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Genes podem gerar resposta imune à Covid-19 na América do Sul

Um estudo apontou as partes do vírus com mais chances de serem identificados pelos genes HLA.

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Para desenvolver diagnósticos e vacinas que detectem e previnam a covid-19, cientistas pesquisam a presença dos genes HLA, que expõem o vírus para as células de defesa do corpo, em populações de todo o mundo.  As informações são do site da UOL.

Havia poucos registros da América do Sul e, por essa razão, uma pesquisa internacional com participação da FMVZ (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia) da USP (Universidade de São Paulo) levantou informações genéticas da população sul-americana para ampliar a base de dados sobre os genes.

A partir desse levantamento, o estudo apontou as partes do vírus com mais chances de serem identificados pelos genes HLA, o que será essencial na criação de kits de diagnóstico e vacinas específicas para uso na região.

Genes podem gerar resposta imune à Covid-19 na América do Sul

Os genes HLA (sigla em inglês para antígeno leucocitário humano) expressam proteínas nas superfícies das células humanas que reconhecem e exibem as proteínas (antígenos) dos patógenos para as células do sistema imune, processo conhecido como "apresentação de antígenos".

"Ele permite que células de defesa como os linfócitos T possam eliminar as células infectadas pelos patógenos como, por exemplo, o vírus da covid-19", conta ao Jornal da USP o geneticista e biotecnólogo Ruy Diego Chacón, pesquisador da FMVZ que participou do estudo.

"Ao mesmo tempo, também acontece a ativação de outras importantes células de defesa, os linfócitos B, a produção de anticorpos capazes de neutralizar o vírus e ainda a geração da memória imunológica, que aumentaria a resposta imune frente a novas infecções pelo vírus."

De acordo com o pesquisador, a base de dados sobre os genes HLA mais usada no mundo, a Allele Frequency Net Database, possui pouca informação sobre a América do Sul. "Para atender essa limitação, fizemos um levantamento de mais de 2.000 estudos genéticos e geramos informações atualizadas e mais representativas sobre as variações dos genes mais comuns nos países da região", destaca. "Conseguimos atualizar os registros em mais de 12 milhões de dados novos, principalmente no caso do Brasil, onde o incremento foi de aproximadamente 2.300 vezes."

As informações reunidas na pesquisa foram usadas para identificar, por meio de técnicas computacionais, os potenciais epítopos imunogênicos nas proteínas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) mais afins às variantes dos genes HLA existentes na América do Sul.

"Os epítopos, também chamados de determinantes antigênicos, são pequenas partes dos antígenos (vírus, por exemplo), com potencial de ativar a resposta imune", ressalta Chacón. "Os epítopos se ligam às células e também aos anticorpos, capacidade que é aproveitada para o desenvolvimento de kits de diagnóstico sorológico, que indicam a exposição da pessoa ao vírus e de vacinas de nova geração."


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