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Idosos encontram em abrigos o carinho negado pelas famílias

Abrigos acolhem os idosos, mas o carinho da família faz falta

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Você diz que seus pais não te entendem, mas você entende os seus pais? E seus avós? Muitos fariam qualquer coisa para tê-los eternamente ou sofrem pela ausência dos ascendentes diretos, seja de primeira ou segunda geração. Enquanto isso, muitos preferem entregar pessoas idosas da própria família ao abandono. Estes são os órfãos de filhos vivos, os órfãos da terceira idade, que acabam abrigando os próprios sonhos em abrigos, com pouca ou nenhuma expectativa de realizá-los.

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Abrigo São Lucas (Crédito: Leo Vilari)


Seja por uma suposta inviabilidade financeira ou ausência de coração, os filhos ou netos deixam os idosos em locais como o Abrigo São Lucas, Casa Frederico Ozanan e Manain. Estes abrigos acolhem os idosos como podem, prestando todo o suporte necessário na alimentação, saúde e conforto. Mas o apego familiar, este ninguém pode suprir. Mas o que leva um cidadão a abandonar quem o criou durante toda a vida?

Esta é uma questão que comove muitos e intriga outros, mas a reflexão que fica é: até quando o modelo de vida atual, onde dinheiro e tempo contam mais que a paciência com os próprios pais, vai levar a humanidade? Em tempos em que abandonar um idoso é mais plausível do que pedir ajuda, o adoecimento social causado pelo consumismo é panorama que, de fato, destruiu a família tradicional brasileira. Quem seria mais tradicional em uma família que os pais, avós e bisavós?

O abandono físico e afetivo deixa sequelas nas pessoas idosas. Muitos perdem a noção do tempo com a saudade dos parentes que nunca vão visitá-los. E este sofrimento, diga-se de passagem, não é apenas nesta época de final de ano quando os corações costumam ficar aquecidos por conveniência: é atemporal e insuportável. A ausência de conforto afetivo e familiar trazem danos permanentes.

O psicólogo clínico Mário Faustino explica que o abandono é um amigo íntimo da solidão. “Quando você coloca uma pessoa em um abrigo, subentende-se que a pessoa que está levando não tem condições de cuidar. Isso gera no outro, no caso o idoso, um abandono muito grande. O abandono representa solidão, não poder contar com ninguém. Isso é o que a gente chama de abandono familiar, a perda dos vínculos”, explica.

O psicólogo afirma que a família deve preparar o idoso quando a única alternativa é entregá-lo a um abrigo. “Isso pode ocasionar uma depressão grave. Um isolamento inicial onde ele não aceita tal processo. Quando a família decide colocar um idoso em um abrigo, é fundamental que ele tenha entendimento da situação. Ele deve ser preparado emocionalmente e psicologicamente”, acrescenta.

O psicólogo Mário Faustino defende que um bom preparo permite melhores condições psicológicas para o idoso. “Existe uma alienação perdida pela idade. Alguns perdem o estado de espírito. Mas outros jogam, conversam, leem. Isso depende muito de como o idoso viveu a vida dele, o que é bem relativo”, aponta.


Quem são os órfãos da terceira idade?


Antônio Pádua tem 73 anos de idade. Após sofrer uma sequência de golpes da própria sobrinha, que recebia a aposentadoria por ele, o idoso passou a fingir-se de aleijado na Igreja São Benedito, centro de Teresina, para a própria subsistência. Ao parar uma das coordenadoras do Abrigo São Lucas, o idoso recebeu o convite para ser acolhido.

De início, a conversa não foi das mais amigáveis, mas depois o idoso ficou contente com a mudança de vida. “No começo, ele mandou eu ir para aquele lugar”, brinca Liliane Costa, diretora do Abrigo. “Depois de muita conversa que ele aceitou vir, passou um dia e adorou. Resolveu ficar”, lembra.

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Antônio Pádua mostra como pedia dinheiro no Centro para ter que sobreviver (Crédito: Leo Vilari)


O idoso chega a imitar como fazia para pedir dinheiro, mostrando um grande talento para a dramaturgia. “Antes do carro da saúde me levar, eu ficava pedindo dinheiro, todo engenbrado [sic], me fazendo de doente. O povo ficava com pena e eu ganhava muito dinheiro”, conta Antônio Pádua.

Por outro lado, Raimunda Delfina, de 70 anos, veio de Tianguá no Ceará para tentar a vida em Teresina. “Eu era garota de boate, não tenho porque negar. Vim a passeio, gostei, fui ficando e passei a vida na casa de uma amiga, que tenho como irmã. Depois, tive que vir para cá por não ter para onde ir. Mas tenho muitos parentes no interior”, conta.

