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Sexo oral transmite HIV? Especialista tira todas as dúvidas

Sexo oral transmite HIV quando a carga viral está indetectável?

Sexo oral transmite HIV? Especialista tira todas as dúvidas
1 | Reprodução
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Basta ter uma relação sexual sem camisinha para poder ser infectado pelo vírus do HIV ou contrair alguma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Muitas pessoas até usam o preservativo na hora da penetração, mas ficam na dúvida se ele é necessário no sexo oral.  Leitores contam que estão se relacionando com pessoas que são soropositivas e querem saber quais as precauções que precisam tomar e se o sexo oral transmite HIV.

Um  leitor, que é heterossexual, relata que transou uma mulher que, posteriormente, ele descobriu ser portadora do vírus. Eles usaram camisinha na hora da penetração, mas o que preocupa o rapaz é que o casal dispensou o uso da proteção na hora do sexo oral. Segundo ele, a parceira toma os remédios diariamente desde 2014 e mantém sua carga viral indetectável. Mesmo sabendo disso, ele está com medo de contrair o vírus, pois não sabe se o  sexo oral transmite HIV .

Já o outro leitor é homossexual, possui um namorado pelo qual está apaixonado. O rapaz conta que ama muito o parceiro e o sentimento não mudou depois que descobriu que ele é portador de HIV, entretanto sente medo de fazer sexo oral sem se infectar. Outra dúvida dele é sobre como usar a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) após o sexo desprotegido.

O parceiro dele começou o tratamento há pouco tempo e, assim como a mulher do caso anterior, também toma remédios diariamente.

O médico Robinson Fernandes de Camargo, coordenador de assistência do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, explica ao Deles que embora a chance seja muito baixa, existe, sim, o risco de se contrair o vírus através do sexo oral . “A transmissão pode acontecer em quem está realizando a prática, uma vez que a pessoa fica em contato direto com fluidos corporais da parceira ou do parceiro, por isso, o sexo oral transmite HIV”, esclarece.

O especialista ressalta que quem está recebendo o sexo oral só tem contado com a saliva da pessoa que está fazendo e, como a saliva não é uma fonte de infecção do HIV, ela não está em risco. Mesmo assim,  o uso da camisinha é fortemente indicado por Robinson, pois em uma relação é preciso pensar nos dois e um sempre estará exposto ao vírus. Fora isso, o profissional acrescenta que, além do HIV, o preservativo previne outras ISTs, como sífilis, herpes, HPV e gonorreia.

 (Crédito: shutterstock  )
(Crédito: shutterstock )


Sexo oral transmite HIV quando a carga viral está indetectável?

Quando a pessoa portadora do HIV faz o tratamento corretamente, a carga viral dela pode ficar indetectável no sangue e, nesse estágio, a pessoa não transmite o vírus. Entretanto, como ainda há o risco de contrair outras infecções, o uso de camisinha continua sendo recomendado. O grande problema é que as pessoas tem muita resistência em fazer o sexo oral com preservativo e usam como justificativa que “é como chupar uma bala com a embalagem”.

“Como o sexo oral transmite HIV e outras doenças, uma dica é erotizar a camisinha e associá-la ao prazer, não deve ser algo 'burocrático'. Faça com que o preservativo seja parte das preliminares. Peça, por exemplo, para que a parceira ou o parceiro o coloque ou faça brincadeiras para introduzi-lo e tornar o momento mais prazeroso”, aconselha o médico.

Como utilizar a PrEP e a PEP

Se ainda assim a camisinha for deixada de lado, após uma relação desprotegida, o indicado é que a pessoa inicie a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para prevenir o HIV. “Vale lembrar que a PEP deve ser iniciada em até 72 horas depois de uma situação de risco de infecção, de preferência logo nas duas primeiras horas. Basta procurar uma unidade de saúde que oferece a PEP e tomá-la durante 28 dias, sem interrupção”, explica o especialista.

Quando se passa o período de 72 horas, é indicado fazer um exame para saber se está tudo bem. Mas não adianta fazer isso dias depois da relação sexual desprotegida, é necessário esperar cerca de 30 dias, pois só assim é possível identificar os anticorpos de um determinado vírus. “Esse período é chamado de janela imunológica. Isso significa que, se você fez sexo sem proteção, por exemplo, no último mês, o exame não vai dar positivo, mesmo se você estiver com o HIV.”

Também é possível se prevenir contra o HIV antes da relação sexual com o uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). “Para isso, a pessoa precisa tomar todos os dias um medicamento antirretroviral. No SUS, a PrEP é indicada para pessoas em situação de maior vulnerabilidade para a infecção”, fala Robinson.

Ao passar por uma situação de risco, não tenha receio de fazer o exame em uma das unidades municipais de saúde, pois, independente do resultado, sempre há um acolhimento e uma orientação. “Quando o exame de HIV dá positivo, a equipe faz o processo de vinculação desse paciente em um dos Serviços de Assistência Especializada (SAEs) em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)/Aids da cidade. É o usuário quem escolhe onde quer ser atendido”, esclarece o médico.


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