mais

Pandemia compromete a formação de nossas crianças

O medo e a incerteza em relação a essa crise sanitária, bem como a transformação brusca imposta à rotina histórica, cultural, a que estávamos acostumados a viver, têm indicado incidência maior de ansiedade e estresse

Essa pandemia gerada pelo Coronavírus, que há um ano impactou a vida das pessoas, obrigando-as a um isolamento social capaz de conter infecção acelerada e crescente, tem motivado profundas transformações na vida das famílias.  Não bastasse o medo e a insegurança que a doença em si carrega, com o sinal vermelho sempre aceso, a nos indicar que a qualquer hora, mesmo cercados de cuidados, podemos ser a vítima da hora, a Covid-19 afeta drasticamente o emprego, as formas de trabalho, a renda das famílias, as relações sociais, o estado psicológico e a saúde mental.   

O medo e a incerteza em relação a essa crise sanitária, bem como a transformação brusca imposta à rotina histórica, cultural, a que estávamos acostumados a viver, têm indicado incidência maior de ansiedade e estresse em pessoas de todas as idades, de todos os níveis sociais e econômicos. 

E um dos segmentos do núcleo familiar que mais tem sido afetado diz respeito exatamente às crianças. As perdas decorrentes da paralisação das aulas presenciais, com isolamento das crianças em suas casas, longe dos companheiros, das brincadeiras, e dos estímulos gerados pelos professores, têm sido cruciais especialmente na primeira infância, esse período construtivo que vai até os seis anos de vida. 

Essa etapa fundamental para o desenvolvimento humano, não apenas do crescimento, mas do amadurecimento do cérebro, da incorporação dos movimentos, do desenvolvimento da capacidade de aprendizagem e da iniciação social e afetiva- período em que se firmam as primeiras amizades-, tem sofrido grandes e preocupantes impactos na vigência dessa pandemia.  

Uma pesquisa recente realizada pelo Núcleo Ciência pela Infância (um grupo formado por pesquisadores da área médica, da psicologia, da economia, da pedagogia e da administração pública, vindos de instituições como a Universidade de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de Harvard, nos EUA), indicou os impactos da crise do novo coronavírus na saúde mental de crianças. 

Pandemia compromete a formação de nossas criançasPandemia compromete a formação de nossas crianças

Conforme os pesquisadores, todos os efeitos que se fazem presentes no desenvolvimento infantil, surgem a partir do estresse derivado da própria pandemia – que por si só traz muitas incertezas – e também das medidas de distanciamento social instituídas para frear a propagação do vírus. 

No trabalho inclui-se um estudo feito na China, que teve participação de 320 crianças e adolescentes, apontando que a dependência exagerada dos pais e falta de atenção são os principais problemas reportados por participantes em meio à pandemia. 

Os resultados principais apontados na pesquisa são a dependência excessiva em relação aos pais, desatenção, preocupação, problemas do sono, falta de apetite, pesadelos, desconforto e agitação.  

Uma verdade estampada por essa pesquisa é que uma pandemia nas proporções que a Covid-19 nos trouxe, com as consequências horizontalizadas na vida das pessoas, não era algo esperado por ninguém, pegando todo mundo de surpresa. Nem os mais experientes e capacitados educadores, munidos da mais alta tecnologia, poderiam imaginar que algo dessa estatura pudesse acontecer de fato. 

E, assim, a quase totalidade das pessoas sofre e passa por enormes dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Disso não escapou a área da Educação, escancarando o despreparo de toda a comunidade escolar para um cenário em que a tecnologia é um importante facilitador, mas não representa tudo nesse emaranhado que exige a presença humana, da sensibilidade, da segurança, do trato especial, para que o processo de aprendizado das crianças se consolide. 

Outro fator indicado pela pesquisa é que não são muitos os professores que tiveram a formação adequada a lecionar a distância. Preparar uma aula remota é bem diferente da prática presencial, sem contar com a dispersão que as crianças quase sempre exibem diante do computador, vendo sua professora à distância.   

Por outro lado, o afastamento das escolas, levando as crianças e os jovens a estudarem em casa, mostrou em muitos casos o quanto as famílias estavam até então afastadas da escola e do aprendizado de seus filhos, muitas vezes incapazes de seguir uma linha minimamente pedagógica que ajudasse seus filhos nessa nova realidade. 

Pandemia compromete a formação de nossas criançasPandemia compromete a formação de nossas crianças

Além do mais, não podemos esquecer que mais de 60% das famílias de crianças na escola pública afirmam não ter acesso à internet, conforme pesquisa do IBGE, agravando as atividades remotas. 

Finalmente, pode-se deduzir que, além dos graves problemas econômicos e sociais por que passamos, teremos comprometido nosso futuro escolar.

Tópicos

comentários

Central do usuário

Login pelas Redes Sociais

Nunca postaremos nada em seu nome


Login por e-mail

Use sua conta cadastrada por e-mail

Não tem conta no meionorte.com?

Cadastre-se

Desbloquear Notificações

Como desbloquear notificações

Na barra de endereço, clique no cadeado e em Notificações escolha a opção permitir, como na imagem abaixo

desbloqueio de notificação push

Você precisa verificar a sua conta, acesse o seu e-mail