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Você usa? Saiba a origem de algumas expressões populares brasileiras

Descubra de onde vem expressões como "salvo pelo gongo", "pagar o pato" e "puxa-saco"

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Fazer uma vaquinha                                              

Usada quando um grupo de pessoas racha uma despesa comum, tudo indica que a expressão tenha sido criada pela torcida do Vasco. 

Na década de 1920, os fãs do time arrecadavam dinheiro para distribuir entre os jogadores em caso de vitória. O valor era inspirado em números do jogo do bicho e dependia do placar: uma vitória por 1 a 0 rendia um “coelho”, número 10 no jogo, e representava 10 mil réis. 

O prêmio mais cobiçado era justamente a “vaca” – número 25, que representava 25 mil réis para os atletas. Vale acrescentar que esse prêmio só era pago em caso de vitórias históricas.

171

Esse termo que caiu na boca do povo para classificar os estelionatários e trambiqueiros em geral faz referência ao artigo 171 do Código Penal brasileiro.  

O texto estipula: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

Chorar as pitangas

É o ato de se queixar de algo, lamuriar. A explicação que Câmara Cascudo traz no livro Locuções Tradicionais do Brasil é a de que essa frase está associada à expressão portuguesa “chorar lágrimas de sangue”. 

A pitanga se assemelharia a uma lágrima e sua cor vermelha remeteria ao sangue. Uma adaptação à moda brasileira.

Arroz de festa

Duas explicações costumam ser dadas para essa expressão. A tradição de jogar arroz nos noivos na saída de um casamento é uma delas. A pessoa designada como arroz de festa estaria presente em tudo quanto é evento, assim como a chuva de arroz estaria lá em tudo quanto é casório.

Já para Câmara Cascudo – e ele era especialista em expressões desse tipo – a culpa é do arroz-doce. A sobremesa era quase obrigatória nas festas do século 14, dado o paladar dos portugueses e brasileiros.

Logo o acepipe virou sinônimo daquelas pessoas que não perdem uma confraternização por nada. Como o arroz-doce aos poucos deixou de ser a principal guloseima, a expressão se modificou e deixou no seu lugar o arroz de festa.

Terminar em pizza

 O termo, que denota que algo errado deve acabar sem nenhuma punição, também surgiu no futebol. Na década de 1960, alguns dirigentes do Palmeiras já estavam há 14 horas reunidos discutindo assuntos do clube, quando a fome bateu. 

A solução foi terminar a reunião em uma pizzaria, onde a paz reinou depois de muita mussarela. O jornalista Milton Peruzzi, que acompanhava o imbróglio, registrou a seguinte manchete no Gazeta Esportiva: “Crise do Palmeiras termina em pizza”.

A expressão voltou a ganhar força na época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. 

Esse processo de retirada do governante ainda era novidade para a maior parte da população, e o termo em inglês não facilitava o entendimento (ou sua pronúncia). E, como muitos ainda duvidavam que Collor fosse mesmo punido, em vez de “terminar em impeachment”, dizia-se que o caso “terminaria em pizza” (até a sonoridade é parecida). Por isso, até hoje, o termo segue muito associado a escândalos políticos. 

Matar cachorro a grito

O professor Ari Riboldi, no livro O Bode Expiatório 2, explica que os cães escutam sons inaudíveis para humanos, tanto de baixa, quanto de alta frequência. A faixa audível é tal que seria possível até mesmo matar esses animais pelo som, deixando-os enclausurados e ouvindo sons estridentes. O desesperado faria o animal se chocar contra a parede até a morte. Um horror sem limites.


Amigo da onça
                            
A expressão foi popularizada pela revista O Cruzeiro, que publicou de 1943 a 1961 o Amigo da Onça, personagem do chargista Péricles Andrade Maranhão.
 

Sempre levando vantagem sobre os outros e colocando seus amigos em situações embaraçosas, o Amigo da Onça é a inspiração para a expressão utilizada até hoje.

As paredes têm ouvidos

 Esse dito também encontrado em outros idiomas, como alemão, francês e chinês, remonta a um antigo provérbio persa que diz “As paredes têm ratos, e ratos têm ouvidos”. 


Um registro similar é encontrado no clássico medieval The Canterbury Tales, em que o autor, Geoffrey Saucer, descreve que “aquele campo tinha olhos, e a madeira tinha ouvidos”. 

Outra versão conta que a rainha Catarina de Médicis, esposa católica de Henrique II (rei da França) e perseguidora implacável dos huguenotes, protestantes franceses, fez furos nas paredes do palácio real para poder ouvir as pessoas das quais suspeitava.

Custar os olhos da cara


História de pescador ou verdade? A origem mais conhecida dessa expressão faz referência ao espanhol Diego de Almagro (1479-1538), um dos conquistadores da América, que perdeu um de seus olhos quando tentava invadir uma fortaleza inca. “Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho da cara”, teria afirmado o conquistador ao imperador espanhol Carlos I.


