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Stefany faz história como a 1ª jogadora surda no Brasileirão Feminino

Anunciada no início do ano, Tefy contou sobre a oportunidade que recebeu no Palmeiras e realização de sonho por entrar em campo

Stefany faz história como a 1ª jogadora surda no Brasileirão Feminino
Stefany conversa com o preparador físico William Bitencourt em Libras | Priscila Pedroso/Palmeiras
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Stefany foi apresentada pelo Palmeiras em janeiro e deu coletiva em Libras (Crédito: Priscila Pedroso/Palmeiras)

A história do futebol feminino brasileiro ganhou mais um capítulo de inclusão social. Na última rodada do Campeonato Brasileiro A-1, no sábado (29), a meio-campista Stefany Krebs fez sua estreia pelo Palmeiras na competição. Tefy, como gosta de ser chamada, é a primeira jogadora surda a atuar no torneio nacional, fato marcante para ela e para outras que também têm o mesmo sonho.

Durante a vitória sobre a Ponte Preta, em Campinas, ela foi chamada pelo técnico Ricardo Belli e viveu um momento inesquecível.

“Fiquei muito feliz e grata pela oportunidade de representar a inclusão da comunidade surda no futebol. A pandemia me fez refletir bastante e voltei ainda mais focada para o Palmeiras. O descanso também me ajudou a melhorar as minhas lesões, pois estava sentindo muita dor, principalmente no joelho, passei por uma operação no ano passado. Quando retornamos, me senti mais preparada para dar o meu melhor em campo”, afirmou Stefany.

Natural de Erechim (RS), a gaúcha de 22 anos sabe bem como conquistar títulos. No currículo, ela é nome constante na Seleção Brasileira de futsal para surdos desde os 15 anos, conquistando Mundial de Futsal de Surdos (2019), Campeonato Interclubes (2016), Campeonato Pan-Americano (2014), Campeonato Sul-Americano (2013) e Taça Brasil de Futsal (2013).

A surdez não impediu Tefy de sonhar e trabalhar forte por um lugar no elenco palmeirense. Desde que chegou, ela transformou a forma da equipe de se comunicar, ensinando Libras e criando gestos para as jogadas do dia a dia. Além disso, ela conta com a ajuda do preparador físico William Bitencourt e da analista de desempenho Vanessa Silva, que são da comissão técnica da Seleção Brasileira de futsal de surdos. Em trabalho separado, eles fazem um treinamento fora de campo diariamente com vídeos e explicações individuais.

“No começo, foi um pouco difícil me adaptar por conta da língua, já que eu uso Libras e eles usam o português. Com o tempo, fomos nos adaptando e isso foi melhorando cada vez mais. Todos os dias vou para o campo meia hora antes de treinar para saber as informações, entender melhor o que terá nos treinos e isso facilitou para que eu possa treinar com as meninas. Acredito que, cada vez mais, essa adaptação vai melhorar. Eu acredito muito”, comentou.

Diagnosticada com apenas dois meses de idade, a jogadora teve o apoio da família no sonho de se tornar uma esportista profissional e na luta pela inclusão social dos surdos. Após o sucesso no futsal, ela partiu para o desafio no campo no tradicional clube paulista e se sente orgulhosa pelas conquistas até agora.

“Até agora, vou dizer a frase que sempre falo para motivar as meninas/pessoas, que é: ‘Acredite nos seus sonhos, nunca desista ou duvide deles. Lembre-se de que você é capaz, pode conseguir e lute até o fim. Se não deu certo, tente mais uma vez e confie nas mãos de Deus, que Ele sempre tem melhor plano para nós. O importante é não ter medo de tentar’. Essa frase sempre me faz lembrar de não desistir, e sim lutar mais, até o último batimento do meu coração. Quanto mais foco nos objetivos, mais resultados bacanas você vai receber um dia. Orgulhosa? Sempre estou, impossível não estar! É muito importante amar a si mesma e ter orgulho das suas conquistas”, comemorou.

A estreia contra a Ponte Preta foi com o pé direito. Mesmo entrando aos 42 minutos do segundo tempo, a meio-campo ajudou o alviverde a conquistar a vitória por 4 a 1 no estádio Moisés Lucarelli, garantindo os três pontos que deixaram a equipe na quinta colocação na tabela. A expectativa para a temporada é alta e ela pensa em uma coisa: o título.

“Nós, atletas, estávamos muito ansiosas para voltar a treinar. Mesmo com a pandemia, as jogadoras tiveram boa vontade e dedicação, todas treinaram muito bem. A nossa comissão técnica também nos motivou muito, eles nos ajudaram a não desanimar e nos deixaram com ainda mais foco nos treinos e jogos. Sei que teremos ainda mais vitórias, pois confio no meu time. Vamos continuar nesse ritmo e fazendo o melhor a cada jogo. O Palmeiras nunca desiste das lutas. O meu maior objetivo é fazer a história no clube e trazer títulos. Acredito muito no potencial de cada menina que está aqui”, concluiu.

O próximo desafio do Alviverde é no domingo (06), às 15h, contra o Avaí-Kindermann no estádio Nelo Bracalente, em Vinhedo (SP). As equipes brigam pelas primeiras posições e estão separadas por apenas um ponto.



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