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Pandemia ataca mais cruelmente mulheres e meninas

A conclusão desses estudos fez levantarem-se as vozes de ativistas de 128 organizações de proteção a mulheres ligadas à ONU

 Um relatório divulgado na última semana pela ONU Mulheres e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD, confirma um dado drástico e assustador: a pandemia do Coronavírus colocará até o final de 2021, algo em torno de 47 milhões de mulheres e meninas abaixo da linha da pobreza, correspondendo a um acréscimo de 9,1% em pouco mais de um ano, revertendo, assim, décadas de avanços que o mundial vinha experimentando no combate à fome.

A conclusão desses estudos fez levantarem-se as vozes de ativistas de 128 organizações de proteção a mulheres ligadas à ONU (Organização das Nações Unidas), que lançaram um alerta para a comunidade internacional: há um grande risco de o mundo dar passos para trás em relação aos direitos das mulheres durante a pandemia de covid-19.

E não apenas pela imersão na fome a que esses milhões e milhões de mulheres vão sendo jogadas, mas por conta de outras violações e violências, de agressão física e psicológica por que elas passam historicamente nos momentos de crise, sempre as mais afetadas. Mulheres assumem a maior parte da responsabilidade de cuidar da família, ganham menos, poupam menos e têm empregos mais inseguros.

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Por isso, afirmam, é preciso um esforço urgente para evitar que isso aconteça.

As entidades, concentradas na Europa e na Ásia, pedem que os governos garantam um diálogo eficaz com a sociedade civil, com os dirigentes públicos, com os detentores do poder econômico do planeta, para garantir que as necessidades da população feminina estejam no centro das políticas adotadas em resposta à pandemia.

Observo, com destaque, a advertência que fez a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, de que “o aumento da pobreza extrema das mulheres, em particular nesta fase de suas vidas, mostra grandes falhas na construção de sociedades e economias.”

Para esses grupos, é preciso levantar dados e estatísticas sobre o impacto da crise sanitária com recorte de gênero, sabendo, assim, quais os maiores desafios para mulheres e facilitando a criação de políticas públicas específicas.

Antes da pandemia, todas as expectativas fixadas pelos organismos internacionais, inclusive nas Metas do Milênio, indicavam um caminho de certa forma animador, que a taxa de pobreza das mulheres diminuísse 2,7% entre 2019 e 2021, mas as projeções agora apontam para um aumento de 9,1%.

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As estimativas foram encomendadas pelas duas agências e realizadas pelo Centro Pardee para Futuros Internacionais da Universidade de Denver, nos Estados Unidos.

Embora a pandemia tenha impacto sobre a pobreza global, as mulheres serão afetadas, de forma desproporcional, especialmente aquelas em idade reprodutiva. É oportuno trazer aqui uma pontuação verdadeira feita recentemente pela pesquisadora Janaína Dutra Silvestre Mendes - Doutora em Radioproteção e Dosimetria (IRD-CNEN), Física Médica da seção de Medicina Nuclear do Instituto Nacional de Câncer (INCA-MS):

“A pandemia da COVID-19 está afetando todas as categorias da nossa sociedade: homens e mulheres, pobres e ricos. Mas, certamente, as mais afetadas pelas suas consequências (sejam econômicas, sanitárias ou sociais) têm um endereço, classe, gênero e cor bem determinados. São as mulheres, especialmente as negras, pobres e periféricas.

Essa cientista nos remete à francesa, guerreira, Simone de Beauvoir, quando diz “Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”.

Em 2021, para cada 100 homens entre 25 e 34 anos vivendo em extrema pobreza haverá 118 mulheres. Até 2030, a diferença deverá aumentar para 121 mulheres por 100 homens.

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Conforme relatório Minera, produto Gênero e Número, divulgado nesse último mês de março, na pandemia mulheres ficam mais vulneráveis e são maioria entre os desempregados.

E apesar de representarem 53% da população economicamente ativa brasileira, elas seguem sendo sub-representadas entre os ocupados (43%) e super-representadas entre os desocupados (51%) e fora da força de trabalho (64%), segundo dados do 3º trimestre de 2020 da Pnad Contínua, analisados pelo relatório Minera, que apresenta conteúdo analítico e ferramentas para a gestão orientada à diversidade e inclusão e é o primeiro produto inédito do Hub Gênero e Número.

Outro apontamento significativo desse relatório é o que mostra que “a desigualdade de gênero e raça que já estava formada antes da crise, se acentua com a pandemia porque afeta de forma diferenciada os grupos que já eram marcados pela vulnerabilidade. Por isso, ressaltar o caráter estrutural do machismo e racismo na nossa sociedade nos possibilita entender como as hierarquias estão colocadas no mercado de trabalho e como as mulheres ocupam um lugar muito mais vulnerável”, destaca Giselle dos Anjos Santos, consultora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (Ceert).

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