Maioria dos deputados réus no STF votou a favor de Michel Temer

Recordista de ações no Supremo é Roberto Góes (PDT-AP).

Dos 51 legisladores atualmente julgados no Supremo, 36 votaram contra o avanço da denúncia e salvaram presidente. Maior parte de alvos de inquéritos na Lava Jato também se posicionou assim.

Logo após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar a denúncia criminal por suspeita de corrupção contra o Michel Temer, o presidente fez um pronunciamento afirmando que o Ministério Público havia aberto "um precedente perigosíssimo". Em julho, foi a vez de o advogado do presidente, Antonio Mariz de Oliveira, afirmar em uma sessão da Câmara: "Nós precisamos nos defender de um avanço indevido do Ministério Público."

Uma parte dos deputados parece ter concordado. Entre aqueles que estão sendo julgados no STF, 70% disseram "sim" ao relatório que pedia a rejeição da denúncia e consequentemente salvaram Temer. Foram 36 de 51 deputados que respondem a uma centena de ações no tribunal. Outros 12 votaram pela continuidade da denúncia e dois se ausentaram.

O número pode variar já que vários processos seguem em segredo de Justiça ou em alguns casos a denúncia já caducou, apesar de o sistema do STF ainda apontar que esses deputados ainda estão sendo julgados.

Entre os deputados que votaram a favor de Temer estão velhas figuras conhecidas da Justiça, como Paulo Maluf (PP-SP), condenado em maio a sete anos e nove anos de cadeia por lavagem de dinheiro e que ainda é réu em outra ação penal. Ao declarar seu voto, disse: "Pelo progresso e pelas reformas, voto sim".

O deputado Wladimir Costa (SD-PA), que ganhou notoriedade nos últimos dias ao tatuar o nome "Temer" na altura do ombro, também é réu em duas ações, uma por crime de peculato e outra por ameaça. Quando votou, disse ao microfone: "Temer é um homem decente, preparado, transparente, e nós vamos votar para a oposição chorar hoje aqui com a vitória de Michel Temer!"

O recordista de ações no Supremo, Roberto Góes (PDT-AP), que tem nove processos penais, também votou para salvar o presidente. Há ainda um deputado réu por envolvimento no caso da máfia das sanguessugas, Nilton Capixaba (PTB-RO). O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), réu em quatro ações no STF, também votou pelo relatório. "Para que o Brasil não se torne uma Venezuela, que é o que eles querem, voto sim", disse em sua justificativa.

Fonte: Terra