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Internado por queda, jovem de 22 anos contrai Covid-19 e morre no hospital

A família alega negligência do hospital com relação ao diagnóstico e tratamento da doença.

Um jovem de Praia Grande, no litoral paulista, morreu aos 22 anos devido a complicações da Covid-19. Pedro Henrique de Almeida não tinha comorbidades e estava internado por conta de uma queda que sofreu em casa. A família alega negligência do hospital com relação ao diagnóstico e tratamento da doença. A unidade de saúde, por sua vez, afirma que todos os procedimentos foram realizados dentro dos padrões estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista, a irmã da vítima, Bianca de Almeida, de 24 anos, relatou que, antes da internação, o rapaz já apresentava sintomas da doença, como falta de olfato e paladar, e que, desde quando foi internado pela queda, a família informou a equipe médica sobre isso. Porém, de acordo com ela, o Hospital Irmã Dulce demorou dias para realizar a testagem e iniciar tratamento voltado à Covid-19.

Jovem não resiste às complicações da Covid e morre em SP (Foto: Arquivo Pessoal)Jovem não resiste às complicações da Covid e morre em SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Bianca explica que o irmão desmaiou enquanto tomava banho, bateu a cabeça e teve convulsão, sendo socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao pronto-socorro, no dia 27 de maio. Na data, ele foi medicado e liberado. Porém, no dia seguinte, passou mal novamente, e foi levado ao Hospital Irmã Dulce.

"Ele entrou na emergência reclamando de muita dor de cabeça, tiraram uma tomografia do cérebro dele, mas o médico clínico disse que não viu nada de grave, e que depois do medicamento ele seria liberado. Até que uma enfermeira pegou o exame dele e perguntou para a esposa o que ele tinha. A esposa explicou que ele estava sem olfato e paladar, havia desmaiado e batido a cabeça, além de ter tido convulsões", explica a irmã.

Segundo relata, a profissional, então, entregou o exame a um neurologista, que detectou que o jovem estava com sangramento no encéfalo central, o internando imediatamente. Inicialmente, ele ficou na emergência, por falta de vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e já foi intubado. Apenas com a liberação da vaga ele foi transferido para a UTI geral, onde permaneceu intubado.

"Pouco depois, uma nova tomografia apontou que havia parado o sangramento, mas meu irmão ainda não estava respondendo ao tratamento. Foi então que notaram que havia algo de errado com o pulmão dele, e até então não tinham feito nenhum teste para Covid-19, apesar de a família ter relatado desde o começo os sintomas. O médico pediu a tomografia do tórax, que não foi feita, porque alegaram que a saturação do meu irmão estava baixa. Ele não conseguia mais fazer xixi, e era para ter feito hemodiálise, que também não foi um procedimento realizado", afirma.

Apenas no dia 5 de junho Almeida foi testado para a Covid-19, segundo a família. A irmã relata que, na mesma data, o transferiram para a UTI Covid-19, e ele começou a tomar medicação para a doença, mesmo sem ter saído o resultado. Depois de cerca de quatro dias, chegou o resultado, que apontou positivo para o vírus, mas, no dia 10 pela manhã, ele não resistiu e veio a óbito.

"Havia profissionais bons com o meu irmão lá, e isso temos que agradecer, mas houve negligência do hospital, que demorou muito para testar e tratar, mesmo com nosso relato dos sintomas do vírus que ele tinha. Então, não queremos que meu irmão seja só mais um número, ele era jovem e feliz, deixou filhas e esposa", lamenta.

As informações são do G1.

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