HUT registra aumento de 21% nas notificações compulsórias

As notificações que mais se destacaram foram acidentes de trabalho

O Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital de Urgência de Teresina (HUT) registrou, ano passado, 1.869 casos de doenças e agravos de notificação compulsória, que são aquelas que precisam ser, obrigatoriamente, notificadas às autoridades em saúde.

Com relação a 2015 esse número representa um aumento de 21,2%. As notificações que mais se destacaram foram acidentes de trabalho grave com 790 atendimentos, com aumento de 42,6%, e casos de violências interpessoais/autoprovocadas com 419, aumento de 22,4%. 

De acordo com Rui Cipriano, coordenador do Núcleo, os dados gerados são transformados em informações epidemiológicas com a finalidade de descrever, acompanhar e comparar características dos grupos populacionais atendidos no HUT.

“Nós trabalhamos para identificar problemas que podem colocar em risco a saúde da população. Somos responsáveis pelo planejamento e execução das ações de epidemiologia hospitalar, incluindo a vigilância epidemiológica das doenças de notificação compulsória e outros fatores de interesse da saúde que norteiam as políticas públicas do país”. 

Hospital de Urgência de Teresina (Crédito: Reprodução)
Hospital de Urgência de Teresina (Crédito: Reprodução)

Dentre os acidentes de trabalho grave atendidos no HUT a maioria dos pacientes é do sexo masculino com 89,6% do total. Mais da metade, 56,2%, estão na faixa etária de 19 a 39 anos e 35,3% estão de 40 a 59 anos de idade. Quanto ao tipo de acidente de trabalho, 55,7% foram notificados como de trajeto, ou seja, no deslocamento para o trabalho ou vice versa.   

Rui explicou que o acidente de trabalho não se restringe apenas ao horário do expediente. Qualquer acidente que venha acontecer no trajeto de casa para o trabalho ou do trabalho para casa é considerado acidente de trabalho.

“Nesse caso não pode haver desvio de rota. Se a pessoa sair da rota para visitar alguém ou tomar um sorvete, por exemplo, e se acidentar já não é mais considerado acidente de trabalho”, disse.

 Já com relação às notificações de violências interpessoais, 62,5% das vítimas que deram entrada no HUT eram do sexo masculino. 177 casos, ou seja, 42% foram crianças de 0 a 12 anos e 39,4% tinham de 13 a 29 anos de idade. A violência física e a negligência foram os tipos de notificações que mais se destacaram dentre os atendimentos com 43,2% e 40,4%, respectivamente. 

Outra informação importante, notificada pelo NHE, são os dados sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes. Em 2105 foram 166 notificações. Já em 2016 esse número cresceu para 184 casos, representando um aumento de 10,8%. Rui explicou que muitos casos que entram no HUT como acidentes domésticos são avaliados pelo Núcleo e classificados como negligência.

“Todos os dias nós analisamos vários casos de crianças que entram no HUT como violência doméstica. Quando é constatada a falta de cuidado com a proteção da criança fazemos a notificação e encaminhamos para o Conselho Tutelar investigar e tomar as providências cabíveis”, destacou. 

O Núcleo notificou ainda 95 casos de acidentes de trabalho com exposição a material biológico, 93 casos de intoxicação exógena (cujo agente de intoxicação é externo), 62 casos de doenças neurológicas, 206 de doenças de notificação e 20 de outros agravos. Dentre as doenças de notificação se destacam, principalmente, dengue, hepatite viral, chikungunya, leishmaniose, leptospirose, tuberculose e hanseníase. E entre os outros agravos incluem-se atendimento anti-rábico, acidente com animal peçonhento e evento adverso pós-vacinal.

Fonte: Portal Meio Norte