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O dever humano de combater a discriminação racial

O dever humano de combate a discriminação racial

José Osmando de Araujo – Jornalista 

O dever de combater a discriminação racial me parece uma tarefa diária de cada pessoa que tenha um mínimo de humanidade e de formação cidadã. Mas a realidade é diferente, sobretudo no Brasil, país que se formou à custa de uma colonização perversa, fundada na exploração de pobres, negros e índios, sendo a última nação das Américas a abolir o trabalho escravo que vitimou milhares e milhares de negros africanos, e de seus descentes já nascidos em nosso solo. 

Daí, foi preciso eclodir uma mobilização internacional barulhenta, nascida a partir do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, homem negro morto por um policial branco. Floyd, como bem se recorda, perdeu a vida após esse agente de segurança pública lhe asfixiar com joelho posto em seu pescoço, por cruéis e dramáticos minutos. O mundo viu, a parir daí, as reações que tomaram conta das ruas nos Estados Unidos, com imensa repercussão em todas as partes do planeta. 

O dever humano de combater a discriminação racial - Imagem 1


Para os brasileiros, o mais terrível dessa longa história de preconceito, discriminação, racismo e injustiça, é que nos sintamos capazes de nos encorajar depois que atos abomináveis atinjam os outros, para só depois atingir os nossos brios. Mas é bem assim mesmo. O que aconteceu com Jeorge Floyd  fez crescer uma onda de protestos em todo mundo clamando: Black Lives Matter! (vidas negras importam!). No Brasil, não foi diferente. E como no Brasil essas violações- embora aconteçam todos os dias, em muitos pontos das favelas e regiões periféricas do nosso território-, ganharam não apenas repercussão, mas um intenso movimento de protestos de ruas quando, motivada pelo preconceito e pelo racismo, a violência tirou a vida de Robson, João Pedro, Ágatha Félix,  pandemia, muitos foram às ruas pelas vidas exterminadas de Robson, João Pedro, Ágatha Felix, Vitor Henrique e tantas outras vidas negras tiradas em ações da polícia. Nem mesmo o isolamento determinado pela pandemia do Coronavírus, presente desde o começo do ano passado, tirou o ânimo de muita gente ir às ruas para protestar. 

E, parece muito claramente, que só assim a questão da discriminação racial e de seus estúpidos componentes na vida de milhões e milhões de brasileiros entraria com mais vigor na pauta, não apenas da chamada grande mídia, mas até mesmo do parlamento brasileiro, sempre ocupado em negociações de bastidores que nem sempre constituem interesse público.  

Sabe-se que nem mesmo ações consistentes de abnegadas organizações brasileiras e internacionais dedicadas à causa tem alcançado pouco êxito. Nossa legislação é falha e sua aplicação invariavelmente cai no campo da subjetividade, sempre em desfavor do negro. Os movimentos sociais que vinham cansados de denunciar o racismo, agora parecem enxergar que já é possível vislumbrar uma maior atenção à pauta e o começo de um esforço, sobretudo no Congresso, onde alguns senadores se manifestam interessados em acompanhar uma pauta legislativa que vá na direção da inclusão social em vários aspectos. 

O dever humano de combater a discriminação racial - Imagem 2

É importante, entretanto, incorporarmos o entendimento de que o racismo não se combate apenas com a legislação e sua aplicação. Temos que entender que a questão está enraizada na matriz fundante da formação brasileira, que carrega o racismo do trabalho escravo até os dias atuais, sustentando-se na omissão, na conivência, na indiferença e muitas vezes, deforma criminosa, na ação violenta contra o negro, ou no aplauso e regozijo ao seu fracasso. 

Temos uma cultura enviesada, torta, cega em relação ao povo negro. Uma cultura que se robustece na ausência do exemplo doutrinário da aplicação diária, por exemplo, da Lei Afonso Arinos, aprovada pelo Congresso em 1951, há exatos 70 anos, que tornou o racismo uma contravenção penal. Há sete décadas de sua aprovação, o racismo que estrutura a sociedade brasileira ainda maltrata, exclui e mata no Brasil, sem que a legislação seja adequada e justamente aplicada. 

O dever humano de combater a discriminação racial - Imagem 3

Além da defeituosa formação que nossa gente adquiriu, observa-se que autoridades brasileiras, do parlamento à justiça, têm sido incapazes de compreender e absorver essa triste realidade. 

Nelson Mandela, que na sua África do Sul sofreu os horrores do preconceito, da discriminação, da injustiça, da perseguição e da barbárie, mas foi capaz de levantar seu povo num esforço magistral de conquista e glória, dizia que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”

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