Torcedor será impedido de entrar no Nilton Santos após racismo

Ofensas foram à família de Vinícius Jr

Em mais um ato de repúdio ao ato de racismo ocorrido no Engenhão na quarta-feira, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, afirmou na última quinta-feira que o torcedor responsável pela demonstração de racismo foi identificado e não poderá mais entrar nos jogos do time no estádio.


"O torcedor envolvido está proibido de comparecer a jogos e, como sócio-torcedor do clube, já foi identificado e seu acesso ao check-in está sendo bloqueado de acordo com decisão judicial. Encerrado o processo, o plano de sócios nos permite que o mesmo seja excluído", declarou o presidente, em entrevista coletiva.

Imagens de emissoras de TV registraram o momento em que o botafoguense, que estava no setor leste inferior do Engenhão, grita ofensas e faz gestos com referências racistas apontando para um casal de tios do atacante Vinícius Júnior, do Flamengo, que estava em um camarote localizado logo acima do setor onde o torcedor estava posicionado.

"No jogo de ontem tivemos como ponto focal o incidente com o torcedor, que foi prontamente identificado e levado ao JECRIM [Juizado Especial Criminal]", disse o presidente, horas após divulgar nota oficial recriminando o ato do torcedor.

Na coletiva, ele reforçou o tema. "O Botafogo não possui em sua longa existência nenhum caso de racismo. Pelo contrário. Não digo nem em cor da pele, acredito que somos da mesma raça, a humana. Digo com muito orgulho que, apesar de ter cara de europeu, minhas duas avós eram índias amazonenses. Sou um 'branco fake'. Qualquer tipo de discriminação tem que ser repudiada", afirmou.

"As nossas cores também simbolizam a proximidade dos dois extremos. Em outros momentos fizemos uma brincadeira com camisas com as faixas pretas e brancas com a ordem invertida, diferença que não foi perceptível. O que aconteceu ontem jamais irá manchar essa história centenária do Botafogo", declarou.

Para o presidente, o ato do torcedor não deve trazer problemas ao clube na Justiça. "Quando um criminoso é preso com uma camisa de um clube de futebol, ninguém atribui ao clube. Todo ato de injúria ou coisa do tipo ocorrido dentro do estádio será tratado como ontem, com todas as medidas cabíveis. Vale lembrar que foi um ato isolado, sem que outra pessoa tenha adotado a mesma atitude. Isso é bom que fique claro. O futebol foi o principal elemento do jogo de ontem e estamos tranquilos por termos cumprido nossas obrigações", afirmou.

Em campo, Botafogo e Flamengo empataram por 0 a 0 no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil. Na próxima quarta-feira, no Maracanã, quem vencer se garante na decisão, enquanto a igualdade com gols favorece a equipe alvinegra. Novo 0 a 0 levará o clássico para os pênaltis.

Fonte: iG
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