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O “grito” das arquibancadas vazias

Tanto mais grita o vazio da arquibancada quanto mais se esforçam para disfarçá-lo

O “grito” das arquibancadas vazias
“A arquibancada vazia se manifesta como nunca” | Lucas Uebel/Grêmio
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Em meio a um cenário de catástrofe, o futebol insistiu em voltar. Mais do que isso, resolveu que forjaria sua própria normalidade. Acabou surpreendido no contrapé da parte de quem menos esperava, pois tudo era ausência: a arquibancada vazia se manifesta como nunca. A arquibancada vazia nos diz, a cada jogo, em todos os jogos, que nada está normal. Informações do site GloboEsportes.com

“A arquibancada vazia se manifesta como nunca”

"Não há nada menos vazio do que um estádio vazio", eis a mui conhecida frase de Eduardo Galeano. A sentença do escritor uruguaio referia-se às histórias que um templo guarda, mesmo que despovoado de quem lhe confere sentido. Pode ser aplicada hoje, de forma pesada e com trágica compreensão, ao futebol brasileiro. Não há nada mais cheio de sentido do que nossas arquibancadas vazias: elas me fazem pensar em quantos por ali passaram a hoje estão mortos. Elas me remetem, a cada instante, a que se passa no imenso lado de fora.

Tanto mais grita o vazio da arquibancada quanto mais se esforçam para disfarçá-lo. De forma patética e até constrangedora. Com o som da torcida ecoando pelo concreto hoje órfão, como hinos desvirtuados, ou telões que nos mostram uma forma de torcer de tempos longínquos, pois pré-pandêmicos, importando do passado uma alegria que no momento não existe.

A alternativa encontrada pelo Grêmio mostrou-se um tanto mais honesta: vários trapos e faixas pendurados no alambrado do centro de treinamento em Eldorado do Sul, para a partida contra o Ypiranga. Transmitia, mais que outras quinquilharias tecnológicas, a ideia de que o time continuava acompanhado. Não apagou, porém, a verdade que desaba diariamente: um país que logo vai bater 90 mil mortes está jogando futebol. E a colcha de trapos, por fim, ainda que singela, passava a assumir também ares fúnebres.

Em meio ao império de indiferença representado pelas desérticas arquibancadas, mesmo ocorrências graciosas tornam-se cartões postais de uma época condenada ao lamento, como é o caso do mascote do América-MG e seu churrasco de um homem só. Curioso de assistir, mas impossível de fazer que se armasse um sorriso, pois são tempos que desautorizam mostrar os dentes. E, também, nada é mais vazio que um churrasco solitário.

Um estádio desabitado sempre será um cenário hostil para o futebol, atividade primordialmente celebratória. É contra a própria natureza da arquibancada que se possa observá-la, assim, em sua estéril totalidade: precisa-se de gente, instrumentos, imprecações, suor e cartazes para que ela se justifique. Em um país devastado, no entanto, hoje a arquibancada detém o incômodo silêncio que nos fala sobre humanidades e desumanidades, mas, por mais estridente que seja, é provável que esse grito não consiga atravessar a cortina de surdez.



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