Quase 30 milhões de pessoas foram confinadas na China nesta terça-feira (15), depois que o país registrou o maior surto de Covid-19 em dois anos. O governo obrigou as pessoas a fazerem testes em uma escala que não era observada desde o início da pandemia.

O país registrou 5.280 casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, o maior número desde a primeira onda da pandemia no início de 2020, de acordo com dados da Comissão Nacional da Saúde (CNS).

Policial anda pelas ruas de cidade na China em 15 de março de 2022 - Foto: AFPPolicial anda pelas ruas de cidade na China em 15 de março de 2022 - Foto: AFP

Apesar de ser o maior registro para a China desde 2020, em comparação a outros países o número de 5.280 casos é relativamente baixo.

A média de novos casos nos últimos 7 dias no Brasil é de: 45.087 por dia –a China registrou o equivalente a 11% desse número.

Os números são pequenos em comparação com outros países, mas, a China adotou uma estratégia de "Covid zero", e até o menor foco é enfrentado com medidas severas.

Ao menos 13 cidades enfrentam um confinamento total e várias adotaram fechamentos parciais.

Com as restrições, o país conseguiu conter as infecções após a primeira onda da doença no fim de 2019 na cidade de de Wuhan, mas enfrentou recentemente vários focos vinculados à variante ômicron.

Esta terça-feira é o sexto dia consecutivo em que o balanço de casos diários supera mil contágios.

A província de Jilin, no nordeste do país, foi a mais afetada, com mais 3.000 casos nesta terça-feira. A capital provincial, Changchum, com 9 milhões de habitantes está em confinamento total.

Impacto econômico

O governador de Jilin prometeu fazer o possível para "alcançara a Covid zero comunitária em uma semana", informou a imprensa estatal.

A metrópole de Shenzhen, com 17 milhões de habitantes e próxima de Hong Kong, também está confinada.

As medidas provocaram o fechamento de várias fábricas na cidade, entre elas a gigante taiwanesa Foxconn, principal fornecedora da Apple.

A Bolsa de Hong Kong registrou queda de 6,20% nesta terça-feira, enquanto Xangai fechou em baixa de 4,95%.

Dezenas de voos domésticos a partir dos aeroportos de Pequim e Xangai foram cancelados.

"O recente surto de Covid e as novas restrições, em particular o confinamento em Shenzhen, pesarão sobre o consumo e causarão interrupções no abastecimento a curto prazo", afirmou Tommy Wu, da Oxford Economics, em um comunicado.

"Covid zero" 

Ele acrescentou que, com isso, será um desafio para a China atingir a meta oficial de crescimento econômico de 5,5% para este ano.

O médico chinês Zhang Wenhong mencionou a possibilidade de flexibilização da estratégia "Covid zero" ante a variante ômicron, mas admitiu que a curto prazo seria impossível aliviar os testes em larga escala e confinamentos.

Desde o início da pandemia, a China registrou quase 120 mil casos de covid e 4.636 mortes. A última vítima fatal da doença foi registrada oficialmente no início de 2021.