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Racismo oficial brasileiro já proibiu negro de jogar futebol

Nesse último 23 de outubro, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, imortalizado como o Rei do Futebol, completou 80 anos de vida, cercado por uma justa onda de homenagens pelo que fez nos campos, durante décadas, encantando plateias espalhadas por mais de 80 países por onde jogou, sendo o primeiro atleta no planeta a atingir a marca de 1 mil gols, tornando-se 3 vezes campeão do mundo pela Seleção e duas vezes campeão mundial de clubes, pelo Santos.

Mas, se Pelé tivesse nascido poucas décadas antes, muito provavelmente não teria alcançado o sucesso e a fama que conquistou, pois o preconceito racial não teria permitido que ele vestisse a camisa da seleção e representasse o Brasil em qualquer competição, o que, no entendimento oficial, seria uma desonra nacional ver um negro nos representar.

Pelé

Em 1921, a Copa América ia ser disputada em Buenos Aires, na Argentina. O presidente do Brasil, Epitácio Pessoa, em cujo currículo constava ser um “magistrado”, baixou um decreto de bracura: não permitindo que se enviasse nenhum jogador de pele morena, por razões de prestígio pátrio. Das três partidas que disputou, a seleção branca perdeu duas. Nessa competição , Arthur Friedenreich, que foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro em sua época amadora, que durou até 1933, também não participou, por ser mulato.

Arthur Friedenreich

Quem nos conta essa história vergonhosa é o extraordinário jornalista, escritor e sociólogo uruguaio Eduardo Galeano, no seu notável livro “Futebol, Ao Sol e à Sombra”. Relata, por exemplo, que Friedenreich entrava em campo sempre atrasado, porque no vestiário demorava meia hora esticando o cabelo, e que o único jogador mulato do Fluminense, Carlos Alberto, branqueava a cara com pó de arroz.

Para a sorte do futebol e um golpe fatal no racismo oficial reinante no Brasil, as coisas foram mudando, de modo a provar que foram negros e mulatos os melhores jogadores da história brasileira, de Frieddenreich a Romário, passando por Domingos da Guia, Leônidas, Zizinho, Garrincha, Didi, Pelé, Jairzinho e tantos outros craques de fantástica grandeza.

Nessa Copa América de 1921,disputada por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, infelizmente, o que ficou marcado não foi o desempenho dos jogadores, mas o exemplo de racismo no futebol e na sociedade que esse campeonato trouxe. Para entender melhor, é preciso voltar um pouco no tempo: em 1916, a Seleção Brasileira fez sua segunda viagem à Argentina e um dos jornais do país retratou os brasileiros como macacos. A partir desse acontecimento, popularizou-se chamar os brasileiros de "macaquitos".

Para piorar, como o campeonato de 1921 seria na Argentina, os governantes brasileiros se preocupavam com a imagem do País que a Seleção exibiria em campo. Há relatos de que o presidente da República, Epitácio Pessoa, depois de se reunir com a CBD, atual CBF, criou as bases de sustentação para seu decreto permitindo que apenas jogadores de pele clara fossem convocados. Dessa forma, muitos craques não foram convocados, inclusive Arthur Friedenreich, autor do gol do primeiro título continental do Brasil.

Em 1922, depois da competição na Argentina, o Brasil foi sede da Copa América pela segunda vez. Mas, permaneceu o decreto do presidente Epitácio Pessoa (1919 a 1922) proibindo que os homens negros jogassem a liga local de futebol ou integrassem a seleção.

Isso perpetuou a ausência do então craque brasileiro Arthur Friedenreich, um negro de pai alemão e mãe brasileira que era considerado o melhor jogador do país. Friendenreich havia sido o artilheiro da Copa em 1919, antes que a proibição fosse imposta.

Os desempenhos píficos da seleção nos torneios de 1920 e 1921, com a vigência do decreto presidencial que tirou negros e mulatos de campo, o povo brasileiro exerceu forte manifestação pelo retorno de Friedenreich à seleção. O Brasil, só assim, ganharia novamente a Copa América, e Epitácio Pessoa revogou seu decreto.

A vitória da racionalidade sobre o racismo, que no Brasil foi, vergonhosamente, um marco oficial, permitiu ao mundo ver a grandeza que o futebol foi alcançado, graças, sem dúvida, ao talento incomparável de jogadores negros, da África ao Brasil, com presença crescente em todos os campos do mundo.

Foi, assim, possível conhecer Samuel Eto'o, o jogador africano mais vitorioso da história, detentor dos maiores títulos da Europa;

Samuel Eto'o

Abedi Pelé, eleito por três vezes o melhor jogador africano de futebol, ícone do futebol no continente nos anos 80, também teve boa carreira no futebol francês;

George Weah, ninguém foi maior que ele no ano de 1995, ídolo do Milan e eleito o melhor jogador do mundo, aposentou-se em 2003 no Al-Jazira, atualmente é Presidente de seu país, a Libéria, destacando-se atualmente por seu esforço de conscientização do povo de seu país sobre a gravidade do Coronavírus, através da música e do esporte;

Ruud Gullit, o meia cerebral de uma constelação, conhecida como seleção holandesa da década de 80 e início dos anos 90, Gullit também foi astro do Milan que dominou a Europa durante o período;

Lêonidas da Silva, o “Diamante Negro”, Leônidas foi simplesmente o inventor da bicicleta no futebol, mais do que o suficiente para estar na história do esporte. Também foi ídolo nos clubes Flamengo e São Paulo. Faleceu em 2004, aos 90 anos;

Didi, maestro do primeiro título mundial da seleção brasileira em 1958, é considerado um dos maiores ídolos do Botafogo. Também teve grande passagem no Real Madrid. Apelidado de “Príncipe Etíope”, também teve destaque como treinador da seleção peruana na Copa do Mundo de 1970. Faleceu em 2001, aos 72 anos; Eusébio, maior ídolo da história do Benfica, o “Pantera Negra” foi o grande destaque da seleção portuguesa na Copa do Mundo de 1966, melhor participação dos “patrícios” em copas. Eusébio ainda fez parte da comissão técnica até seu falecimento em 2014, aos 71 anos;

Zizinho, foi o maior jogador brasileiro na Era pré-Pelé, apesar de estar presente no fatídico Maracanazo, teve carreira brilhante em diversos clubes, entre eles Flamengo, Bangu e São Paulo. Após encerrar a carreira, trabalhou como Fiscal da Receita do Estado do Rio de Janeiro até seu falecimento em fevereiro de 2002, aos 80 anos;

Mané Garrincha, notabilizado por seus dribles desconcertantes, é considerado por todos o mais célebre ponta-direita e o melhor driblador da histporia do futebol brasileiro.

Mané Garrincha


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