A Chikungunya avançar substancialmente no Brasil, principalmente no Nordeste. Transmitida pelo mesmo mosquito que a dengue, ela já matou 64 cidadãos no país em 2022. Trata-se de quase 4,5 vezes mais do que os 14 óbitos verificados em todo o ano passado. 

O número de casos saltou de 96.288 para 162.407 (68,6%). O Ceará registra a maior quantidade de casos e mortes no período.

O estado já registrou 49.307 infecções em 2022 e vale lembrar que das quais 30 levaram à morte — entre 2 de janeiro e 5 de setembro, intervalo deste ano analisado até aqui. Isso representa quase metade (46,8%) das vidas perdidas no Brasil para a Chikungunya.

Chikungunya tem aumentado número de casos e mortes - PixabayChikungunya tem aumentado número de casos e mortes - Pixabay

Baixa letalidade

E chama a atenção por ser uma doença que costuma ter baixa letalidade. Mas a situação também preocupa em outros estados do Nordeste. Só no recorte de 2022, a região acumula 86,5% dos infectados do país (140,5 mil) contra 69,2% em todo o ano passado, que teve 66.693 pacientes.

As causas para o aumento dos casos de Chikungunya guardam relação com a enorme queda da Covid-19, assim como com a dengue. Com o retorno dos cidadãos às ruas, o vírus também voltou a circular com mais intensidade.

Nordeste apresenta maior incidência - reproduçãoNordeste apresenta maior incidência - reprodução

— As arboviroses (dengue, Chikungunya e Zika) caíram durante a pandemia, porque o fluxo das pessoas diminuiu. As pessoas também ficaram mais em casa, o que significa que cuidaram mais do espaço onde vivem, outro aspecto que dificulta a proliferação do mosquito. Sem isso, vemos uma escalada bastante importante dessas doenças, se aproximando a dados de 2019 — analisa a infectologista e epidemiologista Luana Araújo.

O Nordeste apresenta uma taxa de incidência 9,6 vezes maior que a média nacional, com 243,7 casos por 100 mil habitantes. 

Diagnóstico

Todas as outras regiões figuram abaixo da média nacional, de 76,1 casos por 100 mil habitantes. Entre os municípios brasileiros, Fortaleza lidera com 18.375 diagnósticos. Logo depois vem Maceió, com 4.331, e por Brejo Santo (CE), que tem 3.625.

O período de chuvas do Ceará, que ocorre no primeiro semestre, também pode ter contribuído para o avanço  no estado,segundo constam os especialistas.