Sementes raras e exóticas são mostradas no I Festival das Sementes da Fartura, realizado no município de Pedro II

Sementes raras e exóticas são mostradas no I Festival das Sementes da Fartura, realizado no município de Pedro II

ENTRE AS MUITAS SEMENTES DO PATRIMÔNIO GENÉTICO DO PIAUÍ ESTÁ UM CAFÉ RÚSTICO QUE É PRODUZIDO EMBAIXO DOS CAJUEIROS

O I Festival de Sementes da Fartura, realizado nos dias 18 e 19 na cidade de Pedro II, tem muito a dizer aos piauienses. Apesar da forte invasão das sementes transgênicas e de outras invenções de laboratórios, muita coisa boa do patrimônio genético do Estado está preservada. Variedades existentes na região há séculos foram apresentadas nos estandes das entidades que fazem parte do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido.

O mais curioso é que durante a exposição realizada nas tendas espalhadas na Praça da Matriz, ao invés de vendas, foram realizadas trocas de sementes crioulas, como forma de promover a multiplicação das variedades. A ideia é resgatar este patrimônio do povo e alertar a população para os riscos das sementes geneticamente modificadas.







Foram mostradas variedades de sementes raras, saudáveis, saborosas e resistentes à seca. E entre as que escaparam da extinção estão a de Milho Preto, Milho Dente de Burro, Milho Massa, semente de Maracujá do Mato, Gergelim Branco e Preto, Feijão Caranguejo, Arroz de Corda, Arroz Agulhinha, Feijão Vermelho Biló, Pimenta do Reino, Caju Gigante, Milho Sorgo, Feijão Bagaceira, Girassol, Algodão e do café rústico que ainda é produzido em município do Semiárido piauiense.

?A semente de café rústico é uma das raridades do patrimônio genético do Piauí. Este é um café que ainda é produzido na nossa região, especificamente em Castelo do Piauí. Ele é plantado em áreas sombreadas e com alguma umidade. As famílias plantam debaixo de cajueiros e conseguem colher, mas é uma semente ameaçada de extinção porque as pessoas vão perdendo o interesse?, afirmou Francisco Nilo Cardoso Filho (o Tito do Museu de Castelo do Piauí).















Mas a preocupação do festival não foi apenas com as sementes destinadas à alimentação humana. O evento teve amostras de sementes nativas que ajudam a preservar a natureza e a fornecer remédios e alimentos da flora para as famílias e animais, como de Tucum, Pau D?Arco, Aroeira, Feijão de Porco, Jatobá, Sabiá (variedade da família da unha de gato), Biridiba, Leucena, Mororó, Jucá, Sucupira, Cabaça doce e da Moringa.

A Moringa, segundo famílias que preservam esta semente na região de Castelo do Piauí, além de exótica, é rara e tem uma grande importância por ajudar na cura de vários tipos de doenças. Além disso, ela é usada por moradores na purificação da água para o consumo humano nos períodos de forte escassez de água de qualidade.

?Ela limpa tudo que não presta daquela água de barreiro. Quando a água está barrenta, as pessoas colocam a Moringa numa vasilha. Com isso, o barro e as impurezas vão ficar embaixo; e na parte de cima fica o líquido próprio para o consumo. Ela mata os germes e vermes e ajuda a tratar quem tem pressão alta e colesterol?, explica Tito do Museu.

Além das 10 oficinas temáticas e da exposição de todas as leis sobre sementes que já foram publicadas no país e no Piauí, o festival contou com visitas de intercâmbios de agricultores familiares de vários municípios às comunidades Kolping Cipó e Cabral e ao Assentamento Paraíso, onde conheceram a produção de alimentos orgânicos, criação de animais e a organização comunitária. Além disso, participaram da inauguração da Casa de Sementes da Comunidade Kolping Cipó que faz uma homenagem ao agricultor Raimundo Matias.

A Obra Kolping do Piauí, que coordenou as oficinas sobre produção de alimentos orgânicos e sobre fundos solidários junto com a Cáritas, promoveu o deslocamento de agricultores familiares e agentes de campos dos municípios de Conceição do Canindé, São Francisco de Assis do Piauí, Simplício Mendes e de Campinas do Piauí.

Entre as oficinas de grande importância, o festival agregou uma que foi realizada pelos ?Profetas das Chuvas?. Eles são pessoas que têm uma história de serviços prestados ao Semiárido piauiense por orientarem os agricultores sobre plantio e previsões climáticas a partir da observação de aspectos da natureza. Os profetas observam o comportamento das plantas, dos animais e dos planetas, para então lavarem as informações aos agricultores sobre chuvas e estiagem.

José Ferreira de Melo, um dos Profetas das Chuvas, disse que observa muito a Lua, o Planeta Vênus e o comportamento das formigas e de uma ave existente na sua região. ?Quando a ave faz seu ninho no leito do riacho percebo que pode ser sinal de que não haverá chuva suficiente para escorrer naquele local, pode ser indicativo de inverno fraco?, comentou.





Para Carlos Humberto, coordenador do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, o festival foi realmente um grande momento da Agricultura Familiar no Piauí. ?E porque não dizer, talvez, o mais importante da nossa história??

Segundo ele, o Festival não foi só importante pela riqueza das variedades de sementes do Piauí que foram apresentadas, mas principalmente pela participação dos agricultores e das agricultoras de vários municípios. ?Percebemos o protagonismo da mulher e do homem do nosso Semiárido. O festival também foi importante pelo momento de denúncia e principalmente do anúncio. Fomos capazes de mostrar nossa força política e nossa capacidade de construir um outro modelo de produção de alimentos, de vida e de luta?, falou Carlos Humberto.





















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