O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, se manifestou, nesta quarta-feira, pela primeira vez sobre os ataques feitos pela sua esposa aos nordestinos. Em entrevista ao Canal do Benja, o dirigente afirmou que Angela Machado, diretora de Responsabilidade Social, é natural de Aracaju, capital do Sergipe, repostou uma mensagem que recebeu em uma rede social e que tem o direito de se manifestar.

- É óbvio que isso deixa ela muito chateada por algo que ela tenha feito. Isso foi quase um desabafo, por ver a terra que ela tanto ama, ela achar que não vai ter nos próximos anos o destino que ela gostaria que tivesse. Ela tem o direito de se posicionar - afirmou o dirigente.

Depois do resultado da eleição presidencial, na qual Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito em disputa com o atual presidente Jair Bolsonaro, Angela fez postagens críticas aos nordestinos. Ela escreveu no Instagram: "Ganhamos onde se produz, perdemos onde se passa férias, bora trabalhar pq se o gado morrer o carrapato passa fome". Foi no Nordeste que Lula obteve ampla vantagem de votos.

Rodolfo Landim deu entrevista nesta quarta-feira (Foto: Reprodução YouTube)Rodolfo Landim deu entrevista nesta quarta-feira (Foto: Reprodução YouTube)

Perguntado se o episódio poderia motivar um pedido de desculpas por parte do clube, afinal a repercussão está grande nas redes sociais, Landim respondeu:

- Eu não estou acompanhando as redes sociais, porque eu nem sei o que é isso. Eu preciso ter tranquilidade para administrar o Flamengo, que me dá muito trabalho. O problema não é meu, é da minha mulher. Ela tem o direito de se posicionar e falar o que quiser. O problema é a vontade dela. Ela é uma pessoa física e tem o direito de se posicionar. É uma decisão íntima dela. Cada um tem o direito de agir e pensar como quiser.

Quando os entrevistadores insistiram na possibilidade do pedido de desculpas, Landim disse ter entendido o recado.

- Isso não foi uma ação do Flamengo. Foi uma pessoa. Está mais do que entendido. Vamos mudar de prosa. Eu já entendi o recado. Vamos mudar de assunto porque o recado está dado. A não ser que você queira que eu pare a entrevista para cuidar do assunto - afirmou o presidente.

No começo da entrevista, ao ser perguntado sobre o tema, Landim explicou que criou a vice-presidência de Responsabilidade Social para os torcedores terem orgulho de conquistas fora de campo. E contou um pouco da história da esposa.

- A Angela, minha esposa, para quem não sabe, é nordestina. Ela é nascida e criada. Nasceu em Aracaju e morou até os 28 anos de idade. Ela escolheu como objetivo de vida ajudar as pessoas. Ela fez formação em serviço social. Ela trabalhou a vida inteira como voluntária. Trabalhou em organizações não governamentais para ajudar pessoas. O fato de a Angela ter passado a vida trabalhando e amar o Nordeste, ela continua viajando para ver os familiares e centenas de amigos estão lá, ela sempre foi muito preocupada com o Nordeste. Vou dizer a visão política dela, de que o Nordeste nunca teve uma política que desenvolvimento sustentável. Isto traz um enorme sofrimento para ela - disse, para completar:

- Ela é uma pessoa que adora pessoas. Eu diria que dentro do Flamengo, ela é uma unanimidade, pela preocupação que ela tem com cada um, por perguntar como vai cada dentro do clube. Ela é uma pessoa adorável, para quem a conhece.

Ladim também foi perguntado sobre os pedidos do benemérito Siro Darlan, integrante do grupo político Fla-Tradição. O benemérito pediu a destituição de Angela e o impeachment do presidente.

- O Flamengo é uma verdadeira nação. Temos que nos respeitar e estarmos juntos. E esse grupo aí deve ter no máximo umas quatro pessoas. E todo esse posicionamento que tem, nas reuniões de Conselho, é uma pessoa que tem um viés político claro - afirmou Landim.

Entenda o caso

Depois do resultado da eleição presidencial, na qual Lula foi eleito em disputa com o atual presidente Jair Bolsonaro, Angela Machado, diretora de responsabilidade social do Flamengo, fez postagens críticas aos nordestinos. Esposa de Rodolfo Landim, presidente do clube, ela atacou a região onde Lula venceu com larga vantagem.

Angela fechou o seu perfil, no qual demonstrou apoio a Jair Bolsonaro e chegou a fazer campanha para o atual presidente depois da conquista da Libertadores deste ano, ainda no gramado em Guayaquil. Em uma postagem ao lado de Rodinei, ela fez o sinal com o 22, número do presidente na eleição, e escreveu: "Vencemos uma. Falta a outra".

Também no gramado de Guayaquil, a cúpula de dirigentes do Flamengo posou uniformizada com a camisa do clube e fazendo o número 22 com as mãos. Estavam juntos Luiz Eduardo Baptista,o Bap (presidente do Conselho de Administração), Gustavo Oliveira (vice de comunicação), Rodolfo Landim (presidente), Rodrigo Dunshee (vice geral) e Reinaldo Belotti (CEO).

Lula obteve 69,34% dos votos na região Nordeste, enquanto Bolsonaro ganhou nas outras regiões. O resultado leva justamente ao conteúdo do post: "Ganhamos onde se produz, perdemos onde se passa férias". E ainda associam os nordestinos aos carrapatos na sequência da mensagem, usando um apelido dado aos eleitores de Bolsonaro como referência: "Se o gado morrer o carrapato passa fome".

Como diretora de responsabilidade social do clube, Angela comandou algumas ações feitas pelo Flamengo durante a atual temporada. Em uma delas, levou moradores de rua para assistir a Flamengo 5 x 0 Athletico-PR, no Maracanã, no dia 15 de agosto.