Mesmo em meio à crise pela qual passa o Brasil, nos últimos anos, o setor de cervejarias tem apresentado números bastante animadores. Dados oficiais mostram que o número de cervejarias registradas no Brasil cresceu 91% entre 2014 e 2017, saltando de 356 estabelecimentos para 679, nesse intervalo de tempo.

Dentre os principais responsáveis por estes dados positivos, estão as cervejas artesanias, que têm ocupado um importante espaço no mercado das cervejarias. No Piauí, esse mercado também já começou a aquecer. De acordo com a Junta Comercial do Estado do Piauí (JUCEPI), no Estado existem registradas e ativas, hoje, 13 empresas neste ramo, sendo dez delas localizadas em Teresina. As outras estão localizadas nos municípios de Picos, Inhuma e Parnaíba.

Quem decidiu investir neste ramo foi a professora e designer de interiores, Jasmine Soares, ela é proprietária de uma cervejaria, na capital piauiense, e afirmou que, para este tipo de produto não existe crise. Segundo ela, a demanda continua, principalmente para oferta em eventos, como casamentos, formaturas, festas particulares, shows e festivais. Além disso, ela ressalta que as cervejarias que já são regularizadas possuem brewpub próprio.

José Alves FilhoJosé Alves Filho

"O que a maioria tem feito é buscar novos sabores e receitas para atrair cada vez mais o público interessado em conhecer as possibilidades criativas de uma boa cerveja artesanal. Esse ramo vem crescendo cada vez mais, pois o piauiense em geral tem buscado não apenas a iniciação no universo da cerveja artesanal, mas também procura conhecer cada vez mais a diversidade de estilos e sabores", comenta Jasmine Soares.

Ela acrescenta que o público consumidor se preocupa também com o custo-benefício que a cerveja artesanal de qualidade apresenta. Jasmine Soares diz que o diferencial entre a cerveja artesanal e as demais cervejas é definido pelo próprio nome: artesanal. Ou seja, é um produto “caseiro”, segundo ela, e resultado de estudos, pesquisas e muito investimento em equipamentos e insumos.

"A quantidade limitada de litros produzidos confere um maior controle de qualidade durante o processo. Além disso, a maturação demorada também permite um produto cada vez mais próximo do alto padrão de qualidade. Se uma cerveja industrial é brassada, fermentada e gaseificada no mesmo dia, uma cerveja artesanal para ficar no ponto de consumo precisa de pelo menos trinta dias", explica a empresária. 

Cervejeiros investem em cursos sobre a bebida

Os consumidores de cerveja estão cada mais interessados neste setor, muitos deles não querem mais somente consumir, mas também querem saber mais sobre a bebida e até sobre seu processo de produção. Pensando nisso, Jasmine tem investido também em outro segmento ligado ao ramo das cervejas artesanais: os cursos, para quem deseja saber mais sobre este universo.

José Alves FilhoJosé Alves Filho

Em seu estabelecimento, ela oferece "Introdução à Cultura Cervejeira" e "Produção de Cerveja Artesanal Nível Básico", para quem quer conhecer mais sobre a bebida, com informações sobre os estilos, as escolhas e o processo de produção artesanal da cerveja. O segundo curso habilita o participante inclusive a produzir sua própria cerveja. "Os dois cursos são para maiores de 18 anos, mulheres e homens. Basta ter interesse em conhecer o universo da cerveja artesanal, ou querer começar a produzir sua própria cerveja em casa", diz Jasmine Soares.

Legislação 

A empresária Jasmine Soares explica sobre o fato de a legislação brasileira permitir que as grandes indústrias adicionem grãos agregados à receita da cerveja, como o milho e o arroz. Segundo ela, uma cerveja artesanal terá sempre uma combinação adequada de: água mais malte, mais lúpulo e mais levedura. "As adições feitas, dependendo do estilo da cerveja, serão de temperos, ou frutas, ou flores, ou algum item de aroma ou sabor exótico, devidamente identificado para o consumidor”, reitera. 

Consumidores se tornaram mais exigentes

Quem também decidiu apostar no ramo das cervejarias artesanais em Teresina foi a funcionária pública, Anne Carolinne Carvalho Galdino. Ela conta que nesse período de crise, a procura maior é por cervejas com melhor custo-benefício. Segundo ela, as cervejas produzidas no próprio local, conhecidas por brewpub - bares e restaurantes que fazem sua própria cerveja, os custos são bem menores do que com a compra de cervejas de outros estados e importadas.

Arquivo PessoalArquivo Pessoal

"A procura por cervejas de mais qualidade aumentou tanto em relação às cervejas comerciais puro malte quanto às cervejas artesanais. O público procura mais sabores e aromas nas cervejas, diferente de antes que se procurava apenas a cerveja mais gelada possível", comenta a empresária.

Em relação ao perfil do consumidor, Anne Carolinne diz ainda que o público mudou e que o consumidor está mais exigente. Ou seja, ele não busca mais beber em quantidade e sim beber menos e melhor. A empresária entende que esse é hoje um dos lemas das cervejarias artesanais.