A amamentação é essencial para o desenvolvimento do bebê. É por meio do leite materno que a criança cria os anticorpos necessários para prevenção de doenças como hipertensão, obesidade na vida adulta, diabetes e ainda estimula o desenvolvimento intelectual. Além disso, diminui a incidência de mortalidade infantil reduzindo em 13% os casos de morte em crianças até cinco anos.

 Para reforçar a importância da amamentação e incentivar o aleitamento materno, a Organização Mundial de Saúde (OMS), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), criou a campanha Agosto Dourado. “O objetivo da iniciativa é informar a população sobre a importância do aleitamento materno e incentivar mulheres a amamentar de forma exclusiva nos seis primeiros meses”, explica a pediatra, Mariza da Silva.

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A médica reforça, ainda, que o leite materno é um alimento completo. “Nos seis primeiros meses, o recém-nascido precisa apenas do leite da mãe. Além dos nutrientes que previnem doenças e a desnutrição, ajuda na formação dos dentes e desenvolvimento da fala, pois estimula os músculos faciais. Já a partir dos seis meses, os bebês precisam de uma alimentação variada, mas o aleitamento materno deve continuar até o segundo ano de vida da criança ou mais”, destaca Mariza.

O ato de amamentar proporciona também um vínculo afetivo, criando uma ligação especial entre mãe e bebê. “A união física e emocional na hora de amamentar gera sentimentos agradáveis, que geram amor, carinho e apego, o que é fundamental para o desenvolvimento infantil”, pontua a pediatra.

Processo diferente em cada mulher

 A amamentação é a forma de alimentar o bebê, mas nem sempre isso é possível. Seja pelas dificuldades enfrentadas durante o processo ou até mesmo situações em que a mãe não pode amamentar.

“Existem situações em que a mãe não pode amamentar, pois pode transmitir doenças ao bebê, faz algum tratamento ou faz o uso de substâncias que podem passar para o leite e prejudicar a criança. Além disso, também não se deve amamentar caso o bebê tenha alguma condição e não consiga digerir o leite”, esclarece a médica.

 Para algumas mulheres, o desafio é ainda maior. Para a jornalista Mayara Bastos, mãe de primeira viagem, todo o processo de amamentação foi árduo, mas gratificante por cada conquista. “Quando a minha filha mamou pela primeira vez, eu senti aquele misto de emoção por estar conseguindo alimentá-la e dúvidas se daria certo. É um processo muito lento e que a maioria das mulheres enfrenta. E acho até que falam pouco sobre o assunto. Eu tive uma preparação e acompanhamento e mesmo assim encontrei todas as pedras pelo caminho, mas eu sabia que apesar das dificuldades, no fim daria certo”, relata a mãe.

A importância da pega correta

Uma das grandes adversidades é a “pega correta” do bebê no peito, que se não for realizada de forma adequada afeta diretamente a amamentação. 

“A nossa primeira grande lição da vida foi ensinar nossa filha a mamar, pra que ela conseguisse abrir a boquinha de forma correta para pegar no seio e evitar ferimentos. Foi um processo e quando conseguimos a gente passou para uma outra etapa que foi a hiperlactação, produção de leite em excesso. Eu tinha mais leite que a minha filha precisava, o que acabou inflamando e evoluindo para mastite. Mesmo assim, não deixei de amamentar e cada quilo adquirido da neném, era uma grande vitória. Foram três meses para que eu conseguisse sentir a plenitude da amamentação”, descreve a jornalista.

Já para a bibliotecária Aline Lima o andamento foi diferente. “Eu realmente me considero muito sortuda nesse aspecto. Principalmente por saber que outras mães passam por processos bem difíceis. O meu filho parece que já nasceu sabendo. Então, desde o início ele conseguiu ter a pega correta no peito, o que facilitou tudo. A única dificuldade que senti foram algumas dores no início, mas que não trouxeram grandes dificuldades. Amamentei meu filho exclusivamente com o leite do peito até os seis meses, mas mantive a livre demanda até os 3 anos”, declara a mãe.

A pediatra, Mariza da Silva, ressalta que os processos de amamentação podem mesmo ser bem diferentes para cada mulher e orienta que é sempre importante buscar apoio e ajuda junto ao médico ou a uma consultora de amamentação.