Leia o relato de um encontro com a imensa aranha-golias

Pesquisador encontrou o animal na floresta da Guiana

Imagine você no meio de uma floresta, à noite, e se deparar com uma baita de uma tarântula que tem quase o tamanho de um cachorro? Ok, digamos que o cãozinho da comparação seria um de pequeno porte ou um filhote, mas mesmo assim o tamanho é assustador! Estamos falando da aranha-golias, que é a maior do mundo. 

Pois esse encontro aconteceu com o entomologista Piotr Naskrecki durante uma noite de pesquisa na floresta tropical da Guiana há alguns anos, conforme ele relatou em seu blog pessoal. Na ocasião, Naskrecki estava andando pela mata em busca de gafanhotos, inseto que ele estava estudando na época.

Ele disse que, normalmente, em sua pesquisa de campo, ele anda devagar e silenciosamente, para não perturbar nenhum animal ou organismo da floresta. Para essas pesquisas noturnas, ele usa uma lanterna de cabeça, mas a desliga de vez em quando para perceber melhor os animais pelos sons ao seu redor.

Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)
Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)

E foi num desses momentos no escuro que Naskrecki pretendia apenas ouvir os sons característicos de asas de gafanhoto, mas acabou ouvindo algo chiando, se movendo e pisando nas folhas secas sob seus pés. “Eu podia ouvir claramente os seus pés duros pisando no chão e as folhas secas desmoronando sob o seu peso”, disse ele.

Em sua visão periférica, ele percebeu o que pensava ser um grande roedor peludo. Já não era uma visão agradável, mas o entomologista estava acostumado com essas expedições e pequenas surpresas.

“Liguei o interruptor e apontei a luz para a fonte do som, esperando ver um pequeno mamífero, um gambá, um rato talvez. E num primeiro momento até foi isso que eu pensei que era: um grande animal peludo, do tamanho de um roedor”, contou o entomologista em seu relato.

Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)
Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)

Mas o problema foi quando ele percebeu que não era um roedor, e sim a maior aranha do mundo: a golias (Theraphosa blondi).  Segundo ele, a grande tarântula tinha cerca de 30 centímetros! Muito mais do que medo, o especialista ficou em êxtase por ter encontrado uma criatura que ele disse ser quase mítica, sendo uma espécie de joia da biodiversidade.

Mais características e sobre o encontro

Em seu blog, Naskrecki explicou que as aranhas-golias (também chamadas de aranhas comedoras de aves) são simplesmente enormes para um artrópode terrestre. Além do tamanho citado acima, elas podem pesar mais de 200 gramas.

Apesar de seu incrível tamanho e de seu apelido (comedoras de aves), é bastante difícil acontecer de elas se alimentarem de pássaros porque, embora elas sejam capazes de matar aves de pequeno porte, raramente elas têm a oportunidade de fazer isso enquanto vasculham o chão da floresta de noite. Mas há evidências de que elas podem se alimentar de ovos de aves ao se depararem com algum ninho.

Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)
Aranha-Golias (Crédito: Reprodução)

Mas a maior parte de sua alimentação vem mesmo de outros insetos e minhocas do habitat úmido e quente. Outra curiosidade sobre essa aranha de incríveis dimensões é que ela provavelmente é a única que faz barulho enquanto anda, pois as suas patas têm garras endurecidas que produzem um som muito característico quando elas encostam no chão.

Sons e ataques

Segundo Naskrecki, esse não é o único som que ela faz: “Toda vez que eu ficava muito perto da grande tarântula, ela começava a esfregar as patas traseiras contra o abdômen peludo, o que eu achei ‘fofo’ quando vi pela primeira vez, até que uma nuvem de pelos urticantes voou nos meus olhos e me fez coçar e chorar por vários dias”, contou.

E o entomologista ainda passou mais um apuro: “Se isso não fosse suficiente, o aracnídeo abria as suas enormes presas, capazes de perfurar o crânio de um rato, e tentava me espetar com os instrumentos pontudos. E então houve um som de assovio alto. Durante muito tempo, a fonte do som era um mistério, mas agora sabemos que ele é produzido por algumas cerdas nas pernas, cobertas com ganchos microscópicos que raspam uns contra os outros”, disse ele.

Naskrecki contou que, anos depois desse primeiro encontro com Theraphosa blondi, ele estava na América do Sul novamente, andando na floresta do Suriname e tropeçou em outra dessas grandes tarântulas. Mas, dessa vez, ele apenas pensou: “È só mais uma golias”.



Fonte: Com informações do Megacurioso
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