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Dona Raimunda morava no Ceará e quando jovem, veio a Teresina tentar a vida. (Crédito: Leo Vilari)


Muito vaidosa, dona Raimunda não esconde o passado. “Eu me encantei pela vida fácil. Não tenho vergonha do meu passado. Gostava muito de namorar. Hoje não tenho nada, a gente esquece que envelhece e que perde a graça. Hoje estou aqui e meu sonho é ter um celular para ligar para minhas amigas”, pede.

Maria Cândida, 78, também conhece o abandono. “Meu irmão separou da mulher e brigava muito. Ele entrou na bebida, na droga. Ele pegou todo o meu dinheiro, vendeu tudo o que eu tinha. Botei ele na cadeia quatro vezes, mas mesmo assim ele ficou com tudo. Hoje dependo do abrigo para viver”, explica.

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Maria Cândida viu no abrigo um apoio e ajuda como pode. (Crédito: Leo Vilari)


Ágil e lúcida, Maria Cândida ajuda os funcionários do abrigo. “Eu fico olhando os idosos que precisam de ajuda, se tem água e tudo. Eu fico de olho para avisar para a diretora se alguma se sente mal, por exemplo”, afirma. (L.A.)


Abrigo São Lucas é o lar de 63 idosos


Com capacidade para até 65 idosos, o Abrigo São Lucas acolhe, hoje, 63 senhores e senhoras que jogam baralho, leem, brincam, conversam e, sim, sentem muita saudade dos familiares. Eles são encaminhados dos serviços de redes, como o Ministério Público e serviços de saúde.

Também existem as demandas espontâneas de familiares que chegam procurando vaga. “Então eu, como assistente social, faço uma triagem para o processo de admissão, que inclui exames como hemograma completo e raio-x para entendermos a situação de saúde dele. E o principal: se o idoso for lúcido, ele precisa querer vir para o abrigo”, explica Fernanda Almeida, assistente social.

A instituição é filantrópica e funciona sem apoios governamentais. “Funcionamos com o apoio da sociedade civil, de doações e do benefício do idoso. 70% do benefício do idoso fica com a instituição, para fins de manutenção. Além disso, contamos sempre com a imprensa, que sempre nos divulga muito. Temos alguns parceiros empresários”, explica.

O Abrigo São Lucas possui 25 profissionais com carteira assinada, entre cuidadores, nutricionista, assistente social, pedagogo e pessoal de zeladoria. A instituição fica localizada na Avenida Nicanor Barreto, 5280, bairro Vale do Gavião, zona Leste de Teresina. (L.A.)


Casa da Amizade: força feminina para o empoderamento de idosos

A Casa da Amizade - Associação de Senhoras de Rotarianos de Teresina é uma força feminina para empoderar os idosos em abrigos. O trabalho iniciou na Casa Frederico Ozanan, onde as mulheres realizam atividades de artesanato, festas de datas comemorativas e um ombro amigo para uma boa conversa.

Agora, a instituição vai começar a ajudar o Abrigo São Lucas. “O Abrigo São Lucas é muito carente, todos sabemos disso. Então nos reunimos e escolhemos iniciar um novo projeto aqui. No Frederico Ozanan permanece. Mas como existe Casa da Amizade em todo o Brasil, a nova coordenadora geral instituiu o Amigos da Velhice”, explica Beth Nogueira, presidente da Casa da Amizade.

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Beth Nogueira, presidente da Casa da Amizade, que ajuda abrigos de idosos em Teresina (Crédito: Leo Vilari)


Beth explica a sistemática do conjunto de ações. “Vamos selecionar 10 idosos e dar total assistência a eles. Mas não significa que os outros vão ficar de fora. As atividades coletivas serão para todos, como passeios e atividades. Mas os 10 escolhidos pela instituição terão fichas e serão acompanhados de forma mais íntima. Vamos fazer um diagnóstico do abandono do idoso no Brasil”, aponta.

A presidente da Casa da Amizade afirma que o idoso precisa de inclusão social. “Eu sou uma idosa. Tenho 63 anos, apesar de ser super jovem. Aqui também temos idosos jovens, mas que estão sem utilidade, sem função. Queremos reposicioná-los na sociedade. Queremos fazer com que eles participem de tudo, inclusive, na montagem de uma árvore de Natal, que é uma coisa simples”, finaliza. (L.A.)


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