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É urgente dar ao lixo o seu devido aproveitamento

Mundo Cidadão

Um relatório produzido pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí, divulgado na semana passada, revela dados preocupantes acerca da coleta, seleção, manejo e tratamento dos resíduos sólidos gerados pelos municípios. Consta que 83,5% das 224 cidades piauienses não realizam qualquer tipo de coleta seletiva e 71% delas não desenvolvem ações voltadas à educação comunitária voltada ao descarte de lixo.

Prevalece a utilização de vazadouros a céu aberto- os conhecidos lixões-, somente 8% possuem aterro controlado e só 2% aterro sanitário. Esses dados do relatório do TCE foram colhidos em 2020, tomando-se por base o ano de 2019. Uma exceção nessa regra lastimável, é a Capital, Teresina, que gastou mais de R$ 116 milhões, o que representa 45,10% do total gasto realizado pela soma de todos os outros municípios. O valor total investido pelas gestões municipais foi de R$ 258 milhões, representando 2,69% de suas despesas correntes.

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Esse notável descaso das gestões públicas municipais, quanto à aplicação de recursos em programas de coleta, reciclagem e tratamento do lixo, associado à ausência da participação das pessoas, coletivamente, através de campanhas educativas, agrava de modo progressivo e constante a degradação do meio-ambiente, comprometendo os recursos hídricos, matando gradativamente rios, açudes, lagoas, tornando a água um bem cada vez mais inacessível a pessoas e animais. Além do que, a presença do lixo a céu aberto acarreta consequências graves à saúde das pessoas, especialmente de crianças.

Sabe-se que a necessidade de reduzir os impactos ambientais na sociedade vem permitindo ao setor industrial intensificar o reaproveitamento dos resíduos gerados nos processos produtivos. Além da redução de custos com o descarte, a reutilização destes materiais pode resultar em benefícios consideráveis para as empresas, transformando o que iria para o lixo em lucro.

É urgente dar ao lixo o seu devido aproveitamento - Imagem 1

Em várias cidades brasileiras o êxito de programas de reciclagem tem feito agradáveis transformações, com expressiva participação das famílias, dentro de suas casas, nesses processos seletivos. Brasília é um bom exemplo nesse sentido. A produção elevada e variada de resíduos industriais, junto com resíduos da construção civil, constitui uma ameaça permanente ao equilíbrio ecológico, mas isso deve ser compensado com políticas consistentes de reciclagem e reaproveitamento, evitando-se a degradação do ar, do solo, da água.

É papel fundamental dos gestores públicos, sobretudo, cuidar dessas políticas, mudando sua visão sobre essa questão do lixo, passando a investir nas soluções, como política de saúde pública. Assim, também, é dever dos administradores municipais motivar suas comunidades através de campanhas educativas, que começam na escola e vão se espalhando por toda a comunidade, numa missão consciente de atuação cidadã. Atitudes como essas, fazem com que o nível de poluição e impactos causados diminuam, além de contribuir para conscientizar a sociedade.

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Outro aspecto, é que a reciclagem de lixo e o seu reaproveitamento podem ser fontes interessantes de recursos para amparar ações de ONGs e outras instituições, especialmente acolhendo projetos educacionais e de assistência social. É cada vez mais necessário que gestores municipais entendam que preservar o meio ambiente é tarefa salvadora, que os rejeitos industriais causam altíssimos danos à natureza se descartados aleatortiamente, como costuma acontecer na maioria das cidades, de forma inapropriada. Com o reaproveitamento deles, há uma significativa diminuição de dejetos que é destinado ao ecossistema, diminuindo, assim, os danos por poluição atmosférica, de rios e do solo, que também acarreta em menos danos causados a animais que têm aí o seu habitat.

Torna-se cada vez mais necessário que gestores municipais compreendam que investir nessa questão dos resíduos do lixo, além de preservar o ambiente e zelar pela saúde de suas comunidades, reciclagem e reaproveitamento geram retorno financeiro. Diferentemente do tratamento, que necessita de gastos para sua realização, seguido do descarte, o reaproveitamento dos dejetos pode ser visto como um investimento.

As prefeituras municipais precisam motivar pequenos e médios empreendedores a se ligarem nessa tarefa de reciclagem e reaproveitamento, gerando assim novos negócios, criando novas oportunidades de mão-de-obra, incentivando o surgimento de cooperativas de catadores, uma vez que, a grande variedade de resíduos pode gerar inúmeras formas de reutilização.E consequentemente, podem apresentar diversas aplicações em áreas que vão desde a reciclagem simples à construção civil.

Observa-se, entretanto, que a grande maioria dos gestores não tem olhos para essa grave questão. E a conclusão a que se chega é que não despertarão se não houver cobrança e engajamento da população. Cobrar não apenas dos prefeitos de suas cidades, mas da Câmara de Vereadores, dos deputados estaduais e federais que eles elegeram no pleito passado.

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No dia em que tivermos a compreensão de que uma tonelada de papel reciclado poupa cerca de 22 árvores, economiza 71% de energia elétrica e polui o ar 74% menos, contaremos nossa história de maneira diferente. Mas é necessário gerar um debate vigoroso em torno deste assunto, sem esperar que chegue a próxima eleição. Isso é, de fato, uma tarefa, quase uma missão, que cabe a cada cidadão.



 

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