Criança nasce com dois sexos e mãe luta para mudar nome para menino

Foi registrada como menina, mas exame comprovou que é menino

Uma mãe de 45 anos luta na justiça para que o seu filho seja reconhecido como homem. A criança nasceu com dois sexos. Mas, quando nasceu, ela foi direto para UTI e foi registrado como meina ainda na maternidade de Rio Branco.

A mãe só percebeu que a criança tinha dois sexos dias após o seu nascimento.

“Como ele nasceu e foi direto para a UTI, não cheguei a vê-lo sem roupa. Na primeira visita ele estava com fralda, e os médicos atestaram que se tratava de uma menina. A enfermeira pediu que eu fosse logo registrá-la, e foi o que eu fiz. Mas, quando vi meu filho sem fralda, tive certeza de que era um menino”, relembra.

Uma equipe médica foi acionada após a mãe questionar o sexo do bebê e um geneticista explicou que se tratava de um caso de intersexo - quando há a presença dos dois órgãos sexuais.

A criança foi registrada como menina e a mãe lutar para mudar para menino (Crédito: Arquivo Pessoal)
A criança foi registrada como menina e a mãe lutar para mudar para menino (Crédito: Arquivo Pessoal)

Após a mãe conseguir fazer um exame cariótipo que analise a quantidade e a estrutura de cromossomos em uma celula, constatou que de fato a criança é um menino.

A dona de casa conta que sempre foi questionada quanto ao nome da criaça, já que ela tem comportamento de menino e que até a semana passada a criança se vestia como menina.

“Só eu sei o constrangimento que passo quando as pessoas pedem para ver meu filho nu. Na semana passada, duas mulheres pediram para ver meu filho sem roupa. Isso me machuca muito, me constrange”, conta.

Agora, após ter feito o exame, a mãe luta tentando conseguir mudar o registro da criança para um nome masculino. Ela precisa apresentar o exame a um geneticista para que seja realizado um laudo e apresntado no cartório.

A mãe se desfez de todo o enxoval feminino e, agora, pede ajuda na internet para conseguir roupas de garoto.

“Todo o enxoval, até os dois anos, é tudo de menina. Tudo rosa. Mas eu sempre soube que meu filho era menino. Sempre soube que eu tive um menino e não uma menina”, afirma.

A luta para mudar o nome da criança também tem o objetivo de permitir que ele seja matriculado em uma creche sem sofrer preconceito.

“Não sei nem por onde começar para mudar o nome dele. O que sei é que preciso levar esse exame a um geneticista e também preciso de uma carta para que eu mude o nome dele no cartório. Meu filho é homem, sempre se comportou como homem", diz.

"Na semana passada, quando cheguei com o exame dele, ele sentou ao meu lado e perguntou o resultado. Eu disse que ele era homem, e ele respondeu: 'Graças a Deus, mamãe. Agora sou um rapazinho'", finaliza.

A geneticista Bethânia Ribeiro explica que, para a mudança de nome, a mãe só precisa de um laudo médico apontando a questão do gênero. Ela destaca, porém, que a cirurgia de escolha da genitália só pode ser feita na adolescência, quando a criança escolher o gênero com o qual se identifica.

O diagnóstico do sexo do bebê pode ser genético, feito pelo cariótipo, hormonal ou psicológico. Se o cariótipo for masculino, geneticamente ele é homem, mas isso não quer dizer que ele vá se identificar com o sexo masculino na adolescência. Pode ser que ele queira mudar, explica a médica.

Fonte: g1
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