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Capital encara um inimigo histórico

As quatro zonas da capital vivem problemas da baixa cobertura de esgoto. Em 165 anos, apenas 19% da cidade recebeu investimentos em coleta e tratamento de esgoto. Nos dois últimos anos a oferta ampliou para 63,1%,

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É B-R-O-Bró em Teresina. O termômetro marca 40 graus. Maria Luísa, de apenas um ano, dá seus primeiros passos e brinca em uma calçada ao lado de um esgoto, disputando espaço com animais e lixo. O calor faz com que o mau cheiro fique ainda mais forte. Descalça, a menina leva no babado sujo da roupa as péssimas condições de higiene em que vive.

A cena, capturada no Loteamento Vitória, zona Sudeste de Teresina, é o retrato do sofrimento de uma população que há 167 anos é castigada pela ausência de uma coleta e tratamento de esgoto. Quando Maria Luísa nasceu, apenas 31% da cidade tinha cobertura. A previsão é que somente aos 17 anos ela possa ver Teresina com uma rede universalizada, que segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, deveria ter acesso desde que nasceu.

Crédito: Raíssa Morais

A ausência de esgotamento sanitário em Teresina é um problema de longa data. Em 165 anos, apenas 19% da cidade receberam investimentos em coleta e tratamento de esgoto. Nos dois últimos anos, a oferta ampliou para 63,1%, chegando ao indicador de hoje. Um grande avanço em pouco tempo, mas ainda insuficiente para uma capital que brinca de ser metrópole.

Diante desta situação, sofrem os rios desta mesopotâmia incrustada no Meio Norte do Brasil e, principalmente, a população, que termina prejudicada  com diversas situações. A principal delas é o crescimento no número de pessoas doentes. O mau cheiro, que muitos moradores se acostumaram, é só um problema de morar em uma cidade com baixa cobertura de esgoto.

Crédito: Gabrel Paulino

Pedro reconhece que há um longo percurso pela frente. “Hoje temos muito esgoto correndo a céu aberto, valões… Toda construção que você faz, quando não tem a coleta do esgoto na rua, é preciso que exista uma fossa séptica. Existe uma normatização para isso enquanto a coleta de esgoto não existe. De forma geral, houve uma desorganização do crescimento, e isso não foi levado em conta. Somado a isso, tem o lixo que as pessoas jogam na rua”, acrescenta.

O lixo jogado nas ruas pela própria população também contribui para o problema. “Para você ter ideia, em nossa primeira filtragem, coletamos uma média de 20 toneladas de lixo todos os meses. Agora você imagina o que fica em esgotos a céu aberto. Em algum lugar isso vai parar, entupir o encanamento e obstruir a passagem. O resultado é uma mistura de lixo, esgoto e proliferação de doenças”, revela Pedro Alves.

Teresina possui mais de 30 Estações Elevatórias de Esgoto (EEE), com 13 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE). “As principais são do Pirajá e a ETE Leste, que fica próxima da UFPI. Essas duas serão ampliadas por conta da densidade demográfica maior. Voltando para a zona Sul, precisamos achar uma área para fazer o processo de licenciamento e fazer uma Estação de Tratamento lá de forma efetiva. Há muitas áreas, de fato, sem esgoto. Leonel Brizola, Padre Humberto, parte da Vila Conquista, Vila Nova Esperança… São áreas de extrema vulnerabilidade que ainda estão em processo de regularização”, analisa Pedro Alves. 

Saneamento básico é sinônimo de saúde

Cada um real gasto em saneamento básico economiza quatro reais gastos em saúde. O estudo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) revela que esgoto coletado e tratado é sinônimo de uma população mais sadia. O médico gastroenterologista Guilhermo Enrique Campos reforça os números.

“Saneamento básico é importante para o bom desenvolvimento da sociedade como um todo, além da saúde da população. Isso depende do bom tratamento da água e do esgoto, além do destino adequado do lixo. O esgoto com destino adequado vai evitar muitas doenças, além da proliferação de vetores capazes de provocar problemas. Mosquitos, moscas, baratas e ratos, por exemplo”, aponta o médico.

Crédito: Gabriel Paulino

Guilhermo afirma que falta de esgoto não dá apenas dor de barriga. “Não são apenas simples diarreias. Disenterias, verminoses, cólera, hepatite. São inúmeras as doenças que estas pessoas estão expostas. A pessoas podem adoecer até a morte. O tratamento de esgoto também melhora a qualidade de vida das pessoas”, alerta o gastroenterologista.

O médico explica que é preciso tomar cuidado em áreas sem saneamento. “Quando não temos saneamento básico, temos que tomar alguns meios de profilaxia, como forma de promoção e prevenção de saúde. É preciso lavar bem as mãos, beber água filtrada ou fervida, lavar bem frutas e verduras, usar sapato adequado e orientar as crianças que não brinquem em áreas vulneráveis. As crianças acabam tomando banho em águas contaminadas em regiões periféricas”, acrescenta Guilhermo.

O esgoto maltratado impacta na saúde humana e no meio ambiente. “A população precisa se conscientizar com prevenção, mas principalmente os gestores, para tomar medidas, como políticas públicas de forma prática. É preciso valer a Constituição Federal de 1988, que já fala de saneamento básico”, finaliza o médico. 






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