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Os vínculos de Einstein com o Brasil e choro sobre o Rio

Este mês de Maio guarda uma notável singularidade entre o Brasil e o extraordinário cientista Albert Einstein

 Este mês de Maio guarda uma notável singularidade entre o Brasil e o extraordinário cientista Albert Einstein, o reconhecido físico alemão que legou à humanidade a explicação do efeito fotoelétrico, a formulação da teoria da relatividade geral e restrita, além de relevantes contribuições no campo da física estatística, tornando-se, por suas revolucionárias descobertos, um dos maiores gênios de todos os tempos.

Foi exatamente no Brasil, em 29 de Maio de 1919, que vários cientistas ingleses, em busca de comprovar a teoria da relatividade geral, alojaram-se na cidade de Sobral, no estado do Ceará, para verificar se, de fato, a luz provinda de uma estrela, ao passar nas proximidades do Sol, sofria desvio em virtude da curvatura que esse corpo celeste massivo causava no espaço-tempo.

A teoria da relatividade havia sido anunciada por Einstein em 1915, mas foi exatamente a partir desse ato em Sobral, que ganhou fantástica ampliação em todo o Planeta.

Albert EinsteinAlbert Einstein

O eclipse total do Sol, fotografado no Ceará, permitiu que cientistas britânicos confirmassem as previsões de Albert Einstein sobre como a luz se comporta em relação à gravidade. Muitos cientistas dizem que o anúncio dos resultados do experimento feito nesse eclipse foi um dos maiores momentos da ciência mundial.

Relatos contidos no livro “Einstein, o viajante da relatividade na América do Sul”, do historiador Alfredo Tolmasquim, contam como o espetáculo foi visto pela população da cidade, que “se posicionava nas praças públicas, impressionada com o surpreendente espetáculo que a natureza lhe oferecia. Parecia que a aurora ia romper e, naquela escuridão, os galos cantavam e as avezinhas procuravam agasalho."

Em Maio de 1999, para celebrar os 80 anos desse evento histórico, a prefeitura de Sobral inaugurou o Museu do Eclipse. O acervo inclui as fotos originais utilizadas pelos cientistas, como também a edição do jornal The New York Times anunciando a comprovação da tese de Einstein sobre a deflexão da luz.

Museu do Eclipse em SobralMuseu do Eclipse em Sobral

Na fachada do Museu, está escrita a frase pronunciada pelo próprio Einstein: “A questão que a minha mente formulou foi respondida pelo radiante céu do Brasil.” A manifestação gravada no monumento que Sobral ergueu em sua homenagem, demonstra a importância do trabalho de observação realizado por cientistas ingleses e brasileiros no interior do Ceará.

Einstein não conhecia o Brasil nessa época, o que só viria acontecer 6 anos depois, em 1925, em plena expansão de seu prestígio mundo afora. Em 1921 ele foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física, não pela teoria da relatividade, mas pela explicação do efeito fotoelétrico. Em 1922 seria publicado o livro sobre a expedição feita no Brasil. A Alemanha já se encontrava num clima político intolerável, espalhando entre a juventude, meios empresariais e muitos intelectuais, as bases ideológicas que levariam ao aparecimento do Partido Nacionalista, que sustentaria mais tarde Hitler e seus fanáticos seguidores.

Einstein sentia-se cansado, cada vez mais dedicando às suas descobertas. Por ser judeu, quanto mais crescia seu prestígio no mundo, incluindo convites para conferências nos Estados Unidos, mais aumentava o ódio entre aqueles que constituiriam “a nova religião alemã”, formada por robustas levas de fanáticos. Passou a receber cartas anônimas com ameaças terríveis, que começaram a deixar sua mulher Elza, apavorada. Era acusado pelos bárbaros de ser traidor, espião, e de pertencer ao partido comunista. Ela, então aconselhou Einstein a fazer uma viagem à América do Sul, que há tempo haviam programado. Finalmente acatou a sugestão e em final de abril de 1925 pegou o navio “Valdívia”, e embarcou numa viagem tranquilizadora. Desembarcou no Rio de Janeiro em 04 de Maio daquele ano e ficou uma semana na cidade, confessando-se encantado com o que via.

Albert Einstein em visita ao Brasil Albert Einstein em visita ao Brasil 

Acompanhado de Roquete Pinto durante toda sua permanência no Rio de Janeiro, extasiando-se com o percurso no bondinho para o Pão de Açúcar, com visão encantadora das praias. Seus olhos cansados enchiam-se novamente de luz e de sol; o verão carioca fazia bem ao seu espírito de profundo observador.

“O Jardim Botânico, bem como a flora de modo geral, supera o sonho das mil e uma noites. Tudo vive e cresce a olhos vistos por assim dizer. Deliciosa mistura étnica nas ruas: português, índio, negro, com todos os cruzamentos. Espontâneos como plantas, subjugados pelo calor. Experiência fantástica! Indescritível abundância de impressões em poucas horas.”

Esse depoimento que Einstein dá sobre a cidade do Rio diz bem da dimensão de quanto gostava do Brasil, servindo como um reconhecimento sobre a importância que as observações científicas de Sobral trouxeram na confirmação de sua teoria da relatividade.

Decorrido um século das experiências de Sobral e da maravilhosa viagem que fez ao Rio de Janeiro, tem-se a se constatar, tristemente, que a nossa ex-Capital da República, a Cidade Maravilhosa, embora não tenha perdido as monumentais belezas naturais que a contornam, degradou-se na sua convivência humana e na sua condição social.

Essa sua visão de que “tudo vive e cresce a olhos vistos por assim dizer. Deliciosa mistura étnica nas ruas: português, índio, negro, com todos os cruzamentos”, ficou no passado. A violência tomou conta de quase tudo. E o que orgulhosamente era “cidade maravilhosa”, pode concretamente ser vista como “cidade pavorosa”, tal a quantidade de mortes, de chacinas, do domínio de milícias, sobretudo contra sua população negra e pobre. O Rio, hoje, meu caro Gênio, é de fazer chorar.



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