Após uma grande pressão sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela liberação da importação de substâncias a base de maconha, a agência liberou, em 2015, determinados produtos fabricados a partir da Cannabis sativa para casos de apilepsia, por exemplo. Em 2017, foram aprovadas a importação de 2.101 formulários. Em 2021 o número é de 32.416 requisições aprovadas.

De 2017 para 2021, cresceu em 15 vezes o número de relatórios aprovados. A verdade é que a Cannabis, o gênero da maconha, apesar de ser vista como uma vilã por grande parte da população, possui um grande potencial medicinal. A medicação feita a partir da erva pode tratar ansiedade, epilepsia, dor crônica, Parkinson e até Alzheimer.

Maconha é proibida no Brasil, exceto em casos de liberação da Anvisa. Crédito: Sharon McCutcheon.Maconha é proibida no Brasil, exceto em casos de liberação da Anvisa. Crédito: Sharon McCutcheon.

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É o caso de Daiana Alves, dona de casa, de 38 anos, que cuida da filha, Maria Eduarda, de 15 anos. Ela sofre de crises convulsivas que foram atenuadas com uma medicação a base de canabidiol. 

“Nas primeiras semanas ela ficou sem crise. Com um mês depois, voltou bem forte. Começou a vir até quatro e seis convulsões. Mas aí diminuíram de vez. Passamos até dois meses sem ter de jeito nenhum. A fase de adaptação foi difícil, mas a valeu a pena”, conta a mãe da adolescente que conseguiu a determinação legal de importar o remédio.

Altos gastos com importação

O Ministério da Saúde gastou em torno de R$50 milhões para importar substâncias a base de Cannabis sativa entre 2017 e 2021 em 13 estados. Curiosamente, a maconha é facilmente encontrada nas ruas, de forma ilegal, a um preço mais acessível. No Brasil, a venda de maconha é considerada ilegal e entra no crime de tráfico de drogas.

De acordo com o Kaya Mind, empresa especialista em negócios de maconha no mundo, estima que o Brasil tenha gasto R$130 milhões em importação de Cannabis em 2021.