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De olho aberto contra a tirania

MUNDO CIDADÃO

José Osmando de Araújo – Jornalista


Quem imagina que o mundo está livre da remontagem de regimes tirânicos no estilo do Nazismo que Hitler fincou na Alemanha dos anos 1930, corre o risco de estar redondamente enganado. Infelizmente, já nesta segunda década do século XXI, a humanidade vive uma realidade de intensa fragilidade do seu tecido sociopolítico, com o aumento das diferenças sociais, da desigualdade, e várias formas de injustiças; o crescimento progressivo da miséria, da fome, do desemprego; a precarização gritante de serviços essenciais às famílias, a exemplo de saúde, instalações sanitárias e educação; o recrudescimento de preconceitos, racismo, homofobia, de fundamentalismos religiosos e de um grave esforço de desmoralização das instituições que, historicamente, sustentaram as sociedades, em muitas partes do mundo.

Esse ambiente de conturbação e desesperança alarga e aprofunda um fosso de distanciamento entre pessoas e grupos sociais, apontando para instauração de ambiente favorável ao fenômeno das tiranias, o que exige de cada cidadão consciente redobrar a atenção para o conjunto de responsabilidades que pesa sobre os ombros de todos.

Na sua obra “Sobre as Tiranias”, o historiador Timothy Snyder, professor da Universidade de Yale, especializado em história da Europa Central Oriental e membro do Comitê de Consciência do Museu do Holocausto dos Estados Unidos, nos alerta que “a história do século XX mostra, claramente, a facilidade com que as sociedades podem ruir, que as democracias podem entrar em colapso, e que a ética pode ser destruída. Ele nos lembra que “a tirania moderna é a gestão do terror. Caso ocorram ataques terroristas, lembre-se de que os autoritários exploram esses fatos a fim de consolidar o poder. O desastre repentino que exige o fim dos mecanismos de controle, a dissolução de partidos de oposição, a suspensão da liberdade de expressão, o direito a um julgamento justo etc. é o truque mais antigo do manual hitlerista. Não se deixe enganar.”

Para o renomado historiador, mesmo com a herança democrática que temos hoje, não estamos imunes a novos levantes tirânicos — que chegam ao poder, na maioria esmagadora das vezes, pelo voto. Quando começamos a deixar que um Estado abandone a sua Lei Maior, construída com o sacrifício de tantos seres humanos, em favor da causa única de um único olhar tido como o certo, sem olhar as crianças que ficaram sem comida porque só podem comer na escola; sem olhar os pais e mães de família que não conseguiram trabalhar porque é de cada dia que tiram seu alimento; sem olhar as consequências de meu ato individual em busca da liberdade e do atendimento total de minha vontade, esqueço que faço parte de uma cidade, de um povo, de uma Nação. Aí se instaura o “salve-se quem puder”, o “cada um por si”, resultando na crença derradeira do “salvador da Pátria”, do mito heroico. E aí já não haverá tempo para mais nada.

Recorro, por oportuno, ao que nos alerta Maria Helena Kühner, no texto de apresentação do livro “Os Tiranos”, de Antonio Ghirelli, editado no ano de 2003 : ”O passado são passos de um caminho que ainda estamos trilhando, pois a derrota das tiranias não conduziu nem conduzirá automaticamente a novas formas de sociedade”.

Para ela, “reconhecer a “tirania” sob todas as suas máscaras, reconhecer suas formas de intolerância, geradoras de uma agressão e violência que se pretende justificar com risíveis, cínicas ou revoltantes racionalizações, dá elementos para conhecer e entender as contradições do presente, deste confuso momento de transição a decadência e queda de mais um império, e de um sistema que se globalizou concentrando um poderio econômico e bélico inédito, e que outros tantos ainda reverenciam, deslumbrados e invejosos, com a ilusão de vir a partilhar desse poder.”

Daí, a necessidade de estarmos, a todo dia e a cada hora, com o olho sempre aberto, para não sermos traídos por nossa negligência e indiferença. Fazer cada um a sua parte nessa tarefa de vigilância, é fundamental e necessário.



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