Conheça nova boneca sexual que permite simular um estupro

Configuração faz com que o robô "desaprove" as investidas do homem

Não é de hoje as discussões a respeito da relação entre a pornografia estar se tornando cada vez mais interativa e a questão do consentimento. Em junho deste ano, uma equipe de cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, apresentou um estudo para mostrar o quanto o pornô em realidade virtual pode distorcer o conceito de consenso por permitir a criação de ambientes realistas e totalmente permissivos. Recentemente, porém, o lançamento de uma nova edição da boneca sexual Roxxxy reascendeu o debate, já que um recurso do robô faz com que ela aja como se não estivesse a fim de ser tocada.


De acordo com reportagens da mídia internacional, o site da True Companion – empresa responsável pela fabricação tanto de bonecas para homens quanto de bonecos para mulheres – chegou a afirmar que a Frigid Farrah (nome recebido pela boneca sexual que remete à frigidez, ou seja, falta de vontade de fazer sexo ) “não vai curtir suas investidas” quando for tocada nas partes íntimas. Com a repercussão negativa, porém, a companhia retirou a descrição do site oficial.


As críticas começaram com o um texto escrito por Laura Bates e publicado pelo veículo “The New York Times”. A britânica, que é criadora do “Everyday Sexism Project” (site que publica histórias anônimas de sexismo para mostrar que ele ainda existe e é enfrentado pelas mulheres diariamente), critica o fato de que, por ser um robô, o homem que o utiliza pode simplesmente passar por cima da “falta de vontade” que ele expressa e praticar o ato sexual mesmo assim, recriando um estupro .

“Assim como o argumento de que vagões de trem exclusivos para mulheres são a solução para o assédio sexual, a noção de que robôs sexuais poderiam reduzir os estupros é profundamente falha. Isso sugere que a violência masculina contra mulheres é algo natural e inevitável e pode apenas ser abrandado, não prevenido”, afirma Laura no texto.

Além disso, a britânica também afirma que as bonecas consistem em uma forma não-ilegal para estupradores fazerem o que quiserem, mas que a ideia de dar bonecos realistas que espirram sangue para que assassinos esfaqueassem nunca estaria em questão. “Se essa sugestão soa ridícula, por que a ideia de fornecer vítimas robóticas realistas a abusadores sexuais parece razoável para alguns?”, questiona ela.

Resposta da empresa

Diante das críticas, a empresa se posicionou na sessão de “FAQ” (para perguntas que são feitas com frequência), no lugar onde estava a descrição polêmica do produto. Segundo Laura, a marca está reproduzindo “mulheres reais com tudo menos autonomia”, mas os criadores da Frigid Farrah discordam.

Eles afirmam que a boneca não é programada para participar de um cenário em que há estupro: “Ela dá a opinião ou o feedback dela, assim como qualquer pessoa faria durante um encontro. Por exemplo, vocês não beijariam apaixonadamente uma pessoa que acabaram de conhecer em um primeiro encontro. Da mesma forma, a Frigid Farrah te diria que ela acabou de te conhecer se você tentasse investir muito rapidamente”, diz o comunicado.

De acordo com a empresa, o recurso pode inclusive ser utilizado para ajudar pessoas a entenderem qual é a maneira correta de se aproximar de alguém. No entanto, como a única coisa que o robô pode fazer é verbalmente negar as investidas, o usuário pode facilmente ignorá-las e se satisfazer mesmo assim. Ainda assim, apesar de se posicionar contra o encorajamento da cultura do estupro, a empresa afirma que “Roxxxy e Rocky [versão masculina da boneca sexual] permitem que todos realizem as fantasias sexuais mais íntimas”, dando margem para qualquer tipo de uso.


Fonte: iG
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