Com o fim do período chuvoso no Piauí, a população já aguarda a chegada do período mais quente do ano, denominado de BR-O-BRÓ, que começa em setembro e segue até o mês de dezembro.

A temperatura no período ultrapassa a marca de 40º C, levantando uma série de cuidados na realização das atividades ao ar livre.

No entanto, cada piauiense também pode contribuir para que não haja um aquecimento ainda maior com o passar dos danos, adotando atitudes sustentáveis. Tal indicativo converge também para uma cobrança às autoridades quanto ao cumprimento dos itens previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que baliza, por exemplo, para a destinação correta dos resíduos.

Está próximo do período em que se registra as maiores temperaturas no Piauí (Foto: Marcelo Camargo)Está próximo do período em que se registra as maiores temperaturas no Piauí (Foto: Marcelo Camargo)Neste sentido, é de ciência dos especialistas que a falta de uma gestão correta de resíduos sólidos impacta diretamente a sociedade e o meio ambiente. Por exemplo, afetando a regulação do clima global, já que determinados processos envolvendo resíduos podem emitir Gases do Efeito Estufa (GEE): a decomposição da matéria orgânica libera gás metano, enquanto a queima descontrolada de certos materiais produz dióxido de carbono, óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre. São esses os quatro principais gases responsáveis pela instabilidade do efeito estufa.

O biólogo e coordenador de Engenharia e Meio Ambiente da Raiz, empresa vinculada ao Grupo Natus Ambiental, Rafael Marques, explica os prejuízos que a má destinação dos resíduos sólidos provoca para o planeta, elevando o aquecimento. Para se ter ideia, de acordo com os cientistas dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), em 2020,a temperatura média global ficou 0,9°C acima da média do século 20, alcançando o maior aquecimento já registrado.

"A má gestão do lixo como responsável por emitir 6 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, montante é equivalente ao gás gerado anualmente por 3 milhões de carros movidos a gasolina", indicou o biólogo, citando o estudo do Departamento de Economia do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) sobre a permanência de lixões como local de descarte do lixo no Brasil e a queima irregular de resíduos.

No Piauí, como aponta relatório do Tribunal de Contas do Estado, a maioria dos municípios ainda possuem lixões, mesmo faltando menos de dois anos para o prazo definido pela PNRS para o fim desses espaços. Assim, apenas com uma ação integrada entre sociedade e Poder Público será possível alcançar o desenvolvimento sustentável e evitar o superaquecimento.