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Redução do auxílio piora renda e mais pessoas caem na pobreza

Corte de R$ 600 para R$ 300 do benefício pago durante a pandemia terá impacto no quarto trimestre, segundo avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio. Cenário tende a se complicar com o desemprego. Taxa de desocupação deve chegar a 16%

Cáluculos do economista Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituti Brasileiro de Economia (FGV), mostram o peso da redução do auxílio emergencial no bolso dos brasileiros. O número de pessoas vivendo em situação de pobreza aumentou em mais de 8,6 milhões na passagem de agosto para setembro, enquanto a população em situação de miséria avançou em mais de quatro milhões.  Informações do Estadão e Correio Braziliense.

O consumo das famílias será um dos motores do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, mas servirá como freio para a desaceleração do PIB do quarto trimestre, conforme as previsões do mercado. Analistas ouvidos pelo Correio reconhecem que o impacto da redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 a partir de setembro será observado no último quarto trimestre do ano.

Pandemia fez mais brasileiros entrarem em miséria- Pandemia fez mais brasileiros entrarem em miséria- 

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, reconhece que o ritmo vai perder força no quarto trimestre porque haverá uma desaceleração na atividade, devendo continuar com taxas modestas nos anos seguintes, especialmente, devido à retração do consumo das famílias. “Está ocorrendo uma retomada cíclica de curto prazo, impulsionada pelo auxílio emergencial, e sua redução terá impacto maior no consumo nos últimos meses do ano”, explica.

Com uma previsão entre as mais otimistas para o PIB do terceiro trimestre, de alta de 9,2% em relação aos três meses anteriores, Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, faz um alerta para o que está por vir. “A maior preocupação é a partir de agora, com o auxílio emergencial menor e com a pandemia aumentando, é provável que o quarto trimestre decepcione. Por enquanto, prevemos avanço de 0,9%”, explica o economista.

Analistas também pedem atenção para o problema do desemprego crescente. Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), reforça que, para a economia dar sinais de vitalidade e de crescimento robusto, o principal termômetro é o emprego. “A normalização da economia depende da retomada dos setor de serviços, que emprega muita gente. Um dos principais sinais da economia é justamente a recuperação do emprego, variável extremamente importante. E, como os setores menos intensivos em capital humano se recuperam mais rápido, ainda vamos ver muitas pessoas perdendo emprego, e a taxa de desocupação continuará elevada”, explica.

Sem emprego

Os indicadores mostram que o desemprego vai continuar crescendo após chegar ao novo pico histórico de 14,6% no trimestre encerrado em setembro, batendo o recorde de 14,1 milhões de desempregados no mercado formal e informal. Pelas estimativas do Bradesco, por exemplo, neste ano, 4,633 milhões de vagas serão fechadas. Esse número é superior aos 2,782 milhões de vagas criadas entre 2018 e 2019. A melhora do mercado formal no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não vai evitar, portanto, o aumento do desemprego até meados de 2021. Segundo os analistas, isso ocorre porque a maior parcela das vagas é no mercado informal e a base ocupada está encolhendo para pisos históricos. Pelas projeções de Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a taxa de desemprego em 2021 deverá encerrar o ano em 16,6%, por exemplo.

Apesar do cenário de desemprego em alta, Fernando Honorato acredita que uma transição da massa salarial poderá crescer no ano que vem, se houver retomada da atividade e do mercado de trabalho. Isso porque a remuneração média do trabalho informal é maior do que a média familiar do auxílio emergencial, de R$ 900. Contudo, o economista-chefe do Bradesco lembra que, para haver maior empregabilidade no mercado formal, é preciso maior previsibilidade para a dívida pública. “É preciso uma grande agenda a ser feita”, destaca.

Sergio Vale ressalta, ainda, que a inflação também é um fator de preocupação, apesar de caminhar para encerrar o ano em 3,8%, abaixo da meta de 4%. “Os sinais para frente não são tranquilizadores, porque os riscos sobem muito para 2021”, afirma o economista-chefe da MB Associados.

Moradora de Águas Lindas (GO) e vendedora de roupas, Leidiane Moreira de Jesus, 32 anos, obteve o auxílio emergencial durante a pandemia. Ela aponta outro problema aliado à redução do benefício pela metade: a carestia. Com a alta dos preços, principalmente dos alimentos, ela vem reduzindo o consumo. “Agora que baixou (o valor do auxílio), ficou mas difícil, pois as coisas ficaram muito caras”, conta.

O especialista comenta o momento político delicado. “As duas últimas grandes reformas, a regra do teto e a da Previdência, aconteceram em governos que se iniciavam. Como imaginar grandes reformas em um governo fragilizado, caminhando para o terceiro ano de mandato? Haverá um pouco a sensação de levar em banho-maria a situação fiscal, adiando o fim do auxílio emergencial, com um puxadinho do Orçamento de Guerra para o começo do ano que vem”, destaca.

Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, espera alta de 8,5% no PIB do terceiro trimestre e admite considerar um cenário sem riscos fiscais, ou seja, sem prorrogação do auxílio emergencial e manutenção das regras de controle de gastos. “Estamos otimistas com o processo de recuperação em 2021, com a taxa de câmbio favorável para as exportações e os juros baixos puxando vários setores do mercado via aumento do crédito” afirma. Ele prevê uma retomada mais forte em 2021, de 4%, com uma taxa de carregamento estatístico de até 3,2% do PIB deste ano para o ano que vem.

De acordo com Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, as projeções do banco estão otimistas porque não incluem na conta os riscos fiscais. A estimativa é de uma retomada mais forte em 2021, com expansão de 4%. Ele explica que o cenário previsto pelo banco prevê queda do isolamento social e melhora da atividade econômica. Nesse processo, a chegada de uma vacina deve pesar mais do que os riscos de uma segunda onda. “Há mais fatores positivos do que negativos para a contribuição do crescimento”, pontua.



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