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Casais que dormem juntos sincronizam o sono, diz estudo

Vários estudos demonstram que dormir acompanhado aumenta a fase REM, e que os movimentos não afetam o cérebro

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Um recente estudo publicado na revista Frontiers in Psychiatry demonstra que duas pessoas, em função do tipo de relacionamento que tiverem, conseguem sincronizar sua arquitetura do sono e isso provoca o aumento de 10% na duração da fase REM, o que por sua vez beneficia o sistema cognitivo, a memória, a regulação das emoções, a interação social e a criatividade. O primeiro a falar de um aumento da fase REM por dormir com outra pessoa foi Lawrence J. Monroe, em 1969, mas essa hipótese logo foi deixada de lado.

Casais que dormem juntos / API

“Qualquer mudança de ambiente ou pessoa pode prejudicar esta sintonia”, adverte Hennings Drews, autor principal do novo estudo e pesquisador do departamento de Psiquiatria e Psicoterapia na Universidade Christian-Albrechts, em Kiel (Alemanha). 

Ele também explica que, por isso, esses dados não podem ser generalizados nem extrapolados a casais que se conhecem há pouco tempo, que nunca dormem juntos, ou a relacionamentos de uma só noite. Outro estudo feito por Wendy Troxel confirmou que as características do relacionamento estão estreitamente vinculadas à sincronização do sono. “Monitoramos minuto a minuto durante 10 noites os casais e seus gestos, e encontramos 75% de sincronia. Além disso, é muito mais forte em casais consolidados”, conta.

A equipe observou 12 casais sem transtornos do sono, todos jovens, heterossexuais e que haviam passado pelo menos três meses dormindo juntos ao longo de quatro noites seguidas. O método utilizado foi a polissonografia dupla simultânea, um método que captura, durante o sono, as ondas cerebrais, os movimentos, a respiração, a tensão muscular e a atividade cardíaca. Até agora, era usada principalmente a atigrafia, que analisa a estrutura do sono através da atividade corporal do paciente. Em vários trabalhos a quantidade de movimentos foi vinculada a uma alteração do sono, e deduziu-se que o melhor era dormir sozinho.

Entretanto, os resultados do novo trabalho afirmam o contrário. “Surpreendeu-me muito ver que a presença de movimentos e gestos durante o sono não afetava o cérebro”, afirma o autor. Troxel, por sua vez, reconhece a qualidade deste método que representa um avanço para a pesquisa: “O que se fez e se encontrou é muito interessante. É importante ver que o corpo da outra pessoa não é uma carga adicional, como se podia pensar, e sim um benefício”.

Além disso, a qualidade do sono anda de mãos dadas com a qualidade das interações sociais. “É como estar em um círculo vicioso. Se você dorme mal, o relacionamento com seu parceiro é pior e, portanto, na noite seguinte você custará mais a pegar no sono, e assim repetidamente”, conta Drews. A próxima etapa é fazer a mesma experiência com pessoas mais velhas, casais homossexuais ou de diferentes culturas, para obter mais variedade de amostras. “Assim teremos uma visão melhor do conjunto e um maior conhecimento. Nem sempre é melhor dormir com alguém, e depende muito da pessoa”, justifica Drews.

Necessidade de conexão e insônia

Por outro lado, como diz a doutora Troxel, o sono é uma posição de vulnerabilidade. Nesse momento do dia, é crucial sentir-se seguro para não haver prejuízos à noite e à saúde, e para isso algumas pessoas precisam de contato. “Ter seu parceiro por perto transmite segurança e ajuda a conciliar o sono”, explica Troxel. “Mas, cuidado, se você tiver uma relação ruim, pode ocorrer o contrário e alterar sua tranquilidade”, adverte a especialista. Um dos focos do trabalho da cientista é como a influência da cultura e da história ocidental afetam a imagem que se tem do sono e do leito matrimonial. “As pessoas colocaram na cabeça que dormir separado é um sinal do mau estado da relação, e isso cria frustração. É um erro pensar assim”, explica.

Para solucionar este tipo de problemas, Durán Cantoll sugere “esquecer os mitos”. Sob seu ponto de vista, o estudo é importante porque é mais preciso que os anteriores e estabelece o nível de relação dos casais. “Os exames psicológicos já feitos são objetivos e muito úteis porque há casais que não sabem que se dão bem ou mal, nem o impacto que tem”, acrescenta. Quando seus pacientes chegam ao consultório, Durán tenta decifrar o tipo de relacionamento que têm para curar o transtorno de sono, como a insônia, por exemplo: “Uma das principais causas da insônia é que a pessoa dorme com alguém que não quer. É importante ver como elas estão, além de olhar as outras causas”. Do lado oposto, o fato de os casais se darem bem e sincronizarem seu sono ajuda a tratar esse transtorno. Um estudo de 2011 apoia essa teoria e demonstra que dormir com seu parceiro reduz a insônia, o estresse, a ansiedade e, com isso, as possíveis enfermidades mentais, depressões, frustração e mal-estar.

Frente a todas estas dúvidas, variáveis e possíveis mal-entendidos, a doutora Troxel aconselha que cada casal faça o que mais lhe convier, mas que, sobretudo, se comunique. Nisso Durán também insiste: “É preciso identificar o problema, romper os mitos e, claro, falar a respeito”.


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