Presidente da CBTM alugava apartamento com verba pública

Alaor confirmou a informação e disse que devolverá a quantia

Alaor Azevedo, presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) desde 1995, alugou apartamento de luxo em São Paulo, para uso pessoal, com verba pública, entre setembro de 2016 a abril de 2017. O cartola escolheu uma unidade no luxuoso Riverside, na rua Pedro Avancini, 363, no Jardim Panorama, vizinho do Morumbi, na Zona Sul, e lançou a despesa, cerca de R$ 9 mil mensais, em prestações de contas de projetos para o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Alaor confirmou a informação e disse que, se for inquirido, devolverá a quantia já gasta ao CPB.

O cartola explicou que alugou o imóvel com o intuito de ser utilizado por oficiais da CBTM, incluindo atletas e treinadores, quando fossem à cidade. Mas afirmou que nenhuma outra pessoa se hospedou no local além dele e da esposa. Alaor, que mora no Rio de Janeiro, tem parentes em São Paulo.

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— A ideia era usar o local por várias pessoas da confederação mas não sei quem usou mais. Eu ia mais. E sim, minha esposa também foi. Mas a ideia não deu muito certo porque o CT de Tênis de Mesa demorou a ficar pronto e por isso parei de alugá-lo — explicou Alaor, que disse ter usado o apartamento em viagens “para reuniões de marketing em São Paulo” e outros compromissos da entidade.

O presidente da CBTM não conseguiu explicar, porém, a escolha pelo apartamento em bairro e prédio luxuosos, já que seria mais barato pagar diárias de hotel nas eventuais viagem à cidade.

De acordo com um anúncio na internet, o empreendimento possui apartamentos com área útil entre 146 à 352 metros quadrados e podem ter 4 dormitórios (o de Alaor tinha três).

Cada unidade possui 4 vagas de garagem e “conta com vista privilegiada, além de mais de 4 mil metros quadrados de área verde, lazer e áreas livres”.

O local tem brinquedoteca, centro comercial, espaço gourmet, praça, sala de leitura, salão de festas, salão de jogos, spa, academia de ginástica, cinema, garage band/danceteria, piscina adulto coberta e descoberta, além da portaria e do hall de acesso.

Ressarcimento

Outro fator que chama a atenção é a distância entre o condomínio e o Centro de Treinamento Paralímpico, na Rodovia dos Imigrantes, na Vila Guarani. São cerca de 15,5 quilômetros de distância, ou mais de meia hora em trânsito. Diferentemente do que Alaor informou, esse CT ficou pronto em maio de 2016 e serviu de aclimatação para Jogos Rio-2016 para várias modalidades paralímpicas, incluindo o tênis de mesa.

O CPB informou, via nota, que a “CBTM apresentou um plano de trabalho em 2016 que envolve dezenas de atividades esportivas, entre as quais quatro campeonatos nacionais, locação de equipamentos, e o aluguel do referido imóvel. O CPB foi diligente e requisitou justificativa quanto à locação do imóvel. Ao que a confederação apresentou a cotação de 10 hotéis na cidade de São Paulo que demonstravam de forma cristalina a economicidade que representava o aluguel do apartamento. Assim sendo, o comitê aprovou o plano de trabalho.”

Questionado, o CPB explicou que as cotações nos hoteis foram apresentadas para mais pessoas e não apenas para o presidente.

O CPB explicou ainda que as prestações de contas da CBTM estão em análise e, caso fique comprovado que a utilização do imóvel não cumpriu o objeto do convênio, ou seja, “se os atletas e demais beneficiários não tiverem sido contemplados pelo mesmo, o comitê determinará a devolução integral e corrigida dos valores repassados à CBTM”.

A verba proveniente da Lei Agnelo Piva (loterias federais) é repassada do COB e do CPB às confederações para o desenvolvimento desportivo brasileiro. Estas quantias estão sujeitas a auditoria da Controladoria Geral da União e do ,Tribunal de Contas da União.

A CBTM informou que o convênio para este aluguel era por período de dois anos e que somente Alaor utilizou o local. Segundo a entidade, “por conta de alguns atrasos nos trâmites necessários para o uso do centro de treinamento, o local acabou tendo utilização aquém da esperada”. Assim, a entidade solicitou a rescisão de contrato e as chaves foram entregues ao fim de abril.

Explicou ainda que o convênio formalizado com o CPB, para 2017, previa o custeio da locação mensal e que os valores referentes aos meses posteriores a abril “não serão utilizados e sim, devolvidos, no ato da prestação de contas mensal”.

Alaor faz oposição a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), e tentou concorrer ao cargo no último pleito, em 2016, sem sucesso. Alaor foi reeleito para novo mandato, de janeiro de 2017 a dezembro de 2020.

Fonte: Com informações do Jornal Extra
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