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Ultramaratonistas: 'Fui viciada em drogas, agora, viciada em corrida’

A BBC conversou com corredores de ultramaratona sobre o que os motiva a percorrer essas distâncias - da mulher que literalmente fugiu do vício em drogas ao jovem empreendedor que busca isolamento.

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Para esportistas adeptos a ultramaratonas - que percorrem distâncias superiores aos 42 km de uma maratona - a corrida possui significados extremos, muito além do esporte.  Estes atletas de alta resistência levam seus corpos ao limite físico e mental, correndo com frequência 160 km ou mais. As informações são do R7.

É um esporte praticado globalmente. Há competições em lugares como o Deserto do Saara (Marathon des Sables, de 254 km), na África do Sul (Comrades Marathon, de 87 km) e no Reino Unido (The Wall, de 111 km ao longo da Muralha de Adriano) - e que, por incrível que pareça - tem se tornado cada vez mais popular. Houve um aumento de 1.000% no número de corridas de longa distância na última década ao redor do mundo, de acordo com entrevista ao jornal britânico The Guardian, um administrador de um site agregador de ultramaratonas.

Algumas pessoas atribuem esse aumento à geração millennial - os ultramaratonistas postam fotos nas redes sociais de seus triunfos, o que incentiva, por sua vez, seus amigos e seguidores a pensar que podem fazer o mesmo.

A BBC conversou com corredores de ultramaratona sobre o que os motiva a percorrer essas distâncias - da mulher que literalmente fugiu do vício em drogas ao jovem empreendedor que busca isolamento.

'Fui viciada em drogas, agora, sou viciada em corrida'

"Aos 27 anos, fui presa e passei a noite atrás das grades. Foi a pior experiência da minha vida e me assustou ficar de cara limpa.

Comecei a andar em má companhia na escola e só queria saber de festa. Logo engatei em um relacionamento com um cara que usava metanfetamina e fiquei viciada rapidamente. Por fim, fomos presos. Fui colocada em um programa de reabilitação de seis meses, em que precisava frequentar uma reunião dos Narcóticos Anônimos todos os dias. Depois de seis meses, eu estava desintoxicada.

BBC THREE/@DIRTDIVA333

Hoje estou sóbria há 25 anos. Comecei a correr porque estava procurando algo para substituir as drogas. Corri 10 quilômetros por impulso após receber um panfleto de corrida e, três meses depois, corri minha primeira maratona. As ultramaratonas vieram logo na sequência.

Participei de corridas de 161, 322 e 483 km. Quando você finalmente termina de percorrer essas distâncias, a sensação é maravilhosa. Você realizou algo grandioso: 'Uau!' Eu definitivamente sinto uma espécie de onda.

Sou uma das poucas pessoas no mundo que percorreu 161 km mais de 100 vezes. Você poderia dizer sem dúvida que sou viciada".

'Correr ultramaratonas virou minha meditação'

"Antes da minha primeira maratona, estava tão nervosa por questionar minha capacidade de completar a corrida que não conseguia fazer quase nada. Só de pensar, me sentia estressada. Tentei de tudo para me acalmar antes do grande dia, incluindo hipnose. Então ninguém ficou mais surpreso do que eu, quando descobri que a ultramaratona era a coisa mais relaxante que já tinha feito na vida.

BBC THREE / INSTAGRAM

Decidi correr minha primeira ultra no ano passado com um dos meus melhores amigos. Parecia uma boa oportunidade de sair da cidade. Rapidamente descobri que era a corrida mais social e relaxada que você poderia fazer. Imagina passar 16 horas ao ar livre, sem nada para fazer além de colocar um pé na frente do outro. Para mim, isso é felicidade.

Não tem aquela pressão de correr contra o relógio, como acontece em uma maratona normal, não é o tempo que é impressionante, é a distância. As pessoas, na verdade, aplaudem quando você as ultrapassa. Você pode correr por horas ao lado das mesmas pessoas e se sentir confortável em não dizer uma única palavra, é uma experiência muito zen (menos a dor física, obviamente).

Depois de cerca de uma hora, consigo sentir minha mente começar a se acalmar - é quando começo a me desligar e a entrar em um estado de meditação. Depois disso, estou tão relaxada - você simplesmente não tem energia para ficar irritado com nada! Sou uma pessoa mais feliz e menos estressada quando estou correndo."

'A solidão me ajuda a lidar com a vida'

"Quando estou correndo, me isolo do estresse do mundo exterior. Sou introvertido por natureza e preciso de tempo com meus próprios pensamentos para me ajudar a lidar com a vida.

Meu pensamento se torna tão claro e ininterrupto quando estou correndo, me afastar das distrações me ajuda a pensar nas coisas adequadamente, me deixa mais decisivo e permite trabalhar minha inteligência emocional - que são características realmente importantes para um empreendedor. A maioria das minhas grandes ideias de negócio surgiram enquanto estava correndo!

BBC THREE / INSTAGRAM

Acho a tecnologia tão perturbadora - é possível, via rede social, estar conectado a pessoas 24 horas por dia. É demais. A solidão da corrida oferece a minha dose diária de espaço vazio - é o único tempo que tenho 'para mim' de verdade."

'Correr me ajuda a sentir que mulheres e homens são iguais no Afeganistão'

"Comecei a correr há alguns anos, depois que vi minhas colegas de quarto correndo todos os dias pela manhã. Eu não corria desde que era muito pequena porque a cidade no Afeganistão onde eu morava é muito conservadora em relação às mulheres e suas atividades.

Certa manhã, perguntei se poderia ir com elas e corri 10 km sem parar. Foi a primeira vez que senti a liberdade de correr ao ar livre - minhas amigas ficaram surpresas de eu ter conseguido acompanhar.

Foi quando elas me contaram que estavam treinando para uma ultramaratona de 400 km no Sri Lanka - eu só pensava em como era legal que duas garotas afegãs estivessem competindo em uma corrida internacional! E fiz o mesmo.

BBC THREE / FREETORUN

Correr me ajuda a sentir que não há diferença entre os direitos das mulheres e dos homens no Afeganistão. Quero que os homens da nossa sociedade entendam que a participação das mulheres no esporte não é um tabu e que podemos percorrer as mesmas distâncias que os homens. Quero quebrar barreiras. Treinei com minha parceira de corrida todas as noites durante o Ramadã após o jejum."


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