Pagar o pato


Vem da obra Facetiae, do italiano Giovanni Bracciolini (1380-1459). O texto do autor, figura importante no Renascimento italiano, conta a história de um camponês que vendia patos e certa vez uma mulher queria pagar os animais por meio de encontros sexuais com o vendedor. Na história, ambos foram surpreendidos pelo marido (quase) traído, que, sem concordar com o trato, pagou o pato em grana e encerrou a questão.

Chutar o balde


Não há registro confirmado, mas alguns estudiosos afirmam que a origem dessa expressão está na execução pela forca. No passado, os condenados ficavam em pé sobre  um bloco, colocavam a corda ao redor do pescoço, e aí o bloco era retirado para que ele fosse enforcado.

O bloco nem sempre era um bloco, claro. Forcas profissionais tinham escadas, às vezes alçapões – enfim, diferentes recursos para “tirar o chão” do enforcado.

Supostamente, um balde também teria servido de substituto – e era chutado pelo executor na hora da morte.

Há também a lenda de que a expressão teria nascido a partir do chute que uma vaca dá no balde de leite, quando não está feliz com a ordenha.

Por a mão no fogo (por alguém)

A expressão vem de uma tortura praticada na época da Inquisição. Uma pessoa acusada de heresia tinha sua mão envolvida em uma estopa e era obrigada a andar alguns metros segurando uma barra de ferro aquecida. 


Três dias depois, a estopa era retirada e a mão do suposto herege era checada: se estivesse queimada, o destino era a forca; se estivesse ilesa, era provada sua inocência. Daí, botar a mão no fogo virou sinônimo de atestar confiança quase cega em alguém.

Rodar a baiana

A ameaça de rodar a baiana e dar um escândalo público teria origem nos blocos de Carnaval do Rio de Janeiro, no início do século 20. Como alguns malandros aproveitavam a folia para beliscar as nádegas das moças que desfilavam, capoeiristas passaram a se fantasiar de baianas para proteger as damas. Quando um engraçadinho tentava o desfrute, levava um golpe de capoeira. Quem estava de fora só via a baiana rodar e não entendia nada.

Segurar vela

Essa expressão vem desde a época em que as velas eram a principal fonte de iluminação das casas. Na Idade Média, quando ainda não existiam as lâmpadas a óleo, as pessoas menos experientes seguravam uma vela para que os mais experientes pudessem executar qualquer tipo de trabalho braçal no escuro.



 Na França, a expressão “tenir la chandelle” se refere a criados que eram obrigados a segurar candeeiros enquanto seus patrões mantinham relações sexuais. Mas o serviçal deveria ficar de costas para manter a privacidade…

A cobra vai fumar

Durante a 2ª Guerra Mundial, o governo brasileiro presidido por Getúlio Vargas ora se aproximava dos Estados Unidos, ora da Alemanha nazista. Na época, era comum ouvir que seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra. Mas entramos – do lado certo -, e como resposta à provocação, os soldados da Força Expedicionária Brasileira adotaram como símbolo um escudo com uma cobra fumando.

Santo do pau oco

No Brasil colonial, os impostos sobre o ouro e pedras preciosas eram altíssimos. Para enganar a coroa portuguesa, os mineradores recheavam o interior de santas ocas, feitas de madeira, com a maior quantidade desses bens que conseguissem. Com essa artimanha, podiam passar pelas Casas de Fundição sem pagar os impostos abusivos. Assim nasceu a expressão que hoje virou sinônimo de falsidade e hipocrisia.

Mudar da água para o vinho

 Faz referência às Bodas de Caná e ao primeiro milagre de Jesus, relatado com exclusividade no Evangelho de João. Durante um casamento, Maria procura seu filho preocupada e diz que o vinho havia acabado. Jesus, então, pede aos servos que preencham os vasos com água. Ao provar o líquido, o mestre de cerimônias se depara com o melhor dos vinhos. Uma mudança radical, para melhor, como sugere a expressão.

Puxa-saco
A expressão surgiu nos quartéis brasileiros. Era o apelido dado aos soldados de baixo escalão que tinham a obrigação de levar os sacos de suprimentos de seus superiores durante as viagens e campanhas. Com o passar do tempo, o termo passou a indicar indivíduos interesseiros que fazem de tudo para agradar alguém.


 Ter o rei na barriga

A metáfora que ilustra alguém orgulhoso surgiu na época da monarquia, em razão da sucessão do trono. Quando a rainha ficava grávida, a notícia era muito festejada e a monarca passava a ser tratada de maneira especial, pois ela carregava o futuro rei em seu ventre. 

Cercada de tantos cuidados e acostumada com o bem-bom, a rainha passava a ser vista como arrogante aos olhos das outras pessoas. A comodidade era tamanha que esse cuidado também valia mesmo que o bebê em questão fosse um bastardo.

Sem eira nem beira

 Eira é o terreno ao ar livre onde fazendeiros colocam grãos para secar. A beira é a extremidade da eira. Portanto, numa fazenda sem eira nem beira, o vento leva os grãos e deixa o proprietário sem nada. Na região Nordeste, a explicação é outra: antigamente as casas das pessoas abastadas tinham um telhado triplo – a eira, a beira e a tribeira -, enquanto os mais pobres construíam as casas apenas com uma fileira de telhas, ficando sem eira nem beira.




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