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Ciro Nogueira afirma que Bolsonaro perdeu a narrativa das vacinas

O senador diz que, apesar dos gritos dos governadores, é Bolsonaro quem vai se beneficiar eleitoralmente da vacinação.

Um dos principais representantes do centrão, o senador piauiense Ciro Nogueira (PP) afirmou que o presidente da República perdeu a narrativa da vacina e, por isso, não está em um bom momento. Apesar do quadro atual, ele afirma que não há desembarque. As informações são da Folha de São Paulo.

“Não vejo a menor perspectiva de não estarmos com ele. Vamos estar agora e em 2022”, afirma. Ao Painel, o senador diz que, apesar dos gritos dos governadores, é Bolsonaro quem vai se beneficiar eleitoralmente da vacinação da população. O início da imunização no Brasil, em janeiro, se deu por articulações de João Doria (PSDB-SP). “O presidente que vai ser avaliado é o do próximo ano, não é o de hoje”, declara.

Na entrevista, Nogueira afirma que continua radicalmente contra a abertura de uma CPI da Pandemia, apesar da pressão sobre Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e que pessoas com seriedade não discutem o impeachment de Bolsonaro.

Ele pede a mudança de postura de Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e que, se isso não acontecer, vai passar a defender a troca do ministro.

Senador Ciro Nogueira - Foto: Moreira Mariz/Agência SenadoSenador Ciro Nogueira - Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Leia a entrevista completa da Folha de São Paulo:

O centrão se desentendeu com Jair Bolsonaro?

De jeito nenhum. Não posso falar pelo centrão como todo, mas existe uma certeza na minha cabeça que vamos estar com ele agora e na eleição de 2022. Bolsonaro já teve momentos bons e ruins, sempre oscilando, mas a gente tem certeza que o Bolsonaro que vai disputar a eleição é o do próximo ano, não o de hoje. Não vejo a menor perspectiva de não estarmos com ele.

Em que momento o presidente está agora?

Não está num momento bom. Ele perdeu a narrativa da vacina. Ele vinha muito bem. Até porque, na minha opinião, nunca tivemos um governo que desse tanta assistência e suporte a governos, população, empresas, como o presidente agora. Sua narrativa da vacina, do isolamento social, da máscara, foi um erro, que acabou afetando sua imagem, com certeza.

Como lidar com ele no momento ruim? Os conflitos continuam os mesmos.

A postura mudou bastante. Ele usa máscara, não está contra a vacina, vai se vacinar. Mas ele é uma pessoa polêmica. Não é um político tradicional. Sua popularidade é em grande parte por isso também. A gente quer que as coisas aconteçam nesse momento de muita dificuldade. Os próximos dias talvez sejam o pior momento da pandemia do país. Ele está em um processo de transição. Com a mudança do ministro, o ministro novo vai ter mais autonomia, o Bolsonaro não vai ficar mais dando opinião sobre tratamento. Isso é o que importa, mas ele sempre vai ser uma pessoa polêmica.

Ele falou sobre tomar medidas duras e que estão esticando a corda. Como avalia essas declarações?

É uma forma de pressionar, mas não vejo efetividade nenhuma quanto a isso. Eu sempre respeito, posso até discordar, de atitudes de governadores ou prefeitos. Mas a atribuição foi dada pela população que elegeu eles. Assim como com o presidente Bolsonaro. Não vejo como STF ou o Congresso irem contra as medidas assim. Não há perspectiva disso ser acolhido no Congresso ou no Supremo. Isso não vai ter efetividade nenhuma.

O sr não vê ameaça ao regime democrático nas falas?

Não vejo. Tudo que ele vai fazer está na democracia. Posso divergir, mas não vi ele dizendo que vai quebrar o estado democrático de direito. Não vejo ato dele que possa acalentar qualquer tipo de discussão golpista.

O Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, apoiava a médica Ludhmila Hajjar e não deu certo. Foi uma derrota do centrão?

Acho que não. Acho que existia uma expectativa antes do presidente conhecer a doutora Ludhmila, que é uma grande profissional. Mas quem escolhe o ministro é o presidente. Não vejo o menor problema. Temos que fortalecer o ministro que está entrando. Existe uma demora grande e isso é um erro do governo. Deveria ter tomado posse na semana passada, espero que isso se resolva amanhã (23).

Foto: Efrém RibeiroFoto: Efrém Ribeiro

O sr diz que não é esse o Bolsonaro que vai estar na eleição de 2022. O que isso significa?

Vejo que quem vai vacinar a população é o Bolsonaro. As pessoas vão lembrar quem foi que vacinou. Quem foi o governador que vacinou? Eles falam de vacina, mas não vejo ninguém comprando. Quem vai vacinar a população é o Bolsonaro. Quando tiver a retomada econômica, as pessoas vão reconhecer o trabalho desse governo. Quem elege o presidente da República é a economia. Então, se a economia estiver bem, o presidente vai ganhar a eleição com certa facilidade.

O Datafolha mostrou piora da rejeição de Bolsonaro. O sr acha que é só a questão da vacina?

