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Mãe cuida da filha deficiente enquanto recolhe lixo: "Faço com muito orgulho"

Maria Pereira coleta materiais recicláveis pelas ruas para compor renda. Rosinha Pereira Pinto tem 19 anos e nasceu com síndrome de Edwards.

Mãe cuida da filha deficiente enquanto recolhe lixo: "Faço com muito orgulho"
Mãe cuida da filha deficiente enquanto recolhe lixo nas ruas | Reprodução
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Maria Regina Pereira, de 47 anos, recolhe materiais recicláveis no bairro IAA, na região de Santa Terezinha, em Piracicaba (SP), sempre acompanhada da filha Rosa Izabel Pereira Pinto, que tem 19 anos e uma deficiência que a mantém dependente dos cuidados da mãe praticamente 24 horas por dia.

Sem ter carro ou condições de deixar a jovem com alguém, Maria arrasta os recicláveis com uma das mãos enquanto, com a outra, empurra a cadeira de rodas de Rosa pelas ruas. "Foi a forma que encontrei de trabalhar e ficar com a minha filha", diz a recicladora, que completa: "Não é fácil, mas faço com orgulho. Sei que, apesar das dificuldades, faço bem para o planeta e ainda ganho um dinheirinho". A reciclagem aumenta a renda familiar, que é de um salário mínimo.

Rosinha, como é chamada pela mãe, nasceu com a síndrome de Edwards, doença que causa paralisia cerebral, má formação nos pés e uma deformação na região entre o céu da boca e a parte interna do nariz.

?Quando minha filha nasceu, em 1993, saí do trabalho para me dedicar totalmente a ela. Meu marido nos deixou quando Rosinha tinha sete anos e, a partir daí, comecei a lutar para cuidar dela e do meu filho mais velho, que atualmente é casado e também não mora mais com a gente?, afirma.

A recicladora diz que a história com Rosinha já mobilizou alguns moradores do IAA. ?Eles gostam da gente, sempre nos cumprimentam. A cadeira de rodas, inclusive, foi o pessoal da vizinhança que fez uma vaquinha para nos dar de presente.?

Rotina

Logo após dar banho na jovem e preparar o café da manhã, elas saem para recolher os recicláveis.

Água e algum alimento para a filha nunca podem faltar e todo trabalho tem de ser feito de manhã porque, à tarde, é a vez da mãe acompanhar a jovem na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). ?Eu fico o tempo todo na escola com ela?, diz Maria.

A recicladora se emociona ao dizer que Rosinha chegou a ser desenganada. ?O médico disse que minha filha iria viver só até os sete anos. Graças a Deus hoje ela está com 19 e muito bem de saúde. Por isso, se essa história ajudar aqueles que estão tristes ou acham que têm problemas nesta vida, eu não preciso de mais nada. Já fico muito feliz."


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