antecipatórios de reconhecimento de rimas e ritmos típicos da poesia.

Parece que descobriram que a qualidade musical da poesia é captada pelo nosso cérebro de uma maneira totalmente inconsciente. Em outras palavras, as propriedades harmônicas da poesia parecem estimular partes inconscientes da mente, o que também sugere uma estreita relação com a intuição humana.

No estudo, os participantes reagiam cada vez mais e melhor aos poemas elaborados com determinados ritmos métricos. Foi obtida até mesmo a imagem de uma explosão de atividade elétrica no cérebro dos indivíduos. Essa explosão elétrica ocorria apenas uma fração de segundo depois de ouvir a última palavra de uma das linhas do poema.

A poesia é um jogo de linguagem que consegue agrupar palavras de uma maneira surpreendente, como um chef que combina ingredientes que pareciam impossíveis de ser combinados e que dão resultados extraordinários.

Existe um padrão na poesia que parece restaurar nosso desejo de ordem. A poesia se baseia em regras de construção. É configurado um ritmo que, em seguida, é interrompido para retornar a ele novamente. O jogo dos significados das palavras, que às vezes guardam vários significados em uma só, é algo extremamente estimulante intelectualmente. Podemos ler um poema milhares de vezes, chegando a novos lugares e significados em cada uma delas.

A poesia sempre teve um papel na cura de pacientes. “Podemos olhar ao longo da história e para muitas culturas diferentes e ver exemplos de curandeiros em um sentido amplo da palavra, usando poesia a fim de ajudar as pessoas a enfrentar doenças”, diz Rafael Campo, médico da da Faculdade de Medicina de Harvard e poeta premiado.

Becker cita o grande poeta americano Walt Whitman, que frequentemente se sentava com pacientes durante a Guerra Civil em hospitais de Washington. Becker ressalta em seu poema The Best Story Teller Award (O melhor prêmio para um contador de história, em tradução livre) que Whitman disse que um poeta “arrasta os mortos para fora de seus caixões e lhes dá vida”. Becker entende que escritores e médicos nem sempre enxergam a mesma história.

A médica Irène Mathieu, pediatra da Universidade da Virgínia, escreve poesia desde que era estudante de Medicina. Atualmente, através do Centro de Humanidades e Ética em Saúde da universidade, ela ensina estudantes de Medicina sobre o poder da poesia na cura. “Eles estão realmente empolgados com isso”, diz ela. “Até os estudantes de Medicina que não têm experiência em poesia compreendem [essa forma literária] imediatamente.”

Médica Irene Mathieu

Para muitos médicos, a poesia é um remédio que eles mesmos necessitam. Eles exploram um desamparo nos limites de seu poder de cura e uma angústia ao testemunhar tanto sofrimento e morte.

“As pessoas se encontram muito ocupadas e podemos nos desgastar em nossos empregos”, diz Irène, que também atua como editora da seção de Humanidades do Jornal de Medicina Interna Geral, que publica poemas. “Às vezes, o que as pessoas precisam, antes de mais nada, é de uma injeção de uma experiência sensorial que as leve a lembrar por que estão fazendo isso.”


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