Sobrevivente de acidente aéreo nega ter ficado em posição fetal

Técnico de tripulação relata conversa com Caio Jr.

Primeiro sobrevivente do acidente com o voo da Chapecoense a receber alta, o técnico de tripulação Erwin Tumiri concedeu, no hospital em que está internado em Cochabamba. Ele revelou que antes do embarque não sabia que a aeronave da LaMia seguiria direto de Santa Cruz de La Sierra para Medellín, sem escalas. Ainda contou detalhes dos momentos logo após a queda do avião que transportava jogadores, comissão técnica e jornalistas na madrugada da última terça-feira.

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- No momento do acidente era como um pesadelo, porque nem eu mesmo acreditava. Acordei e pensei: "o que aconteceu aqui?". O que fiz foi pegar minha lanterna, iluminar e gritar por socorro. Comecei a piscar a lanterna para que me vissem. Ximena estava a cinco metros de mim, eu estava com o rosto no chão e levantei assustado. Levantei de repente e corri em direção a ela. Ela estava presa e gritando. Quando me viu foi se acalmando e eu disse: "Vamos embora". Era mato, escuro e eu pensei em ir em direção ao aeroporto. Vi muitos corpos espalhados, mas não tinha o que fazer. Eu também não via sinais de vida e, além disso, me preocupava se o avião fosse explodir ou se desmanchar. Por isso fui me afastando com Ximena - relata, sobre a luta para salvar a vida de sua colega de tripulação.

Erwin ainda desmentiu o fato de que ter ficado em posição fetal o salvou na queda. Disse não ter dado entrevista ao jornal boliviano La Razón e que em nenhum momento o risco foi comunicado aos passageiros.

- Avisaram que iríamos pousar, um pouso normal. (Sobre seguir o protocolo) Não disse nada disso para a imprensa. É a primeira vez que estou falando para a imprensa. Ninguém percebeu que ia cair. Estavam todos prontos para pousar, normal. Em nenhum momento fiz isso (ficar na posição fetal). Era a preparação para um pouso normal.

O comissário, que pretende continuar trabalhando na aviação e seguir em busca do sonho de se tornar piloto, relatou ainda uma conversa com o técnico Caio Júnior durante o voo.

- Falei com o técnico (Caio Júnior) e ele estava me ensinando a falar português. Quando disseram "afivelem os cintos, vamos pousar", todos voltaram a suas poltronas. As luzes se apagaram e começou a vibrar. Pensei que era do pouso, mas não foi. Apenas ouvi e não me lembro de mais nada. Depois me levantei do chão.

Confira trechos da entrevista:

Sabia que voo ia direto a Medellín?

Nós, como técnicos, fazemos o pré-voo. Temos uma lista de checagem de tudo que é preciso fazer no avião. A Lamia tem seu gerente, seu pessoal, é outra coisa. Eu faço meu trabalho. Sei tudo aquilo que me ensinaram sobre o avião. Eu fiz o relatório de que íamos até Cobija, mas no momento da decolagem voltei a perguntar, e (o piloto) disse: "Não, vamos a Medellín".

Sabia da autonomia pequena?

Em relação a autonomia, carga, quem faz isso é o despachante de voo. Isso é responsabilidade da LaMia. Eles sabiam o peso, o combustível correspondente. Eles me diziam qual era o combustível necessário para abastecer. Supus que eles sabiam o que faziam. Acho que pode não ter sido uma boa ideia do piloto ter tomado essa decisão, ou da pessoa responsável por isso na LaMia.

Responsabilidade

Poderia me fazer ouvir pelo piloto: "É assim que tem ser e vai ser assim". Que essas decisões não sejam tomadas de maneira tão individual e que isso nos seja comunicado também. Para onde vamos, o que vamos fazer. Acho que a tripulação teria que saber. Eu diria que faltou um pouco mais de liderança (ao piloto) para se por de acordo com toda a tripulação.

Futuro

Vou continuar com meu trabalho, continuar me preparando para não deixar de voar. Quero terminar meu curso de pilotagem, quero ser piloto comercial.

Chapecó

Um dia quero ir a Chapecó, conhecer a cidade. Porque às vezes sinto como se eu tivesse sido salvo por eles. Como se eles tivessem dado sua vida pela minha. Por isso, quero conhecer essa cidade.

Fonte: Com informações do Globoesporte.com