ANA BOTTALLO E STEFHANIE PIOVEZAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, vinculado ao Governo de São Paulo, ainda não firmaram os contratos para fornecimento de vacinas do PNI (Programa Nacional de Imunizações) em 2023.

Em evento com a imprensa na última terça-feira (29), Dimas Covas, ex-diretor do instituto, afirmou que ainda não há um acordo estabelecido para a produção e entrega de doses para a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe do ano que vem.

"Estamos produzindo doses da vacina contra influenza sem contrato", disse. A decisão de não aguardar é motivada pela grande quantidade de frascos necessários para a campanha. Para o Butantan, poderia não haver tempo hábil para fabricar as cerca de 80 milhões de doses se a produção fosse adiada.

Outras vacinas estão com contratos vencidos e não foram negociadas para 2023. É o caso, de acordo com Dimas, do imunizante contra o HPV (papilomavírus humano), que ajuda a proteger contra câncer de colo de útero, vulva, vagina e ânus.

A dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, também não teve o acordo de fornecimento renovado.

Questionado, o Ministério da Saúde informou na tarde desta quinta-feira (1º) que o processo aquisitivo da vacina contra gripe "está em andamento e será finalizado em tempo hábil para dar início à campanha do próximo ano".

Em relação aos outros dois imunizantes, a pasta alegou que os processos estão em andamento para a contratação e são tratados "com a máxima prioridade".

"Vale reforçar que todos os processos e fluxos de planejamento e aquisição de vacinas seguem os trâmites normais da cadeia de abastecimento anual", disse a pasta do governo Jair Bolsonaro (PL).

Questionado se há outros contratos de vacinas do PNI vencidos e se pretende renová-los até o fim do ano ou deixar a assinatura para a nova gestão, o governo não respondeu.

No mesmo evento com jornalistas, o diretor de produção de vacinas do Butantan, Ricardo Oliveira, afirmou que a instituição tem capacidade de oferecer a vacina bivalente contra o coronavírus já utilizada na China, mas é necessário que o ministério demonstre disposição em adotar o produto atualizado.

"É só chegar [que temos capacidade de envasar]. É claro que depende do governo federal, do Ministério da Saúde e do PNI ter interesse em incorporar a vacina", disse.

A Saúde fez um acordo com o Butantan para a compra de 100 milhões de doses de Coronavac em 2021. Em 2022, o governo fez uma compra adicional de 10 milhões de doses pediátricas, porém não houve renovação do contrato para a inclusão de vacinas atualizadas.

Na última semana, várias capitais suspenderam a vacinação de crianças de 3 e 4 anos contra Covid-19 por falta de vacina.