O Instituto Arte na Praça ensina a comunidade sobre o verdadeiro significado da palavra empatia. A educadora Roze Magalhães é a idealizadora do projeto, que atende 68 estudantes que são beneficiados com aulas de arte e música. O espaço, alugado com o salário da professora, é mantido com muito esforço.

O que antes era apenas um projeto que surgiu em uma escola de tempo integral para melhorar o desempenho escolar dos alunos, hoje é algo que está dentro da comunidade. No bairro Renascença II, zona Sudeste de Teresina, ela criou um refúgio para a juventude, onde um grupo de trabalho voluntário transforma vidas. 

Lá acontecem oficinas de pinturas em telas, crochê e música, onde o violino e a flauta doce produzem doces melodias para os ouvidos. Além disso, muitos projetos futuros, com a inserção da dança e do teatro. A iniciativa se mantém com ex-alunos e amigos de Roze Magalhães, que ajudam a sustentar o projeto. Eles também recolhem lixo na rua e transformam em arte.

Projeto também abre espaço para o ensino da música | FOTO: Raíssa MoraisProjeto também abre espaço para o ensino da música | FOTO: Raíssa Morais

Preocupada com o baixo rendimento dos alunos, Roze decidiu tomar uma atitude.  

"Eu vi rendimento baixo no Enem e pensei em levar a arte para incentivar.  Comecei em 2010. Sou apaixonada por Torquato Neto, aí fiz um concurso de caricatura. Foi muito bom, as crianças gostaram. Chamei gente que tocava Torquato Neto, fiz uma feira. Eu era professora de educação física, aí fiz uma graduação em arte para trabalhar com isso”, revela.

Projeto de Roze Magalhães beneficia 68 estudantes na zona Sudeste | FOTO: Raíssa MoraisProjeto de Roze Magalhães beneficia 68 estudantes na zona Sudeste | FOTO: Raíssa Morais

O Instituto oferece várias atividades importantes. "Abri as portas da escola para a comunidade. Sou eu e mais cinco professores voluntários. Sou professora de artes. No final de 2019 aluguei a casa com esse intuito de acolher as mães e as crianças. Atualmente são 65 alunos, com aulas quinta, sexta e sábado”, acrescenta.

Arte que transforma vidas

De porta aberta, qualquer pessoa é bem recebida no endereço na zona Sudeste de Teresina. “A galeria é aberta. A gente toca violino aqui em cima. Aqui tem duas aulas por dia, das 14h às 16h. Legalizei o instituto com o intuito de conseguir apoio. Estamos desde janeiro trabalhando a Semana de Arte Moderna, que faz 100 anos este ano. Todo dia 19 a gente distribui comida para os alunos. Trocamos a arte, as telas, por comida e distribuímos para as famílias”, conta Roze Magalhães.

Para a professora, essa é uma missão de vida. “Eu estou fazendo minha parte como educadora e ser humano. O que mais me emociona é ver os meninos tocando Luiz Gonzaga, ver as telas da arte. Posso contar com o professor Ximenes, que vem de bicicleta porque não temos dinheiro para o ônibus”, reconhece.

Pinturas dos artistas mirins no Instituto Arte na Praça | FOTO: Raíssa MoraisPinturas dos artistas mirins no Instituto Arte na Praça | FOTO: Raíssa Morais

Os alunos ficam felizes em fazer parte do projeto. “Arte é a vida para mim. Eu ficava o dia todo no celular, agora passo o dia desenhando. A arte transformou minha vida. Aqui o professor Ximenes me ensina e tenho os materiais. Sou muito feliz aqui, meu sonho era me realizar de desenhar”, conta Iago Ferreira Lopes, de 12 anos.

As aulas de desenho são muito bem frequentadas. “Eu gosto de desenhar e aprender. Gosto de ver as outras crianças aprendendo juntas comigo. Eu já desenhava em casa, mas aqui aprendi ainda mais”, revela Joana D’Arc, de 7 anos. “O melhor desse lugar é a cultura. Aprendi a desenhar aqui”, acrescenta Ana Beatriz, de 8 anos.

Joana D’Arc e Ana Beatriz adoram as atividades de desenho | FOTO: Raíssa MoraisJoana D’Arc e Ana Beatriz adoram as atividades de desenho | FOTO: Raíssa Morais

João Daniel, de 12 anos, é destaque nas atividades. “Aqui é bom pelo simples fato da gente aprender música, desenho e muitas outras coisas. Aqui desperta a chance da gente aprender algo novo. A música é algo que gosto muito de fazer em horas vagas. Aqui apreciei mais”, considera.

Trabalho 100% voluntário

Os voluntários dão força para Roze desenvolver o sonho e missão de vida. A verdade é que a professora ensina muito mais que arte, mas sim as boas relações entre os seres humanos usando a arte como instrumento.

Francisco Ximenes, professor de artes, fica contente em colaborar. “Avalio que esse projeto é levar cultura. Essa criançada tem uma boa vontade para aprender. A gente já fica muito alegre em ver alguém que está na arte desenvolver o próprio talento. A gente está preocupado com o futuro dessas crianças. Queremos que eles sejam bons cidadãos. Vemos esses meninos expondo na Alemanha, aqui no Salipi, o Arte na Praça é para o mundo afora”, explica Francisco Ximenes, professor de arte.

Francisco Ximenes ensina técnicas de desenho para as crianças | FOTO: Raíssa MoraisFrancisco Ximenes ensina técnicas de desenho para as crianças | FOTO: Raíssa Morais

Cristian Douglas, de 19 anos, dá um reforço no ensino de música. "Fui aluno do Instituto por 10 anos. Hoje ajudo como voluntário. Comecei assim como esses meninos. Fiz flauta e violão. Aprendi a me relacionar com as pessoas. Acho muito importante porque revela novos talentos. Isso alavanca a sociedade de forma enriquecedora”, finaliza.