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Lula sobe o tom em discurso no ABC Paulista: "Eu estou de volta"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de uma comemoração em São Bernardo Campo, no ABC Paulista.

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Em discurso um dia após ser solto da sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde cumpria pena, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disparou críticas à Rede Globo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Economia, Paulo Guedes em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP).

Embora tenha dito que saiu sem ódio dos quase 20 meses de prisão, Lula subiu o tom e partiu para o confronto político. 

“Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu estou. Eu duvido que o Deltan durma com a consciência tranquila. Eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que durmo. Eu duvido que o destruidor de empregos Guedes durma com a consciência tranquila que durmo. E digo: eu estou de volta”.

Crédito: Roney Domingos/G1

Bolsonaro

Enquanto militantes xingavam Bolsonaro, Lula reprimiu o grito e disse duvidar se as pessoas fossem criadas pela mãe dele diriam palavrões como disseram contra Dilma na abertura da Copa do Mundo de 2014. “Fui criado para não dizer palavrão. Não vou dizer palavrão a Bolsonaro, ele é o próprio palavrão”.

Em seu discurso, Lula fez uma série de críticas ao presidente Jair Bolsonaro, chamando o seu governo de um governo de "milicianos". "Esse país não merece o governo que tem. Esse país não merece um governo que manda seus filhos contarem mentira todos os dias através de fake news", declarou. "Não adianta ficar com medo, não adianta ficar preocupado com as ameaças que eles fazem na televisão. Que vai ter miliciano, que vai ter AI-5 outra vez", disse, em referência a uma fala do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Crédito: Roney Domingos/G1

O petista também fez duras críticas ao projeto econômico do atual governo que, segundo ele, está "empobrecendo" ainda mais a sociedade brasileira. 

"Quando eu fui preso, achei que minha prisão ia permitir recuperar o Brasil", disse. "Mas o povo tem menos carro, menos emprego. Quero saber se o juro do cheque especial caiu. Se o juro da Casas Bahia caiu. Porque é esse juro que toca diretamente no bolso do trabalhador, que mexe no salário do nosso povo. A Selic caiu, mas o spread bancário não caiu", declarou. Lula defendeu, ainda, a distribuição de livros "contra a distribuição de armas do Bolsonaro". "Se as pessoas tiverem onde trabalhar, tiverem salário, onde estudar, se tiverem acesso a cultura, a violência vai cair".

Marielle e Queiroz

Ao lado de lideranças do PSOL, como Marcelo Freixo e Guilherme Boulos, Lula lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco. "Quem matou Marielle?", perguntou. "Não é a gravação do filho dele que vale [sobre o depoimento do porteiro, que disse que um dos suspeitos de morte da vereadora pediu o número da casa de Jair Bolsonaro]. É preciso que haja uma perícia séria para que a gente saiba quem matou Marielle." 

Antes, ele disse reconhecer a eleição de Bolsonaro, mas afirmou que o presidente "foi eleito para governar para o povo brasileiro, e não para os milicianos do Rio [de Janeiro]". "Ele [Bolsonaro] tem que explicar onde é que está o Queiroz. Como ele construiu um patrimônio de 17 casas. Eu quero saber como esses caras juntam dinheiro."

Crédito: Thiago Bernardes/FramePhoto/Estadão Conteúdo

Críticas à mídia

O ex-presidente criticou a mídia televisiva, sobretudo o que chamou de falta de cobertura dos vazamentos das conversas da Lava Jato. Logo ao subir no palanque, mirou um helicóptero da Rede Globo: "Lá em cima tá o helicóptero da Rede Globo para falar merda de novo sobre Lula e sobre nós."

Em nota, a Globo repudiou os ataques de Lula e disse que faz jornalismo sério e continuará a fazer. "A prova de isenção da emissora é a transmissão do discurso que o ex-presidente fez ontem e hoje. Também é prova de sua isenção ser alvo de ataques dos extremos do espectro político hoje, tão radicalizado", diz o texto. 

Nova caravana 

Ao terminar o discurso, o ex-presidente sinalizou que deve entrar em uma nova caravana nos próximos dias, citando como aliados a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e o ex-prefeito Fernando Haddad, candidato derrotado à Presidência em 2019. "A partir da semana que vem eu vou estar cuidado da minha vida. Eu não sei qual confusão vão criar para mim, mas eles não sabem o tesão que estou.”


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