Pelo menos nove pessoas morreram, nesta segunda-feira (19), por gastroenterite, diarreia aguda e suspeita de malária transmitidas pelas águas das enchentes que atingiram dezenas de milhares de pessoas no Paquistão, segundo mostraram dados do governo divulgados nesta terça-feira (20).

O país registrou o total de 318 mortes por infecções desde 1º de julho. O relatório revelou que mais de 72 mil pacientes foram tratados ontem em hospitais improvisados ou móveis instalados em regiões atingidas por inundações. Mais de 2,7 milhões de pessoas foram hospitalizadas desde o início das chuvas.

Doenças transmitidas por enchentes no Paquistão matam nove pessoas (Foto: reprodução)Doenças transmitidas por enchentes no Paquistão matam nove pessoas (Foto: reprodução)

O número de mortos pelas enchentes no geral atingiu 1.559, incluindo 551 crianças e 318 mulheres. Não são inclusos no número os óbitos causados pelas doenças, declarou a agência de gestão de desastres do país. As autoridades dizem que pode levar de dois a seis meses, em diferentes áreas, para as águas das enchentes começarem a recuar.

As regiões inundadas foram atacadas por doenças como malária, dengue, diarreia e problemas de pele, principalmente na província de Sindh, no sul.

As precipitações recordes de monções e derretimento glacial no norte do Paquistão desencadearam as inundações que afetaram quase 33 milhões de pessoas no país de 220 milhões do sul da Ásia, varrendo casas, plantações, pontes, estradas e gado em danos estimados em US$ 30 bilhões.

Centenas de milhares de pessoas foram desabrigadas e estão vivendo a céu aberto, expostas a doenças espalhadas em águas estagnadas. Eles precisam desesperadamente de comida, abrigo, água potável, banheiros e remédios, afirmaram as autoridades.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) denominou a situação das famílias como “além de sombria”. A entidade diz que cerca de 16 milhões de crianças foram afetadas. Pelo menos 3,4 milhões de meninas e meninos continuam precisando de apoio imediato e salvador.

Caíram 391 milímetros de chuva no país, ou cerca de 190% a mais do que a média de 30 anos entre julho e agosto, um período de monções que começou cedo e se estendeu além da linha do tempo usual. Os temporais na província de Sindh, no sul, atingiram, 466% da média.