É como eu falei, ele perdeu a narrativa da vacina. Mas como falei, o Bolsonaro do ano passado tava endeusado. Existe volatilidade. O presidente que vai ser avaliado é o do próximo ano, não é o de hoje. A gente tem que ter estabilidade, acreditar nesse projeto, como acreditamos, para que a gente possa reverter esse quadro de hoje, que pode melhorar no futuro.

O Datafolha também mostrou que governadores e Congresso estão melhor avaliados. Por que faz sentido atrelar a imagem a de alguém que está caindo nas pesquisas?

Estamos num momento de tanta gravidade que quanto menos a gente politizar essa questão, melhor. Seja o Judiciário, seja o Legislativo, seja prefeito, governador, a mídia como um todo. Momento é de união nacional, de todos. E deixar as disputas, os culpados, para um segundo momento. Por isso que sou radicalmente contra esse negócio de CPI. Momento é buscar solução, depois a gente vê quem é culpado.

Continua com essa mesma opinião, contra a abertura da CPI?

Não tenho dúvida. Com a morte do senador Major Olímpio, muita gente está defendendo CPI. Quer dizer que quando morre um senador a gente faz uma CPI, mas morreram 300 mil e a gente não fez CPI? A população não quer CPI. A população quer vacinação, proteção, solução. É isso que as pessoas querem. Depois, num segundo momento, se houver necessidade de estabelecer culpados, punir alguém, a gente vê. Seria um desserviço do tamanho do mundo fazer isso agora. Só iriam poucas pessoas utilizar como bandeira política e atrapalhar o país.

Alguns políticos experientes dizem que não há chance de romper com o governo por dois motivos: falta de alternativa, como tiveram com Michel Temer, e ausência do povo na rua. O sr concorda?

Até hoje que eu concordo que não tem alternativa. As pessoas não querem a volta do PT. Vejo expectativa nas pessoas de querer fortalecer as instituições para sair desse momento. Hoje não tem alternativa.

Então, é essa percepção, de que o vice-presidente atual não é uma alternativa, como foi Temer?

Zero. Nenhuma chance. As pessoas que têm seriedade no país não discutem isso. Imagina o país entrar agora num momento de instabilidade, de impeachment, seria o fim do mundo. Quem defende isso é um irresponsável. E não conheço uma pessoa no Congresso que defenda isso.

Qual a crítica que o sr tem ao ministro em 7 dias desde o anúncio da escolha?

A demora. Ele tinha que ter assumido no dia seguinte, tomando as atitudes, compondo sua equipe. A questão de oxigênio, de remédios, está delicada. Não é exatamente atribuição dele, mas ele pode ajudar a resolver essa situação.

Não ter sido indicação do centrão faz vocês terem menos paciência?

Não, de forma nenhuma. O ministro anterior também não era indicação nossa. O presidente não pediu nossa indicação, então, não tem por que o centrão ficar magoado. O presidente fez uma escolha e conta com nosso apoio.

O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) não foi indicado pelo centrão?

De jeito nenhum. Em minuto nenhum. É um grande quadro, ele faz a interlocução do Congresso e pode ajudar o ministério.

O centrão sempre busca cargos. Por que o centrão diz no discurso não estar interessado nesse cargo?

Não é questão de estar ou não interessado. A gente tem uma outra postura. Nesse atual governo, o presidente sempre deixou claro que não faria trocas como eram feitas no passado, de entregar ministérios de porteira fechada em troca de apoio. Estamos no mesmo projeto político, é isso que importa. Nesse momento, fazer uma indicação de ministro da Saúde, nem sei se é uma boa coisa agora. As chances das coisas não acontecerem como devem são muito grandes, então a gente tem que apoiar o presidente na escolha.

Depois de Eduardo Pazuello, muitos defendem a troca dos ministros do Itamaraty e da Educação. O sr concorda?

O da Educação, não vejo motivo para ficar nesse foco. Nas Relações Exteriores, eu não digo a mudança do ministro, mas a postura do ministério. É um ministério que poderia estar ajudando o país nesse momento de extrema dificuldade, essa questão das vacinas, insumos, e não ajudou em nada. Quem nomeia ministro é o presidente, mas o que me cabe é defender uma postura completamente diferente da que está acontecendo hoje.

E acredita que o ministro Ernesto pode mudar?

Espero que sim. Se não mudar, aí, sim, eu vou passar a defender, como senador, uma troca de ministro. Mas volto a dizer, é uma escolha do presidente.

Por que ainda acreditar na mudança do Bolsonaro?

Mudou muita coisa, veja o Bolsonaro de máscara ontem, não falou de [tipos de] tratamento. O que estamos aconselhando, está acontecendo. Mas ele não é o Temer, uma pessoa comedida. Que ele mudou, mudou.

Tem falado com ele?

Sim, bastante. Tenho dado minha opinião. Eu disse que ele não deveria mais dar a opinião sobre tratamento e que ele deixasse as coisas dessa área na mão do ministro, se isso ocorrer vai dar tranquilidade para sair desse momento.

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