Álcool está associado a 50% dos casos de violência doméstica

Os dados foram divulgados pelo Cebrid da Unifesp, de 2016.

Segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, de 2016, o uso de álcool está associado a 50% dos casos de violência doméstica. O assunto foi abordado nesta terça-feira (12), no 4º módulo do projeto Reeducar, desenvolvido pelo Ministério Público do Piauí, por meio da 10ª Promotoria de Justiça – integrante do Núcleo de Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (NUPEVID).

Com o tema: "O uso/efeitos das substâncias psicoativas e a prática da violência doméstica", ministrado pelo psicólogo Anderson de Moura Lima, do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS – AD), o encontro debateu a relação entre as drogas ilícitas e lícitas, a exemplo da bebida alcoólica, e a violência doméstica.

Segundo o psicólogo, a droga age como um potencializador da violência. “As pessoas têm a sua consciência alterada e com isso elas perdem a capacidade de julgamento não tem a mesma noção das consequências dos seus atos. Então, para algumas pessoas que já têm uma tendência à violência, a droga surge com o efeito de potencializar esse sentimento, essa atitude”, explica.

 Realidade conhecida por Raimundo (nome fictício), um dos participantes do Reeducar, desde a infância. Para ele, o uso do álcool sempre esteve associado à violência. “Eu estive detido durante um tempo e quando saí pensei em mudar a minha vida. Foi então que o meu pai veio até mim e falou: ‘meu filho, você quer mudar? Faça igual a mim, largue essa bebida de mão, pois ela só veio nos prejudicar, desde o tempo que eu agredia você e a sua mãe, e hoje eu estou mudado e não quero que o que aconteceu comigo aconteça com você’. Então eu decidi que, a partir disso, eu seria um novo homem, larguei a bebida e segui o seu conselho”, conta, emocionado.

 A promotora Amparo Paz, coordenadora do projeto Reeducar, conta que na maioria dos casos de violência doméstica recebidos pela 10ª promotoria, o autor do ilícito está sob efeito de álcool ou outro tipo de droga. “É muito importante nós destacarmos que, embora seja muito comum a ocorrência de violência contra a mulher associada ao uso de drogas, elas não são as causadoras da violência. Apontar as drogas como responsável pelas agressões seria tirar do agressor a culpa pelo seu comportamento e possibilitar um novo ciclo de violência para a vítima. Então, a ideia é, na verdade, enxergar o uso de drogas e álcool como um agente potencializador da violência”, frisa.

Fonte: Portal Meio Norte/Ministério Público
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