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Jogo Aberto MN debate o combate ao crime de racismo; assista

Participantes destacaram o racismo estrutural, as dificuldades que o negro enfrenta na sociedade e a importância da luta anti-racista.

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Na edição do Jogo Aberto MN deste sábado, 20 de junho, o apresentador Arimatéa Carvalho recebeu as jornalistas Edna Maciel e Germana Chaves, além da juíza Mariana Marinho Machado, e a professora da UFPI e advogada popular Maria Sueli Rodrigues, para debater o tema ‘Racismo: como combater esse crime?’.

Com a discussão em voga após o assassinato do segurança George Floyd, que desencadeou numa série de movimentos no mundo inteiro, a professora Sueli Rodrigues destacou que a luta contra o racismo é uma responsabilidade de todos, evidenciando que o seu combate deve ocorrer diariamente.

“É uma responsabilidade de todo mundo, racismo é uma doença. O racismo todos os dias atacam as pessoas e as pessoas morrem, temos um genocídio dos jovens negros, os negros na periferia não passam da juventude, é muito importante que todo mundo queira construir uma nova realidade. É uma tarefa cotidiana, porque o racismo está impregnado em tudo que a gente faz, tem que fazer essa tarefa todos os dias, em todos os nossos comportamentos”, afirmou.

A juíza Mariana Marinho Machado destacou as experiências que vivenciou na magistratura. Por ser mulher, jovem e negra, ela apontou que sua presença nas comarcas sempre causou surpresa, evidenciando o racismo estrutural da nossa sociedade

TV Meio Norte

”Quando ingressei tinha acabado de completar 27 anos e estava no Pará, até hoje muita gente se assusta, hoje em dia em Itainopólis as pessoas estão mais acostumadas, mas é o racismo estrutural não se espera uma juíza jovem, mulher e negra. Isso aconteceu e ainda acontece várias vezes. Se a gente quer realmente uma democracia racial, precisamos discutir isto”, afirmou.

Atuando no meio político, a jornalista Germana Chaves, do Portal GP1, revelou sua trajetória de superação na carreira.

“Quando eu comecei a atuar neste meio, muita gente me questionava porque eu atuava na dança, no início eu percebia muito esse tipo de comentário, com o passar do tempo eu consegui quebrar muitos tabus e hoje temos uma boa relação com todos da área, e hoje eu ainda percebo uma curiosidade. Tudo é questão de diálogo, se impor, que está ali para desenvolver o seu trabalho, hoje eu posso dizer que em raras exceções passo por situações neste meio que atuo. Fácil não foi, foi um trabalho de persistência, de estudo, de se esforçar mais do que os colegas que estavam ali”, disse.

Por sua vez, completando 30 anos de carreira na comunicação, a jornalista Edna Maciel apontou o resgate da auto estima do negro, e a importância da representatividade.

“Todos nós fomos criados no sistema racista, nascemos nessa cultura, fomos criados assim, só depois de 50 anos que fui assumir meu cabelo, minha mãe não teve culpa quando pedi para alisar o cabelo; e hoje eu sei que posso usar meu cabelo do modo como quiser”, afirmou.

Cotas

As participantes ainda discutiram sobre as cotas, nisto, a professora Maria Sueli Rodrigues corrigiu, destacando que não há cotas raciais e sim, sociais.

“Não tem cota racial, tem cota social, é só se você tiver estudado na escola pública, se você tiver estudado em escola pública e é negro pode se inserir na cota. Ainda tem mais, as cotas não corrigem, você vai sofrer racismo. Eu orientei um trabalho de mestrado que dava dó você ler a entrevista da estudante do curso de Medicina, não corrige mesmo não, agora é importante ter a presença negra na Universidade para as pessoas se tocarem, a Universidade é mantida com o dinheiro de todos, e por isso ela tem que ter a cara desse país”, disse.

ASSISTA O DEBATE NA ÍNTEGRA: 


A juíza Mariana Marinho defendeu o sistema, explicando que no meio jurídico, as cotas abrangem apenas a primeira fase dos concursos, sendo que há 6. Assim, ela ainda detalhou a discrepância na ocupação de altos postos por negros e por brancos, evidenciando a latente desigualdade nacional. 

“Eu entrei na magistratura em 2012, e ainda não tinha cotas, e ainda hoje muitas pessoas acham que foi por cota; antes eu achava que cota era discriminação, mas de alguns anos para cá mudei completamente minha visão, o Brasil foi uma colônia  de exploração, teve a divisão em raças, foi uma criação humana, não existia isso, e essa divisão de raça se deu para justificar a colônia de exploração, o que não justifica até hoje. Infelizmente quando teve a abolição da escravatura o negro  foi jogado na sociedade sem nenhuma condição, e as cotas tínhamos apenas 1,8% na magistratura, sendo que somos 58% da população, então alguma coisa está errada aí? Então eu comecei a perceber e ver como é importante a representatividade, faço trabalho nas escolas e as pessoas mais pobres são pardas e negras, e quando veem que sou magistrada, querem conhecer. As cotas disponíveis em concursos públicos para magistratura é apenas na primeira fase, e são seis fases. As cotas raciais valem apenas na primeira fase, e não é discriminatória”, afirmou.

A jornalista Edna Maciel reverberou que as cotas não corrigem a desigualdade e o racismo, mas defendeu sua importância para que a sociedade possa evoluir.

“Em relação às cotas eu também era assim, no início achávamos que não iam corrigir, e elas não corrigem mesmo, não corrigem o açoite, o mau trato, mas há sim que se fazer o ajuste, estudamos em escolas públicas; não sou contra as cotas, mas pensei realmente se não íamos sofrer mais preconceito como isso; hoje sou a favor sim, não corrigem, mas é um passo positivo, um passo para que alguma coisa seja feita”, comentou.

Luta anti-racista

Nisto, a professora Maria Sueli sintetizou que nossa sociedade é ensinada com base em literaturas racistas, e isso precisa ser modificado.

“Isso é estruturante não só para a realidade brasileira, mas para todo o mundo. Essa cultura se espalhou a partir da colonização. A história e a filosofia que ainda estão sendo ensinadas prepara nossa mentalidade para ser racista, é uma memória coletiva terrível que ainda nos alimenta infelizmente”, apontou.

A jornalista Edna Maciel fez um depoimento sobre a necessidade de lutar diariamente pela igualdade e contra o racismo, apontando as dificuldades que os negros enfrentam no nosso país.

“A gente vive fazendo esse exercício diário, isso é uma luta todos os dias, me supero sempre, estou fazendo em dezembro 30 anos de carreira, agora existem casos e casos, a primeira vez que me deparei com o racismo de sempre eu não soube exatamente o que fazer, pois fiquei estupefata. Desde pequena eu sabia que tinha que me sobressair, a minha arma sempre foi uma educação, foi o conhecimento; eu consigo superar com muita fé em Deus, com amigos que me adoram e principalmente, com a educação. Ainda tá tudo muito devagar, eu não considero que o racismo está perto de acabar”, frisou.


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