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Stephen Hawking, uma lição para superar a incapacidade

José Osmando de Araújo – Jornalista

“Passei a vida inteira sob o risco de morte prematura, por isso detesto perder tempo.”

Stephen Hawking

Uma certeza que essa pandemia do coronavírus nos trouxe, é a de que todos estamos com medo, mergulhados num imenso campo de incertezas e tomados, muitas vezes, por uma estranha sensação de incapacidade. Parece mesmo que esse vírus botou o planeta de joelhos e nos coloca na dúvida acerca de que maneira estaremos quando nos levantarmos.

É claro que sentir medo é uma condição natural ao ser humano, sendo elemento importante para testar nossas capacidades, reconhecer nossos limites e fazer vigorar nosso poder de reagir, induzindo-nos a criar alternativas positivas à adversidade em que nos encontremos. 

O risco, nesse isolamento que a pandemia nos impõe, é de que o medo se intensifique de tal modo a se  transformar em pânico, descambando para histeria e para um sentimento de paralisação, de incapacidade de pensar e de realizar. Nessa condição, tende-se a imergir na melancolia, condicionamento danoso de tristeza permanente e profunda, uma sensação do Nada, muito próxima da depressão.

O ponto crucial dessa situação trazida a cada um de nós pelo isolamento social e pelas exponenciais incertezas quanto ao futuro, ao dia de amanhã, é que a angústia invade a emoção, tornando a pessoa incapaz de encontrar saídas para a crise em que mergulhou.

Provando o dito popular de que não há mal que sempre dure, é admirável que existem curas para a angústia que nos paralisa, além dos tratamentos da medicina, da psicologia, da psiquiatria. Esses remédios estão bem próximos da gente, muitas vezes na palma da mão. Eles se encontram em algo que nos enriquece, conforta e alivia: os jornais, livros, revistas, os documentários e filmes, no cinema ou na televisão.

É nesses meios que vamos encontrar extraordinárias lições de soerguimento, de superação, de volta por cima diante das mais terríveis dificuldades, até mesmo de supostas impossibilidades.

Exemplo excepcional de superação, de reinvenção de capacidade, é o que nos foi dado por Stephen Hawking, o gênio da Física que se transformou no mais significativo pensador desses dois últimos séculos. Hawking é tido por muitos como alguém que, no campo das ciências, ficou no mesmo patamar de Albert Einstein, tal o legado formidável que deixou à humanidade.

Mas se formos considerar as condições em que Stephen Hawking desenvolveu toda sua genialidade, veremos que ele foi mesmo superior a Einstein. É que esse maravilhoso autor da “singularidade espaço-tempo aplicado à lógica dos buracos negros a todo o universo”, autor de dezenas de livros e artigos científicos valorosos, não era uma pessoa normal.

Diagnosticado portador de esclerose lateral amiotrófica(ELA), quando tinha apenas 21 anos de idade e estava concluindo a universidade, a Stephen Hawking foi dito que não viveria até aos 25 anos, uma sentença cruel para quem estava no auge da vida e tinha esperança de uma carreira vitoriosa.

Mas Hawking resolveu driblar o trágico, e com uma força de vontade incomparável decidiu, pela força de sua mente iluminada, que mesmo confinado para sempre a uma cadeira-de-rodas, essa que é conhecida como a doença dos neurônios motores, não o impediria de pensar e produzir. Certa vez ele disse: “ Minhas expectativas foram reduzidas a zero quando eu tinha vinte e um anos. Desde então tudo foi um bônus.”

Bônus, evidentemente, fruto de seu espírito guerreiro, que nunca se permitiu ser abatido. Sua mente mais e mais floresceu, iluminando os campos mais sombrios do universo. Desde que publicou sua obra “Uma Breve História do Tempo”, em 1988, nenhum outro cientista foi capaz de envolver-se com o público igual a ele, tornando a Física algo compreensível e acessível às pessoas.

Suas investigações revolucionárias sobre as circunstâncias do Big Band – evento cosmológico amplamente aceito como o princípio do universo-, motivam-nos a reavaliar tudo que antes sabíamos .

Em 1962, Hawking completara, com louvor, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra (onde nasceu), sua graduação, iniciando seus estudos de pós-graduação em Cosmologia. Foi aí que conheceu Wilde, com quem casaria em 1965, neste momento já portador da doença. Em 1966, dominado pela paralisação física, conclui seu doutorado, também em Cambridge e aí inicia sua pesquisa em singularidades e buracos negros.

Dando lições de que a doença afetara sua qualidade de vida, mas em nenhum momento seu vigor mental, sua liberdade de pensar e sua férrea vontade de viver,  Stephen Hawking não apenas foi-se tornando robusto no campo do saber, como demonstrou intensa energia para outros aspectos do seu viver. Casou-se mais uma vez e teve três filhos. O único lamento dele era a impossibilidade de brincar com os filhos e os netos.

Toda a extraordinária produção científica de Stephen Hawking seu deu em meio a tremendas incapacidades físicas. Em 1980, perdeu completamente a voz, só conseguindo escrever frases a partir de um computador. Na época ele ainda tinha o controle do dedo polegar, mas não levou muito tempo para perder também isso.

A partir daí, sua comunicação passou a ser soletrar letra por letra, movimentando sua sobrancelha no momento certo, enquanto uma terceira pessoa pontava a letra apropriada em uma tabela de soletrar.  Se já era dramático manter uma conversa dessa forma, imagine um artigo científico. Mas ele nunca desistiu.

Felizmente, veio uma nova tecnologia e ele teve um computador adaptado a sua cadeira de rodas, que podia ser operado por uma combinação de movimentos de cabeça, olhos e bochecha. Isso permitiu que ele não apenas escrevesse frases, mas também as transmitisse para seu sintetizador de voz, conforme desejasse.

Esse fascinante Stephen Hawking, nascido em 1942, viveu até 2018, falecendo aos 76 anos de idade, driblando o tempo e a morte, para nos deixar um legado fantástico e uma lição luminosa de paixão e obstinação. Sua história de incrível grandeza humana rendeu vários livros, documentários e filmes , e Hawking segue como uma bela lição de amor à vida, ao mundo, à humanidade, e uma força pouco vista de plena superação.

O filme, de 2014, “A Teoria de Tudo”, baseado  em sua vida e obra, é de uma beleza expressiva, que merece ser visto nesse momento de isolamento social. Eddie Redmayne, que desempenhou o papel do cientista,  conquistou o Oscar de  Melhor Ator. Recomenda-se, igualmente, ler “A Mente de Stephen Hawking – a genialidade de um dos pensadores mais extraordinários do mundo”, de autoria de Daniel Smith.


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